Quinta, 06 de Maio de 2021
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Geral RECORDAÇÃO

Helinho: “a patada atômica” do Garça

Nesta coluna, Tico Cassola relembra o já saudoso Helinho, um dos jogadores com chutes mais fortes que já defenderam o Garça F.C

16/04/2021 14h22
Por: Francisco Alves Neto Fonte: Da redação
Helinho defendendo o Corinthinas no Maracanã, em lance com o craque Zico no gramado
Helinho defendendo o Corinthinas no Maracanã, em lance com o craque Zico no gramado

O grande time do Garça da temporada de 1971, sofreu mais um desfalque. Faleceu de causas desconhecidas na última sexta-feira, dia 9, na cidade de São Paulo, onde estava residindo, o meio campista Hélio de Souza, o Helinho (foto), aos 71 anos. Ele fez parte daquele memorável “Azulão”, que está entre os melhores times já montados na cidade em todos os tempos. Helinho havia perdido a esposa há cerca de um mês, e desde então andava bem entristecido.

Helinho chegou contratado no começo do ano, juntamente com o Bô, ambos vindos do Linense, e logo tornaram titulares absolutos. Com um porte físico privilegiado, Helinho era incansável no meio de campo. Fazia dupla com o Plínio Dias, alternando na posição de volante. Na época era comum os times atuar na formação 4-2-4. Só que o Helinho jogava mais avançado, pois tinha melhor finalização, aliado a um chute portentoso, seja com a bola rolando ou na cobrança de falta.

Carinhosamente foi apelidado pelos companheiros de “Helinho Boi”, e pelos torcedores de “Patada Atômica”, graças ao poderoso chute, numa alusão ao craque Rivelino, tri-campeão mundial na Copa do México em 1970. Dos jogadores do Garça FC, Helinho foi o que teve a “maior bomba” nos pés, seguido do Teotônio, Itamar Belasalma e Celso Travençolo. 

Vamos recordar o Garça de 1971. Em pé da esquerda para direita: Plínio, Ari Lima, Tuta, Lula, Bô e Abegar. Agachados: Davi, Cláudio Belon, Osmar Silvestre, Itamar Belasalma e Helinho “Boi”.

Este time foi campeão da “Série Arthur Friedenreich” do campeonato da 1ª Divisão e ganhou o direito de disputar a final no Parque Antártica em São Paulo. Era para ser um quadrangular, mas teve um rolo extra-campo e aconteceu um pentagonal, com o Garça, Saad, Catanduvense, MAC e Rio Preto. O campeão foi o MAC, que garantiu o acesso na principal divisão paulista.

Tendo boa participação nas finais, Helinho já foi contratado pelo MAC para disputar o “Paulistão” em 1972, onde ficou por três anos. O time de maior projeção que defendeu foi o Corinthians entre os anos de 1975 e 76. Em toda a carreira, Helinho ainda jogou no Linense, SAAD, Ferroviária de Araraquara, Ponte, Santa Cruz e Colorado do Paraná, onde no ano de 1980 parou com o futebol profissional.

No alvinegro do Parque São Jorge, segundo o “Almanaque do Corinthians”, de Celso Unzelte, Helinho disputou 55 jogos, alcançando 24 vitórias, 16 empates e 15 derrotas, marcando dois gols. Um deles em cima do conterrâneo Waldir Peres, goleiro do São Paulo, talvez o mais importante da sua carreira (abaixo).  Veja no outro flagrante, Helinho envergando a camisa corintiana, em pleno Maracanã, contra o Flamengo, com o craque Zico, caído no chão.

               

GOLS INCRÍVEIS

No dia 07 de março de 1976, jogaram no Parque Antártica, Corinthians x São Paulo, no derby da capital, que ficou conhecido como o “clássico dos frangos”. Os dois goleiros Waldir Peres (SP) e Tobias, foram os destaques negativos e tomaram verdadeiros “perus”. Aos 30 minutos do 1º tempo, falta para o Corinthians, quase que da intermediária. Helinho ajeitou e foi soltar a “bomba”. Saiu um tiro “xoxo”. Mesmo assim passou por entre as pernas de Waldir Peres e entrou. O Corinthians acabou vencendo o Tricolor pelo placar de 3 a 2.

 

Já o outro gol aconteceu em Garça, assim que foi contratado. Quem nos contou foi o ex-lateral Abegar. O lance foi no jogo amistoso contra a Cafelandense, em comemoração ao aniversário da cidade. O Garça estava ganhando fácil por 3 a 0, e saiu uma falta próxima da grande área, no gol do fundo do “Platzeck”. O goleirão fez a barreira, o juizão apitou, veio o Helinho e acertou uma bomba. Saiu um foguete. A bola furou a rede fez “um rombo”, e o juizão demorou para validar o gol. Sem falar que a bola bateu num pé de eucaliptos, que havia lá nos fundos do campo, que chacoalhou por inteiro, quebrando três galhos. Sem falar que ainda acertou o ninho de um tucano, e voou pena pra tudo quanto é lado. Segundo o Abegar, o casal de tucanos, que todo ano vinha chocar ali, nunca mais apareceu. 

 

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