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Haroldo Martins: um ídolo em Garça e Caxambú

Nesta coluna, Tico Cassola fala sobre o Haroldo, que está no seleto grupo de atletas que envergou a camisa do Garça Esporte Clube e também do Garça Futebol Cube, entre as décadas de 50 e 60

Por: Francisco Alves Neto Fonte: da redação
23/01/2023 às 09h47 Atualizada em 23/01/2023 às 13h52
Haroldo Martins: um ídolo em Garça e Caxambú

Recebemos do santista Haroldinho, um rico acervo do seu eterno ídolo no futebol, o saudoso pai, Haroldo Pereira Martins. São fotos e recortes de jornais antigos, falando da passagem do Haroldo no futebol desde Caxambu, sua terra natal, até chegar e ficar para sempre em Garça. 

O Haroldo está no seleto grupo de atletas que envergou a camisa do Garça Esporte Clube e também do Garça Futebol Cube, entre as décadas de 50 e 60. Sem falar que foi um dos jogadores de maior longevidade, pois encerrou a carreira profissionalmente próximo de completar 40 anos. Foi um atacante rápido, versátil, jogava tanto na ponta direita, jaqueta 7, como na esquerda, jaqueta 11. 

Tudo começou na sua terra natal, a mineira Caxambu, onde nasceu no dia 13 de outubro de 1925. O primeiro time, o Fluminense local. Lá começou a despontar e se destacar no futebol. Não demorou muito e foi convocado para a Seleção de Caxambu para disputar amistosos na região. De cara, conquistou a posição de titular. No ano de 1947, a Seleção de Caxambu se tornou campeã invicta do futebol amador do interior de Minas Gerais, numa conquista inédita, até hoje comemorada pelos esportistas caxambuenses. 

O time base era este: Zé Viola; Chatara, Cotó, Mazinho e Cici, Januário e Celsinho; Haroldo, Wallace, Cento e Nove e Gravatinha – Reservas: Dirceu Paiva, Ernesto, Lima Lalau. Os resultados da primeira fase, com jogos disputados no “sistema mata-mata”: Caxambu 3 x 1 Alfenas, Caxambu 2 x 1 Itajubá 3 e Caxambu 1 x 0 Poços de Caldas. 

A fase final, foi realizada em Belo Horizonte, no Campo do Cruzeiro, com estes placares: Caxambu 3 x 0 Itabira, Caxambu 4 x 0 Curvelo e Caxambu 2 x 0 Uberaba. A decisão aconteceu no dia 18 de janeiro de 1947, portanto, há exatos 76 anos. A Seleção de Caxambu ganhou o apelido de “rolo compressor”, pois em 6 jogos, marcou 15 gols e sofreu 2.  

De quebra, ainda teve os seguintes destaques da competição, premiados com troféu: Celsinho, artilheiro, Zé Viola, melhor goleiro, Cotó, melhor zagueiro, Januário, melhor volante, Cento e Nove, melhor atacante, Wallace, jogador mais disciplina e Haroldo Martin, jogador revelação. 

A partir daí o Haroldo foi “descoberto” por um dirigente que o levou para o América do Rio, onde ficou uma temporada. Na época o clube carioca não atravessava um bom momento. Acabou recebendo proposta do time de São João da Boa Vista, e lá permaneceu por três anos. Um de seus melhores companheiros de clube foi o zagueiro Hideraldo Luiz Bellini, o capitão que levantou a primeira taça mundial pela Seleção Brasileira, no ano de 1958, na Copa da Suécia.

Depois daí passou pelo América de São José do Rio Preto, até que chegou em Garça no ano de 1952 para não sair mais. Defendeu o “Azulão” por mais de 10 anos. O Haroldo não foi lá de marcar gols, mas um ponta direita/esquerda no melhor estilo “garçom”. A sua especialidade era colocar os atacantes na cara do gol, principalmente o centroavante Paraguaio, que cansou de marcar nos seus passes. Atleta exemplar, o Haroldo nunca foi advertido ou expulso de campo. 

Recordamos uma das formações do Garça EC, de meados da década de 50. Em pé, da esquerda para direita: Agamenon, Aldo, Adilson, Xisto, Altamiro Gomes e Dadico. Agachados: Haroldo Martins, Vicentinho, China, Ceci e Plínio Dias.

Com o fim da carreira, o Haroldo ingressou, através de concurso, no serviço público estadual onde trabalhou no Fórum de Garça por 36 anos. Aposentou no ano de 1995, quando completou 70 anos de idade. No ano de 2012 foi homenageado pelo futebol suíço na Copa Enéas Esporte, emprestando o seu nome ao troféu de campeão, conquistado pelo Guanabara. 

No dia 16 de novembro de 1997 a Liga Desportiva Caxambuense homenageou os campões, e o convite chegou até o Haroldo. Diante da impossibilidade de comparecer, foi representado pelo irmão Zezé, numa bonita festa promovida pelos esportistas mineiros. 

No lado familiar, casou com a professora Maria das Candeias Ramos, no dia 17 de janeiro de 1959, e o casal teve três filhos: Haroldinho, Mariza e Marilda. O Sr. Haroldo faleceu no dia 14 de maio de 2020, deixando um legado que jamais será esquecido, principalmente no futebol garcense e caxambuense.

 

Wanderley “Tico” Cassolla

 

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