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Jaime Nogueira Miranda: Um grande apoiador do esporte

Confira na coluna de Wanderley Tico Cassola.

Por: Francisco Alves Neto Fonte: Da redação
26/07/2020 às 18h08 Atualizada em 27/07/2020 às 08h15
Jaime Nogueira Miranda: Um grande apoiador do esporte
A jovem revelação Tico Cassola e Jaime Miranda

Na edição passada, “O Mais” noticiou um dos assuntos mais emblemáticos da política garcense, ocorrido a cinquenta anos atrás. No dia 17 de junho de 1.970, a cidade era surpreendida com a intervenção na prefeitura. 0 prefeito Júlio Marcondes de Moura, foi afastado com base no Ato Institucional nº 5, por ordem do presidente do Brasil, General Emílio Garrastazu Médice. No lugar de Julinho, assume o cafeicultor Jaime Nogueira Miranda. A população ficou estarrecida. Um momento único e triste na política que jamais será esquecido. 

Naquele ano eu recebia convite do Ipiranga para disputar o campeonato amador, apesar de ser ainda mito jovem de 13 para 14 anos. Antes tinha disputado uma competição interescolar pelo Escola Artezanal, e depois outra em Marília, na categoria dente de leite, representando o Garça Tênis Clube, comandada pelo professor Rui Pinheiro. Em ambos os torneios ganhei a medalha de artilheiro. Talvez isto despertou o interesse dos dirigentes ipiranguistas, liderados pelo Nelsinho Carvalho. Confesso que ficamos radiantes com o convite. Naquela época disputar o campeonato amador era bem difícil. Tinha bons times e grandes jogadores. Conseguir vaga não era para qualquer um.

Entretanto uma dúvida era geral. Com a intervenção na prefeitura sairia o campeonato? No ano anterior (1969) não teve também. Recordo que a maioria dos jogadores e dirigentes ficavam no “footing” em frente o Cine São Miguel, “corneteando” para tudo quanto é lado. Eu lá, só ouvindo a boleirada mais antiga comentar. Torcendo, é claro, para ter o campeonato. A vontade era demais para disputar. Infelizmente acabou não acontecendo. 

Com isto o Ipiranga foi arrumando alguns amistosos e preparando o time. Até que no ano seguinte (1.971), o Sr. Jaime Miranda, convocou vários esportistas e teve o campeonato. Na Comissão Central de Esportes assume o diretor Mário Baraldi e na Liga Municipal de Futebol, o Sr. João Truzi. O Ipiranga “contratou” vários jovens, lembro do Alcir, Nôzinho, Sambinha, Carlinhos. E o Sr. Jaime Miranda, demonstrando muita esportividade, e para surpresa de todos, passou a frequentar os campos onde os jogos estavam sendo disputados. 

Com isto ganhou a admiração e respeito dos times e jogadores. O campeonato foi empolgante e bem disputado. No final o Serenata acabou sendo o grande campeão da temporada. 

A organização conseguiu até “fardamento” para os juízes, tudo de primeira. Veja no flagrante. Em pé da esquerda para direita: João Truzi, Mario Baraldi,  Sérgio de Stefani, Jaime Miranda, Moises Rodrigues Santana, Adecildo Alves “Nenê Caveirinha e Sasso. 

Agachados: Maquininha, Antônio Cavalaria, Tatinha, Ranulfo José da Silva e Ximenes. Todos devidamente uniformizados com roupas pretas, a moda na  época, e com o distintivo da LMF (Liga Municipal de Futebol). O Sr. Jaime Miranda, se empolgou tanto que até participou de um jogo festivo no final de ano, entre uma seleção dos “Magros” e “Gordos”. Veja na foto o time dos “Gordos” : Em pé da esquerda para direita: Antônio Candido do Carmo, Pedro Kruzick, Juvenal Hilário do Nascimento, Pedro Falcão, Bulho, Alfeu Stoque, Antônio Maceloni, Olegário “Chola” Damaceno e Toninho Marques. 

Agachados: João “Manolinho” Folgueiri, Professor Paulinho, Dito Soldado, João Alexandre Colombani, Jaime Nogueira Miranda, Bukvich, Aníbal Bonfim e Zéca Manchini. Segundo o Aníbal me contou, o “Seo” Jaime marcou dois gols, um de pênalti, com direito a paradinha. Como interventor federal comandou Garça até o ano de 1.973, entregando a prefeitura para o prefeito Pedro Valentim Fernandes.

Lembro que naquele ano formei no curso secundário. Quando fui receber o diploma, era o Sr. Jaime Miranda quem estava procedendo a entrega, para mais de uma centena de jovens formados. Quando me aproximei (foto), o Sr. Jaime me entregou o diploma e falou o seguinte: “Ei, você é aquele loirinho, camisa 9, que joga no Ipiranga, no time de camisa vermelha? Um dia você vai jogar no time do Garça”. 

Se eu já estava contente com o diploma, fiquei mais contente ainda, pelas palavras e boa memória dele. A profecia deu resultado. No ano de 1.976 eu estreava no time profissional do Garça, no Campeonato da 2ª Divisão de Profissionais. No “Platzeck”, jogo entre Garça 2 x 1 Barretos. Gols de Tico e Heitor “Tiarim” Gonçalves.

Wanderley Tico 

Cassola 

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