
A Liturgia deste 5º Domingo da Quaresma, completa o quadro da Catequese Batismal. Depois de apresentar: Cristo, Água para a nossa sede (Samaritana); Luz para as nossas trevas (Cura do cego); hoje nos fala de Cristo, a Ressurreição para a Vida (Lázaro). A Liturgia responde à pergunta: “Como chegar a ser cristão?” Começamos com a recepção do dom de Deus, na água viva da graça, com uma iluminação e com uma ressurreição à vida verdadeira.
Na Primeira Leitura (Ez 37,12-14), Ezequiel anuncia Vida Nova. O Povo, exilado na Babilônia, desesperado e sem futuro, vivia uma situação de Morte. O profeta Ezequiel procurou alimentar a esperança dos exilados e transmitir a certeza de que Deus não os abandonou. O texto apresenta a famosa visão dos ossos ressequidos, que saem dos “túmulos”. O Espírito do Senhor sopra sobre eles e eles ganham vida. Deus vai transformar a morte em vida, o desespero em esperança, a escravidão em libertação. Com essa imagem, o profeta anuncia a libertação aos exilados, que estavam sem esperança como ossos secos na sepultura.
Hoje ainda há morte na família, quando os casais não se perdoam. Há morte quando os jovens se deixam levar pelas drogas e corrupção. Há morte quando nossas comunidades se digladiam entre si com invejas.
A profecia de Ezequiel vai para além de seu tempo e seu povo. Ela é uma profecia messiânica, anunciando as ressurreições espirituais e corporais realizadas por Jesus, o Filho de Deus. Mas ela também é aplicável no fim dos tempos, quando todos ressuscitarão na carne.
Na Segunda Leitura (Rm 8,8-11), Paulo lembra que o Espírito de Deus ressuscitou Cristo e o introduziu na glória do Pai. A Ressurreição de Cristo é a garantia e a promessa de nossa Ressurreição. No Batismo, nós recebemos o mesmo Espírito, que dá vida. A santificação ou justificação que recebemos neste sacramento nos faz participar da vida eterna, da vida da graça em Jesus Cristo. Assim, Jesus não aboliu a morte física, que é consequência do pecado, mas libertando do pecado, deu-nos a promessa de livrar-nos da morte no último dia. A ressurreição na carne e a vida eterna que professamos em nossa fé realizará quando Cristo voltar em sua glória e glorificará a todos que permanecerão no Evangelho. Será a nossa última Páscoa.
No Evangelho (Jo 11,1-45), Jesus se apresenta como o Senhor da Vida. Dentre as ressurreições operadas por Jesus em seu ministério, é de grande importância a de Lázaro, por ser um morto de quatro dias sepultado. O sétimo sinal do Evangelho de João destaca que os fatos e diálogos deste texto demonstram que Jesus é o Messias esperado e nele opera o poder Salvador de Deus.
Diante disso, primeiro destaquemos os personagens do fato. Primeiro o próprio Jesus, que age calmamente, confia no Pai, mesmo diante da certeza que seu amigo está morto. É interessante perceber que Jesus ao ser comunicado sobre a doença de Lázaro não se preocupa com sua enfermidade e diz: “Esta doença não leva à morte; ela serve para a glória de Deus” (v.4). Depois, os discípulos têm medo de voltar a Judéia. Tomé chega afirmar: “Vamos nós também para morrermos com ele!”. A seguir, Marta e Maria, irmãs e amigas de Jesus, confiam plenamente nele. Também, os curiosos que queriam ver coisas extraordinárias, mas não são movidos pela fé. E, por fim, Lázaro desatado da morte, sai e caminha. Jesus não tem problemas com a morte de Lázaro, vencerá a morte com sua morte e Ressurreição. Quem tem problemas com a morte são as pessoas, aquelas pessoas que não experimentou o poder de Jesus sobre a morte.
Há duas formas de solidariedade diante da Morte. De um lado, a dos amigos e vizinhos que vão à casa de Marta e Maria, para dar os pêsames e fazer lamentações em altos brados: Símbolo do desespero. Do outro, Jesus que nem entra na casa, nesse ambiente dominado pelo desespero. Ele fica do lado de fora e chama para fora. Os dois grupos choram. Mas são choros muito diferente. A do primeiro, chora as lamentações e o desespero. Jesus chora porque ama seu amigo Lázaro.
A Família de Betânia representa a Comunidade cristã, formada por irmãos e irmãs, que não tem pais. Todos conhecem Jesus, são amigos de Jesus e acolhem Jesus na sua casa e na sua vida. Essa família faz a experiência da morte. Mas os amigos de Jesus sabem que Ele é a Ressurreição e a Vida, e que dá a vida plena aos seus. A morte é apenas a passagem para a vida plena. Tanto que são os amigos de Jesus, os da comunidade que proclamam a fé em Jesus, o Ressuscitado. Pois é na comunidade cristã que ouvimos a grande proclamação de Jesus, a qual devemos nos firmar, crer, esperar, viver e proclamar: “Eu sou a Ressurreição e a vida (...) todo que vive e crê em mim, não morrerás jamais” (v.25).
A Fé proclamada por um mulher: se nos outros evangelhos é Pedro que faz a grande proclamação da fé, em João é uma mulher, Marta: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo” (v.27). Também será uma mulher, Madalena, a primeira a proclamar a Ressurreição de Jesus.
A Ressurreição de Lázaro é um Sinal. É uma prefiguração da Ressurreição de Cristo. O Batismo é morrer e ressuscitar com Cristo. O “Sinal” de Betânia é também um convite a crer na Vida e a lutar por ela em todas as expressões. O discípulo de Jesus, renascido à Vida no Batismo, carrega em si o germe de eternidade.
A liturgia da Palavra nesta Quaresma é uma retomada de nossa “iniciação batismal”, que certamente precisa ser aprofundada: um encontro e um diálogo com Cristo para realizar a Profissão de Fé, a exemplo da Samaritana, do Cego e de Marta. Hoje, com Marta, também professamos: “eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”