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Nena, um jogador polivalente

Nesta coluna, Tico Cassola relembra o polivalente Nena, que deixou seu nome marcado na história do futebol garcense.

16/07/2021 21h58
Por: Francisco Alves Neto Fonte: Da redação
Nena entre os lendários craques do Garça Futebol Clube.
Nena entre os lendários craques do Garça Futebol Clube.

Se alguém perguntasse: Luiz Antônio Hauy foi jogador do Garça? Certamente todos responderiam que não. Mas se falassem do Nena, a resposta seria positiva. Um jogador polivalente que defendeu o “Azulão”, entre os anos de 1972 e 1975, tendo um bom desempenho, graças a sua versatilidade em campo. A posição original do Nena era meia esquerda, apesar de ser destro. 

Assim que chegou para defender o Garça, o meia esquerda titular, era nada mais nada menos Rinaldo, ex-ponta esquerda do Palmeiras e Seleção Brasileira. Uma concorrência um tanto quando desleal, segundo ele. Como o time não tinha um lateral direito, o treinador Gilberto Godoi, que estava montando a equipe, perguntou se ele queria jogar na lateral. Como a sua vontade era tamanha, não pensou duas vezes, e topou a parada. Nena virou titular absoluto e não saiu mais da equipe. Foi assim, e com muito orgulho que vestiu a jaqueta 4, nas temporadas que passou aqui. 

O Nena não se cansa de falar que o Garça foi um dos times que marcou a sua carreira. 

Até porque jogou ao lado de ótimos jogadores, dentre eles, o goleiro Franz, Pedroso, Rinaldo, Osmar Silvestre, Abegar, João Luiz de Marília, Rodolfo Devito, Chiquinho goleiro, Cláudio Belon, Jânio, Toninho Bodini, Roberto Bertuço, Alcir, Davi e notável Rinaldo, que mesmo em final de carreira, era diferenciado e jogava fácil. Veja uma das formações do Garça. Em pé da esquerda para direita: Nena, Franz, Pedrão, Toninho, Alcir e Pedroso. Agachados: Dôzinho, Osmar Silvestre, Roberto Bertuço, João Luiz e Jânio.

Paralelamente ao futebol no Garça, o Nena priorizou os estudos, frequentando a Faculdade de Educação Física em Marilia, na parte da manhã. Como amante do futebol e um folego incomum, ainda sobrava tempo para praticar futebol de salão (futsal) na sua querida Getulina. Nos jogos da “Copa Noroeste”, na cidade de Birigui, foi o artilheiro da competição com 18 gols, 11 deles marcados de cabeça. 

A regra vigente só permitia a cobrança de lateral com as mãos e não valia gols de dentro da área do goleiro. A bola era pesada “pra burro”. Tinha que saber cabecear. Era mais jeito do que força.

A CARREIRA 

O Nena começou a jogar ainda criança, com 11 anos, na Associação Getulinense de Esportes. Depois treinou na Portuguesa de Desportos, indicado pelo amigo Piau, ex-ponta esquerda do São Paulo. No ano de 1971 fez testes no Guarani de Campinas, mas não foi aprovado. Defendeu o Garça entre 1972 e 1975, e o Tupã, nas temporadas de 1976 à 1979. Na foto é o quarto da esquerda para direita em pé. Lá também caiu nas graças da torcida, jogando ao lado do goleador Pulga e dos garcenses Alcir e Joy (goleiro). 

Até que decidiu “pendurar” as chuteiras aos 26 anos de idade, depois de ser zagueiro, meio campista e atacante goleador. Persistente, passou a se dedicar inteiramente ao trabalho na área da Segurança Pública do Estado de São Paulo, onde está a 45 anos, após ser aprovado em concurso público. Foi carcereiro (três anos), escrivão de polícia (nove anos) e delegado de polícia (33 anos). Atualmente ocupa o importante cargo de Delegado Seccional de Polícia de Tupã, com uma brilhante atuação, elogiada em toda a comunidade tupãense e regional, como que relembrando as grandes atuações dentro dos gramados.

CURIOSIDADES:  

- No primeiro jogo que foi assistir em Getulina, Nena chegou e o time da casa estava perdendo por 2 a 0. No intervalo o treinador o chamou para jogar. Entrou e virou o jogo, marcando todos os 5 gols da vitória. Foi contratado na hora. Passou o tempo, Nena foi o dono no time, que tempos depois se tornaria o principal da cidade.

-  No Garça. Quando teve aquela forte geada no dia 18 de julho de 1975, todos os jogadores estavam nos vestiários para treinar. O Garça tinha dispensado o técnico. A pergunta: treina ou não treina naquele frio intenso? Até que um jogador, sugeriu comprar um litro de conhaque pra esquentar. Foi um litro, dois, três, etc. Virou uma animada roda de samba nos vestiários, e treino que é bom nada. 

- No Tupã. O time foi jogar em Lins, contra o Linense. No retorno o ônibus quebrou. Não tinha outro para socorrer. O jeito foi apelar para uma carona.  Chegamos em Tupã na carroceria de um caminhão de leite.                   

- Alguns jogadores que marcaram na sua carreira: Rinaldo e Pedroso, do Garça. O centroavante Pulga e Caveira, do Tupã, além do técnico Wilson Pimentel, um entendido do futebol.

Como um grande esportista, Nena não esquece jamais dos amigos que o apoiaram no futebol: Odenir Noque, o popular “Bil”, técnico do futsal em Getulina; o professor/técnico e conterrâneo Gilberto Godoi; Marcelo da Costa Val, presidente do Garça. E dos queridos e inesquecíveis pais, Seo Elias e Dona Geraldina, grandes incentivadores, não somente para jogar bola, como também na sua formação, orientando-o a se tornar uma pessoa honrada e íntegra, dentro e fora dos gramados. Atualmente o Nena mora em Tupã, e em foto recente está ao lado da esposa Estela e dos filhos Enzo e Mila.

 

Wanderley “Tico” 

Cassola

 

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