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Sarará x Lucão: da bola à música

Tico Cassola conta um pouco da história de um dos grandes jogadores da várzea garcense do passado, o Claudomiro da Silva Vicente, o Sarará, que fez aniversário no último sábado, dia 04

10/09/2021 às 15h06
Por: Francisco Alves Neto Fonte: Da redação
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Sarará: uma das lendas do amadorismo.
Sarará: uma das lendas do amadorismo.

Um dos grandes jogadores da várzea garcense do passado, o Claudomiro da Silva Vicente, o Sarará, fez aniversário no último sábado, dia 04, em alto estilo. Esta coluna era para ter saído no sábado passado. Porém, por falta de espaço, não deu. Mas como as comemorações dos 69 anos do Sarará vai durar uns 30 dias, hoje chegou a hora de dar os parabéns. Com certeza já teve o primeiro tempo do bolo, churrasco e muita música pela frente. O segundo tempo está em andamento. Ainda vai ter muitas prorrogações, festas e músicas. Eita família animada, composta de exímios instrumentistas.

Começa no Sarará, que também é compositor, ótimo “repentista”, pandeirista, já foi até mestre sala dos carnavais de antigamente. Depois passa pelo filho Dudu (foi fera na percussão na Banda Livre e Banda Arizona) e chega no neto Lucão. Há, também não posso esquecer jamais dos irmãos Gilmar e Bocão (já falecidos), integrantes da saudosa bateria da Escola de Samba da Vila Salgueiro. E da mana Suelly “Só Alegria”, a berranteira mais famosa de Garça e toda região.

Mas o lado futebolístico do Sarará também foi marcante. Quem vê ele hoje andando com uma certa dificuldade, não imagina o quanto “correu e aprontou” nos gramados garcenses, nas décadas de 60 a 80. O Sarará foi atacante, jaqueta 7, que tinha muita velocidade. Com ele não tinha nada que vir ajudar na marcação. Ficava lá na frente, bem aberto, dando dor de cabeças nos zagueiros contrários.

Antes de começar os jogos, ele já falava para os companheiros, os armadores do time. “Pega a bola e lança pra mim em profundidade. O lateral esquerdo que vai me marcar hoje “é teta, vai cansar logo”. A bola vou cruzar dentro área, fácil. Quem quiser marcar gols, é só ficar ali próximo da marca do pênalti”. Esta era a sua tática. Sarará cansou de fazer artilheiros, um deles, este articulista.

No bate papo com o Sarará, recordou com enorme saudosismo, de quando era criança, jogava nos campos de terra da Vila Salgueiro e no Campo da Congregação, na antiga Vila Serafim, no começo da Rua Maria Izabel. Depois foi disputar o campeonato amador, sagrando-se bi-campeão pelo Induscômio, do técnico Ednalvo Cardoso de Andrade, nos anos de 1972/73. Em seguida defendeu o Ipiranga por vários anos, sendo campeão em 1976 e 1979. Ainda se aventurou no futebol suíço, nos campos de terra atrás do Hospital São Lucas, envergando a camisa do Marino e do time da Brahma. Encerrou a carreira perto de completar 40 anos, devido a problemas no joelho.

JOGO HISTÓRICO

O dia 8 de outubro de 1972 Sarará jamais esquecerá. Final do campeonato amador. Frente a frente, Induscômio e Serenata, este disparadamente o melhor time da época. Segundo os comentários era o jogo do Davi contra Golias. Só que o Sarara em jornada inspirada fez os 2 gols do título. O primeiro surgiu aos 44 minutos da etapa inicial: “Na última volta do ponteiro, depois de algumas pontadas perigosas, o Induscômio inaugurava o marcador. Sarará apanhou um rebote da defensiva contrária e atirou pelo alto, estabelecendo Induscômio l x 0.

O gol que sacramentou o título foi aos 38 minutos do segundo tempo: “Aos 38’ Sarará, a grande revelação do certame, se incumbia de atirar uma pá de cal nas pretensões do Serenata. Depois de livrar-se de um zagueiro contrário, de chutar no goleiro Jorge, que saía da meta, Sarará caiu e na queda a bola ficou próximo aos seus pés. Com um leve toque, mesmo no chão, mandou o balão para o fundo das redes”. Induscômio era o novo rei da várzea. Assim noticiou o Jornal Comarca de Garça.

LUCÃO

Como diz o ditado popular “filho (ou neto) de peixe, peixinho é”, o  Sarara apostava que o neto Lucas Vicente Jacinto, o Lucão, seria o seu sucessor no futebol. Quem sabe jogar a metade do vovô, ja estaria de bom tamanho. Ainda não vingou, quem sabe no futuro. Numa coisa ja emplacou: o Lucão torce para o Santos.

Segundo o Sarará o lado artistico dele é que vem surpreendendo, para alegria dos pais a Liliam e Ednei. Desde pequeno demonstra interesse pelos  instrumentos musicais e leva jeito. Aprofundou os estudos na EMCA (Escola Municipal de Cultura Artística “Naná Zancopé”), e não parou mais. Dedicado, está se tornando um polivalente: toca bateria, tantã, rebolo, pandeiro e repique.

Atualmente está na banda Sala 23, cujos integrantes são alunos da EMCA. Uma das apresentações de maior sucesso do grupo foi no ultimo dia 10 de julho, no Cerejeiras Festival, em evento on line. Dias atrás tocaram na Praça Pedro de Toledo, agradando em cheio o público presente. A formação atual da Banda 23 tem o Lucas, Beatriz, Giovana, Meireles, Sandro, João, Luan, Conessa e Fernando, além do professor Fabiano. E um futuro musical promissor pela frente.

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