Segunda, 08 de Março de 2021
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Geral LUTO

Titico, um corintiano campeão e goleador é vencido pela Covid

Nesta coluna, Tico Cassola relembra a trajetória Antônio Castanha Neto, ou “Titico”, um dos grandes goleadores de nossa várzea, que infelizmente faleceu no último final na cidade de Presidente Venceslau, vitimado pelo terrível vírus da Covid/19

15/01/2021 12h59 Atualizada há 2 meses
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Por: Francisco Alves Neto Fonte: Da redação
Titico, um corintiano campeão e goleador é vencido pela Covid

 

A coluna homenageia um dos grandes goleadores de nossa várzea, que infelizmente faleceu no último final na cidade de Presidente Venceslau, vitimado pelo terrível vírus da Covid/19. Torcedores mais antigos se lembrarão dele: Antônio Castanha Neto, ou “Titico” (foto), que marcou muitos gols no começo dos anos 70, quando disputou campeonatos citadinos. Na época a várzea tinha muitos goleadores, o Viola, Helder “Alemão, Morozini, Cláudio, e o Titico estava no mesmo nível de todos. Com a vantagem de saber proteger bem a bola, principalmente dentro da área, para finalizar no gol. A trajetória dele foi curta em nossos gramados, pois devido a sua ocupação profissional, teve que mudar para outra cidade.

A adolescência viveu na Fazenda Paraíso, onde seu pai trabalhava. A família veio  para Garça, indo morar na Vila Manolo (hoje José Ribeiro). Tanto o Titico como o irmão mais novo, o Zé Walter, começaram a jogar no antigo campo de terra da vila (onde hoje é a escola Manoel Joaquim Fernandes). Logo foram descobertos pelos dirigentes do Paulistinha, que estavam formando uma equipe juvenil.

E saiu um grande time, onde foram revelados Waldir Peres, Helinho Tercioti, Bidiu, Inocêncio, Celsinho Cassemiro. Logo de cara no ano de 1965 o Paulistinha foi campeão do Torneio Pedro Valentim Fernandes, e o Titico despontou marcando gols.

Depois foi para o amador, defendendo entre outras equipes, o Frigorifico Barol, Transribas e Serenata. Na temporada de 1971/72, o Serenata do presidente Paulo Renato Alves de Souza, montou uma verdadeira seleção para disputar o difícil campeonato regional, promovido pela Liga de Futebol Marília. Uma competição difícil, jogando contra cidades da região, e o Serenata conquistou de forma brilhante o título de campeão.

Veja o Serenata posando com a faixa de campeão, no Estádio Municipal “Frederico Platzeck”. Em pé da esquerda para direita: Nelsinho, Paraná, Dadi, Picova, Jorge e Mário Campos Novos. Agachados: Dominguinho, Natal, Titico, Helinho Tercioti e Edilio Ramos.

No ano seguinte, o Serenata novamente repetiria o grande feito. Até hoje nenhuma outra agremiação garcense conseguiu tal façanha. Porém, Titico não terminou o campeonato, uma vez que se mudou de Garça. Mesmo assim disputou alguns jogos. No outro flagrante, posando com alguns dos jogadores, que depois se tornariam bicampeões. Em pé da esquerda para direita: Jorge, Dadi, o irmão Zé Walter e o técnico João Truzzi. Agachados: Dominguinho, Titico e Edgar de Souza.

UM DIA DE GOLEADOR:

No ano de 1971, eu começava ainda bem jovem, com apenas 14 anos, minha trajetória no campeonato amador, defendendo o Ipiranga. Lembro de um jogo entre Serenata x Ipiranga, disputado no Campo da Rebelo, era um pouco mais acima de onde fica o “Toyotão”. Neste dia o Titico demonstrou toda a sua habilidade de artilheiro, marcando 6 gols. O ótimo time do Serenata ganhou de 7 a 3, e me lembro que todos os gols foram marcados de dentro da área, nada de chutão de longe. Domínio da bola e bola colocada no canto. A partir de então, eu passei a espelhar no Titico, na arte de fazer gols.  

 

CAMPEÃO NO CORINTHIANS:

Pouca gente sabe, mas o Titico foi campeão jogando pelo Corinthians, no ano de 1977, mas de Presidente Venceslau. Naquele ano fazia “só” 23 anos, que o alvinegro de São Paulo não ganhava um título. Então foi promovida uma competição só com times com o nome de Corinthians, em duas chaves da capital e do interior.

O folclórico presidente Vicente Mateus, na promoção do evento, falava em alto e bom som: “Agora, finalmente, o Corinthians vai ser campeão". O Corinthians de Presidente Venceslau foi o melhor do interior. E na disputa com o “xará” da Capital acabou conquistando o inédito título. Na foto, Titico é o quarto em pé, da esquerda para direita. Nesta conquista, o Titico mudou radicalmente de posição.

De centroavante passou a jogar na zaga, de beque central. E olha que se saiu muito bem. Sabia as “manhas e manias” de como anular um atacante, não o deixar marcar gols. Segundo o esportista Toninho Moré, ele se destacou atuando ao lado de Canhoteiro, Carlos Rossato, Nélio Luiz, Djalmão, Periquito e outros zagueiros.  

Por ironia do destino naquele mesmo ano, no dia 13 de outubro, o Corinthians quebraria o jejum e também se tornaria campeão paulista em cima da Ponte Preta.

Titico ainda disputou a 3ª Divisão de Profissionais pelo Corinthians de Presidente Venceslau, cidade que o recebeu de braços abertos, desde quando lá chegou, nos idos de 1973. Titico estava com 70 anos e continuava trabalhando no SIF - Serviço de Inspeção Federal. Era casado com Diva, e o casal teve dois filhos (Fábio e Rafael) e três netos (Gabriel, Artur e Nicolas).