Domingo, 29 de Março de 2026
17°C 29°C
Garça, SP
Publicidade

“Jesus, fonte de água viva” — por Pe. Anderson Messina Perini

Reflexão sobre o Evangelho recorda o encontro de Cristo com a Samaritana e o convite à renovação da fé

Por: Redação Fonte: Garça em Foco
05/03/2026 às 08h07
“Jesus, fonte de água viva” — por Pe. Anderson Messina Perini
A Quaresma, na Igreja primitiva, além de ser um tempo de penitência e de conversão, era um tempo de preparação para os batizados, que aconteciam no sábado santo, na Vigília Pascal. Por isso, nesses três domingos, que antecedem a semana santa, aparece o tema batismal com os símbolos. Primeiro, a Água, no diálogo com a Samaritana; depois, a Luz, na cura do cego; e por fim, a Vida Nova, na ressurreição de Lázaro. Hoje nos apresenta o símbolo mais importante, a Água, que exprime o milagre renovado da vida.
Na Primeira Leitura (Ex 17,3-7), o povo pede água. No deserto, o povo reclama revoltado contra Moisés, pedindo água, para manter-se vivo: “Dá-nos água para beber” (Ex 17,2). E Deus intervém, fazendo brotar milagrosamente água da rocha de Horeb. Moisés dá de beber a seu povo. É imagem de Cristo, que no futuro dará a água da vida, que é o Espírito Santo. Pois, Cristo é a rocha, que do seu lado aberto pela lança jorrou sangue e água.
Na Segunda Leitura (Rm 5,1-2.5-8), Paulo resume a fé da Igreja no dom da água viva presente na vida de cada discípulo de Cristo. Todos podemos saciar a nossa sede em Deus. “A esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). A graça, a participação da vida e dinâmica divina, é inseparável do amor de Deus. Amor que é essência do Ser, da vida divina. Infundido com a graça santificante do Batismo, não se trata de um amor abstrato, mas concreto que envolve o cristão na dinâmica daquela caridade infinita que levou a Cristo a morrer pelos pecadores. Será possível duvidar do amor de Cristo? Como diz São Paulo: “Dificilmente alguém morrerá por um justo; por uma pessoa muito boa, talvez alguém se anime a morrer” (v.7). O mistério pascal, que a Liturgia nos prepara a celebrar, prova ser Jesus Cristo para humanidade fonte de água viva, transbordante, até a vida eterna, justamente pelo seu amor infinito que levou a morrer na Cruz para salvação de todos. Para retribuir tamanho amor, é necessário cada um de nós deixar transformar pela graça e amor até nos assemelhar a Cristo Crucificado.
No Evangelho (Jo 4,5-42), Jesus pede e oferece água à Samaritana. Cansado e sedento, Jesus senta-se ao lado do poço de Jacó. Os discípulos vão à cidade em busca de alimento. No poço, Jesus encontra-se com uma mulher anônima, com balde e o coração vazio, em busca água. Ela é uma mulher estranha, estrangeira, impura até para os apóstolos.
Jesus ultrapassa os preconceitos de raça, de sexo, de religião. Senta-se sobre o poço e toma a iniciativa pedindo a mulher: “Dá-me de beber”. Do diálogo nasce a mútua compreensão. A mulher descobre em si mesma uma sede mais profunda de amor, pois apesar dos cinco maridos que já tivera, vivia um grande vazio. Jesus é o próprio poço que se revela como água viva, capaz de saciar qualquer sede humana, com o dom do Espírito Santo.
Inicialmente ela fica confusa, no final ela pede “dessa água”. Reconhece Jesus como “Salvador do Mundo”, o Templo onde Deus “deve ser adorado em espírito e verdade”. Abandona o “velho balde” e corre para a cidade, para anunciar ao povo a verdade que tinha encontrado.
O Caminho da Samaritana é o itinerário de todo discípulo. Nesse Diálogo, mostra-se a grande pedagogia de Jesus, revelando aos poucos, até chegar à manifestação plena ao declarar: “o Messias sou eu”. No começo, a mulher só pensa na água material, sinal de seus desejos, seus maridos e sua vida. Aos poucos começa a compreender e aceitar a proposta de Jesus: Inicialmente, ela vê nele apenas um judeu viajante. Depois, o chama de “Senhor”. Em seguida, reconhece que é um Profeta. E no final, descobre nele o Messias esperado. Abandona então o balde que dá acesso às suas propostas limitadas de felicidade, e corre até a cidade para anunciar a sua descoberta. Essa mulher desprezada, após escutá-lo como discípula, torna-se missionária de Cristo, antes mesmo dos apóstolos.
Alguns símbolos no texto. A água do poço é símbolo de todas as satisfações humanas, na esperança de encontrar nelas a nossa felicidade, mas que no fim deixam sempre muito vazio e muitas desilusões. Essa água não satisfaz plenamente, todos os dias precisamos voltar ao poço. De outro lado, a água de Jesus é o Espírito de Deus, o amor que enche os corações. Só Cristo mata definitivamente a sede de vida e felicidade humana. Essa água nos faz pensar também no Batismo, que foi o nosso primeiro encontro com Jesus. O Prefácio resume em poucas palavras o episódio: “Ao pedir à Samaritana que lhe desse de beber, Jesus suscitava nela o dom da fé; e tão grande era sua sede pela fé dessa mulher, que acendeu nela o fogo do vosso amor”.
Outro símbolo presente é o da Aliança. O Encontro entre Jesus e a Samaritana tem um caráter simbólico no poço de Jacó. Pois foi neste poço que Jacó encontrou Raquel, sua futura e amada esposa. Desse modo, Jesus encontra-se com a Samaritana, símbolo da humanidade pecadora redimida por Cristo, sua amada esposa, a Igreja, que proclama a Fé no Divino Esposo. O encontro de Jesus e a Mulher Samaritana é símbolo da Aliança que Deus realizou em Cristo com toda a humanidade.
O percurso da Samaritana é símbolo de nosso caminho. No passado, o poço sempre foi um lugar de encontro. As pessoas continuam ainda hoje procurando um poço, para saciar sua sede profunda de vida. Buscam cada vez mais “coisas” para saciá-la e nada os satisfaz. Cristo continua vindo ao nosso encontro. Senta-se perto do poço do nosso coração e nos convida a revisar a fundo a nossa vida e o sentido de nossa fé cristã para sermos autênticos adoradores do Pai em espírito e verdade.
Antes de nos encontrar com Cristo, também nós estávamos preocupados com nossos problemas, desejos, ambições, e o nosso coração estava sempre repleto de tristeza e insatisfação. Precisávamos todos os dias voltar ao poço e encher o nosso balde. Um belo dia, o encontro com Cristo aconteceu. A conversa com Jesus despertou em nós uma curiosidade, que nos levou a conhecer melhor a sua pessoa e sua mensagem. No final da caminhada, encontramos essa água viva, prometida por Jesus. Abandonamos então o “velho Balde” e sentimos a necessidade de correr para anunciar a todos, como Missionários, a nossa descoberta e a nossa felicidade. Façamos nosso o pedido da Samaritana: “Senhor, dá-nos sempre dessa água!”
 
Pe. Anderson Messina Perini
Administrador Paroquial da Paróquia Jesus Bom Pastor de Santo André
 
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.