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“Sob a areia e o Sol do Atacama” — por Vanderli do Carmo Rodrigues

Entre mistério, ciência e poesia, o deserto mais árido do mundo revela vida, flores e silêncio absoluto

Por: Redação Fonte: Garça em Foco
14/01/2026 às 15h51
“Sob a areia e o Sol do Atacama” — por Vanderli do Carmo Rodrigues

O deserto do Atacama – Norte do Chile – tem aproximadamente mil quilômetros de extensão, é o deserto mais alto e mais árido do mundo, e considerado um dos locais mais misteriosos do planeta. 
Imagine viajar para um lugar diferente de tudo que você já viu; uma mistura de vulcões, montanhas, vales, lagos coloridos, esculturas de sal e formações que lembram paisagens lunares. Um calor de “cozinhar” durante o dia e um frio de “congelar” durante a noite. O céu é outra particularidade do deserto, afinal é tido pelos astrônomos como o mais nítido e escuro do planeta, e isso dá a impressão de se estar em um planetário imenso, tamanha a quantidade de estrelas visíveis. O local perfeito, segundo alguns, para contato com os extraterrestres.
Quem por lá passa, se encanta com os enigmáticos geoglifos – figuras gigantes nas rochas – que desafiam arqueólogos há décadas; animais, homens, divindades... Gigantes com discos na cintura, raios na cabeça, braços levantados como que abençoando os viajantes, e antes de visualizar o desenho por inteiro – afinal alguns deles têm mais de 100 metros de altura – a mente intrigada já associa o feito a seres extraterrestres. 
Afinal, fica difícil imaginar pessoas normais, milhares de anos atrás, rabiscando o deserto, dependurados nas montanhas, empilhando e esculpindo pedras... Fazendo desenhos tão gigantescos que só poderiam ser vistos do céu, em uma época onde nem se cogitava sonhar com aviões...
Mas, sem querer decepcionar os “caçadores de aliens”, os sinais já foram interpretados como sendo formas de sinalização e calendários lunares muito utilizados pelos povos que habitavam a região; e só para instigar os “caçadores de aliens”, eu me pergunto quem seria esses povos que viviam por lá, afinal é evidente que esse povo precisava de sinais para ver quando estivesse bem alto, lá nas nuvens... 
Agora, esqueça estes “sinais de trânsito” intrigantes e imagine este deserto, o mais árido do mundo, que já passou mais de 400 anos sem ver uma gota de água, totalmente coberto de flores. 
Será que foram os aliens? Não, não foram... Este fenômeno acontece de tempos em tempos, e voltou a acontecer esse ano, na verdade, está acontecendo nesse exato momento, tornando o deserto um exuberante tapete de flores roxas. Tal fato se dá após o El Niño, que é o aquecimento das águas do Pacífico. Este aquecimento afeta o clima, e o que seria impossível em um deserto, o El Niño proporciona, que é a chuva. 
Esta chuva faz germinar os bulbos e rizomas dormentes no solo, e o resultado é um espetáculo com mais de 200 espécies de flores diferentes.
Agora, deixe os campos cobertos de flores para trás, e siga sua viagem pelos caminhos esculpidos e demarcados por pedras caprichosamente dispostas em toda margem. Enquanto caminha, você se questiona quem poderia ter esculpido aqueles quilômetros de estradas, e de repente sua atenção se volta para centenas de seres que se movimentam ao longe, pernas gigantes que dobram do contrário, em uma intrigante cor rosa. Calor, ar rarefeito, o sol escaldante desfoca a imagem e você já não tem certeza daquilo que vê.
Mas os seres cor de rosa estão lá, não foi ilusão, pescoçudos e elegantes, com aquelas enigmáticas pernas “do avesso”. Centenas deles... 
Seres de outros mundos? 
Não! São os flamingos que vivem nos desertos...
Privilégio para poucos, um lugar para se deslumbrar... 
Um deserto coberto de flores? Fim dos tempos, você pode pensar... Ou talvez Jesus esteja voltando ou os aliens realmente vivem por aqueles lados, mas eu digo que a natureza é perfeita, e em um lugar onde o homem ainda não conseguiu colocar sua ganância, ela é gentil e bela.
As flores são sem dúvida a poesia da natureza; enfeitam, emocionam e perfumam...

E não fica apenas nisso, são fontes de alimentos para inúmeros insetos e pássaros, que quando mergulham para saborear do seu néctar, sem saber estão polinizando a planta que produzirá outra planta. Então, quando a chuva escasseia, a semente se recolhe ao solo e espera o regresso do El Niño.
O termo El Niño que significa “o menino”, foi uma homenagem a Jesus, pois acontece em épocas de Natal, sendo assim, talvez Ele esteja realmente voltando... Trazendo a chuva, e com ela, o milagre da vida...

Vanderli do Carmo Rodrigues

 

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