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“Uma Virgem irá conceber o Emanuel, Deus-Conosco” — por Pe. Anderson Messina Perini

Maria e José, modelos de fé e disponibilidade, nos conduzem à vivência do mistério do Deus-conosco às vésperas do Natal.

Por: Redação Fonte: Garça em Foco
23/12/2025 às 13h47
“Uma Virgem irá conceber o Emanuel, Deus-Conosco” — por Pe. Anderson Messina Perini

A Liturgia da Palavra deste 4º Domingo do Advento, último domingo do Advento, nos orienta para expectativa de celebrar o Natal do Senhor, seu mistério da Encarnação. Desse modo, a Liturgia nos apresenta duas figuras importantes, que colaboraram com Deus, na realização do Plano de Salvação: Maria e José.
Na Primeira Leitura (Is 7,10-14), Isaías anuncia uma Virgem, que conceberá o “Deus conosco”. Essa profecia foi proclamada no tempo do Rei Acaz, que confiava mais no poder do exército dos assírios, do que na força e na proteção de Deus e sofre um estrondoso fracasso. Apesar da infidelidade de Acaz, Isaías confirma a fidelidade de Deus e revela um sinal de esperança: “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, (Ezequias), e lhe porá o nome de Emanuel” (v.14). O filho de Acaz, concebido de uma donzela, foi um bom rei, consolidou a dinastia de Davi e se tornou sinal da presença de Deus no meio do povo. Mas criou-se a expectativa de um outro rei, um filho de Davi, que cumprisse plenamente a profecia e fosse realmente “Deus conosco”. Desde o início da era cristã, os cristãos viram na figura dessa “virgem” a imagem de Maria, mãe de Jesus; e no “Emanuel” o próprio Jesus, o verdadeiro “Deus-conosco”. 
A Segunda Leitura (Rm 1,1-7), Paulo lembra aos romanos que Jesus é a boa-nova de Deus há tempos anunciada pelos profetas, nas Sagradas Escrituras, mas judeu de nascimento, da família de Davi. O Apóstolo se define como “Servo de Jesus Cristo” (v.1), escolhido para pregar o Evangelho, resumindo em duas frases toda a vida da obra do Salvador: do nascimento da carne à ressurreição gloriosa, e seu poder de santificar a humanidade. De fato, a encarnação, paixão, morte e ressurreição são um único mistério: com início em Belém e consumação na Páscoa. O Natal ilumina a Páscoa, enquanto revela as origens e a natureza daquele que morrerá na Cruz, para a salvação do mundo: O Filho de Deus, o Verbo encarnado.
No Evangelho (Mt 1,18-24), vemos a plena realização da promessa: Jesus é o “Deus-conosco” que vem ao encontro da humanidade para lhes apresentar uma proposta de Salvação. Ele nascerá de Maria, esposa de um homem bom, justo e honrado chamado José, descendente de Davi. 
A narrativa da situação de Maria e José não deve ser vista como uma descrição de fatos históricos, mas uma catequese sobre Jesus. Primeiro, destaca a origem divina de Jesus: Maria encontra-se grávida por obra do Espírito Santo. A missão desse menino se encontra em seu nome:“Jesus” significa “Deus salva”.   Ele mostra que vem de Deus com uma proposta de salvação. O seu nascimento é miraculoso, pois nasce de uma “Virgem” e afirma que Jesus é o Messias anunciado pelos profetas, enviado por Deus para restaurar o reino de Davi. 
José desempenha um papel importante: pela sua obediência silenciosa, realizam-se os Planos de Deus. Confiando na Palavra de Deus, penetra na obscuridade do Mistério divino, e se incorpora, com plena disponibilidade, no plano salvador de Deus. A Virgem Maria nos convida a admirar o que o Senhor operou nela e a acreditar na vitória da vida onde nós só enxergamos sinais de morte. No Natal, Deus vem ao encontro dos seres humanos para oferecer a Salvação. Esse encontro só será possível se tivermos o coração disponível para o acolher e para abraçar a sua proposta. 
O Evangelho nos apresenta dois modelos de disponibilidade, duas pessoas que tiveram dúvidas sérias sobre o Plano de Deus, mas plenamente disponíveis na realização desse Plano. Maria está sempre atenta aos apelos de Deus e responde com um “sim” generoso de total disponibilidade. Esse “sim” torna possível a presença salvadora de Deus no mundo. Será que sou capaz de dizer “sim” todos os dias, de forma que, através de mim, Deus possa nascer no mundo e salvar a humanidade? José é um homem a quem Deus envolve nos seus planos misteriosos, mas que tudo aceita, numa obediência total a Deus. Homem justo que vive pela fé. Por sua obediência, assume com simplicidade a missão desafiadora de esposo da Virgem Mãe, e pai virginal do Filho de Deus. Será que sou capaz de acolher os projetos às vezes misteriosos de Deus, com a mesma disponibilidade de José, em obediência total a Deus? 
Somos convidados a preparar o Natal desse ano, com Maria e José. Se, como Maria e José, acolhermos a mensagem de Deus, acreditando nela, superando o medo e a dúvida. Se, como Maria e José, nos deixarmos engravidar pelo Espírito do Senhor, emprestando nosso ser, nosso corpo e nossa mente, nosso espírito e nosso tempo, nossa fragilidade e nossa força, para que Deus atue em nós. Toda nossa vida será um Natal Perene, um contínuo Deus-conosco.                        


Pe. Anderson Messina Perini
Administrador Paroquial da Paróquia Jesus Bom Pastor de Santo André

 

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