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“Jesus Bom Pastor” - por Pe. Anderson Messina Perini

Reflexão sobre o Domingo do Bom Pastor destaca o chamado à conversão, ao seguimento de Cristo e ao compromisso com a missão na comunidade cristã.

Por: Redação Fonte: Garça em Foco
22/04/2026 às 09h27
“Jesus Bom Pastor” - por Pe. Anderson Messina Perini

No 4º Domingo de Páscoa celebramos o Domingo do Bom Pastor. É uma imagem muito conhecida já no Antigo Testamento. É um título de Cristo muito familiar aos primeiros cristãos. É um modelo apresentado a todos os que exercem alguma liderança na comunidade.

Na primeira e segunda leitura, Pedro explica como entrar pela Porta, ou escutar a voz do Pastor: mediante a conversão e o Batismo (At 2,14a.36-41), e através do seguimento das pegadas de Cristo, fazendo o bem sob o peso do sofrimento (1Pd 2,20-25). Há etapas para aceitar Cristo como Pastor. Primeiro, devemos parar e escutar sua voz por meio dos pastores. A pregação de Pedro afirma que Jesus é o único Senhor, o Ressuscitado. Depois, fugir da sociedade corrompida, reconhecer nossos pecados, que fazem sofrer Jesus na cruz. A conversão, mudando de atitude, fazer o bem e não o mal, mesmo diante dos malfeitores, opressores, devolver o bem pelo mal. Reconhecer Jesus como único Senhor, Pastor e guarda de nossa vida. E, por fim, ser batizado, morrer para o pecado, nascer novamente para uma nova vida, ser comprometido com o projeto de Jesus, o Reino e buscar a salvação. Com o Salmista, testemunhemos as ações do Bom Pastor e o desejo de habitar sempre com ele: “O Senhor é meu Pastor, não me falta coisa alguma” (Sl 22).

No Evangelho (Jo 10,1-10), Jesus se apresenta como o Bom Pastor. É uma catequese sobre a missão de Jesus: conduzir a humanidade às pastagens verdejantes e às fontes cristalinas de onde brota a vida em plenitude. O texto está dividido em duas partes, ou duas parábolas.

Na primeira parte, aparece a figura do Bom Pastor, numa atitude de ternura com as ovelhas. Ele as conhece, as chama pelo nome, caminha com elas e estas o seguem. Elas escutam a sua voz, porque sabem que as conduz com segurança. Em contraste com o pastor, aparecem as figuras dos ladrões e dos bandidos. São todos os que se apresentam como pastor, ou até falam em nome de Cristo, mas procuram somente vantagens pessoais.

Na segunda parte, Jesus se apresenta como a “Porta das ovelhas”: “Quem entrar por mim, será salvo” (v.9). A porta permite a passagem dos donos da casa e impede o ingresso dos estranhos. Quando a porta é fechada, é para proteger as ovelhas dos assaltantes; quando é aberta, o pastor vai à frente, para conduzir as ovelhas às pastagens. Para os líderes, significa que ninguém pode ir ao encontro das ovelhas se não tiver um mandato de Jesus, se não tiver sido convidado por Jesus, se não se orientar pela prática de Jesus. Para as ovelhas, significa que Jesus é o único lugar de acesso para que possam encontrar as pastagens que dão vida. Pois ele é a porta da salvação e da misericórdia.

A figura do Pastor era uma imagem muito familiar no tempo de Jesus. Mas, no mundo urbanizado de hoje, talvez ela perca a força que tinha então. O que nos diz ainda hoje esta imagem? Convida-nos a refletir sobre o serviço da autoridade. Propõe como modelo Jesus, onde a autoridade deve ser exercida numa atitude de serviço contínuo e gratuito.

Para os cristãos, o Pastor por excelência é Cristo. Ele recebeu do Pai a missão de conduzir o rebanho de Deus. Cristo, de fato, é o nosso “Pastor”? Ou temos outros “pastores”, que orientam a nossa existência? Quem conduz as nossas escolhas? Cristo? Ou a voz da política, a voz da opinião pública, a voz do partido, a voz do comodismo e da instalação, a voz dos nossos privilégios, a voz do êxito e do triunfo a qualquer custo, a voz da novela, da televisão, das mídias e redes sociais?

Como Cristo desempenha a sua missão de Pastor? Ele conhece as “ovelhas” e as chama pelo nome, mantendo com cada uma delas uma relação muito pessoal. Aqueles que receberam de Deus a missão de presidir, de animar uma comunidade, o fazem dessa forma humana e amorosa?

As ovelhas do rebanho de Jesus devem escutar a voz do Pastor e segui-lo. Isso significa aderir a Jesus, percorrer o mesmo caminho dele, na entrega total aos projetos de Deus e na doação total aos irmãos. Procuramos seguir o nosso “Pastor” no caminho exigente do dom da vida, ou preferimos outros caminhos mais cômodos?

Em nossas comunidades cristãs, temos pessoas que presidem e que animam. Aceitamos sem problemas as pessoas que receberam essa missão de Cristo e da Igreja, apesar dos seus limites e imperfeições? De outro lado, estamos conscientes de que Cristo é o nosso único “Pastor”, que devemos escutar e seguir sem condições? Os outros “pastores” têm uma missão válida se a receberam de Cristo. E o seu jeito de atuar nunca pode ser diferente do de Cristo.

Para distinguir a “voz” do “Pastor”, é preciso três coisas. Primeiro, um permanente diálogo íntimo com o Pastor. Depois, um confronto permanente com a Palavra de Deus e, por fim, uma participação ativa nos sacramentos, sobretudo, a Eucaristia dominical, onde recebemos a vida que o Pastor nos oferece.

Nesse 63º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, o Papa Leão enviou uma mensagem com o tema: “A descoberta interior do dom de Deus”. Em sua mensagem, o papa destaca quatro pontos. Primeiro, Jesus, o Pastor Belo, ressaltando que sua perfeição reside no dom total da vida pelas ovelhas. “A característica que distingue os santos, além da bondade, é a luminosa beleza espiritual que emana de quem vive em Cristo”, afirma o Papa. Depois, o cuidado com a interioridade. O papa faz um apelo direto aos jovens para não terem medo de parar e escutar a voz do Senhor. E, para isso, são necessárias três coisas: parar e adorar, adoração eucarística e meditação da Palavra; confiar no chamado, seja para o matrimônio, para a vida sacerdotal ou consagrada, o diaconado permanente — toda vocação é um dom imenso na Igreja; e discernimento, acompanhamento espiritual e espaços de reflexão à luz do Espírito Santo. Confiança e amadurecimento, inspirando-se em São José, “ícone de confiança total”, a mensagem reforça que a vocação exige um constante abandonar-se aos planos de Deus, mesmo diante de crises ou incertezas. E, por fim, compromisso comunitário. Ao concluir, o Santo Padre convoca bispos, sacerdotes, famílias e catequistas a criarem “ambientes favoráveis” para que as vocações possam florescer e amadurecer.

Pe. Anderson Messina Perini
Administrador Paroquial da Paróquia Jesus Bom Pastor de Santo André

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