
Você já ouviu falar sobre esse termo? De forma didática, os vieses inconscientes são preconceitos e pré-julgamento incorporados em nosso dia a dia, que nos fazem reproduzir comentários ou até mesmo pensar padrões de julgamentos sociais, sem perceber.
Para melhorar o entendimento, vamos demonstrar em alguns exemplos o que seriam vieses inconscientes.
1.“A Lúcia se veste mal, não vou convidá-la para me acompanhar na reunião”
2.“Vou descartar o currículo desse Luiz, ele é homem, eu preciso de alguém com sensibilidade e cuidado, vou contratar uma mulher para essa vaga”
3.“Eu acho que não vou chamar a Magda para confraternização do salão, ela não vai ter com quem deixar a filha pequena”.
4.“Entre promover a Júlia e a Sandra, vou optar pela Júlia, porque ela não tem filhos, logo, terá mais comprometimento com as tarefas do trabalho”
Mesmo sem a intenção de ofender ou prejudicar alguém, o nosso inconsciente tira conclusões precipitadas sobre as situações e pessoas, baseado em crenças enraizadas por diálogos que ouvimos durante a vida.
Nessa hora, vale as reflexões para cada situação:
1.“Desde quando a roupa de alguém representa sua habilidade no trabalho?”
2. “Desde quando homem não pode ser sensível e cuidadoso com alguma tarefa de trabalho?”
3. “Como você sabe que a Magda não tem com quem deixar a filha? E, desde quando isso é uma impossibilidade para ela aproveitar a vida?”
4. “Desde quando uma mulher com filhos tem menos comprometimento com a carreira e com as responsabilidades do dia a dia?”
Pois é, se identificou com algumas situações? Inevitavelmente, todo mundo, sem exceção, já foi vítima do julgamento de alguém e também cometeu tal julgamento. A culpa nem sempre é nossa, apenas repetimos o que ouvimos e, muitas vezes, não refletimos sobre o motivo de fazer tal ‘acusação’ ou reproduzir diálogos preconceituosos.
No ambiente corporativo os vieses inconscientes estão presentes de diversas formas:
- Viés da afinidade: quando uma pessoa escolhe outra só pelo fato da afinidade, ou seja, por terem coisas em comum: estilo, gosto musical, religião, aparência, atitude, entre outros.
- Viés do estereótipo: julgar alguém pelo pertencimento a um grupo específico ou generalizações, excluindo as qualidades e atributos da pessoa (é o exemplo n° 2, lá do início do nosso artigo).
- Viés da aparência: julgar alguém pela aparência, estilo ou forma de se vestir.
- Viés da maternidade: julgar mulheres que se tornam mães com base na crença que a maternidade prejudica a vida da mulher, atrapalhando sua produtividade no trabalho e comprometimento com responsabilidades.
- Viés da confirmação: nos faz ‘enxergar’ fatos que confirmem nossas crenças, ao invés de considerar informações relevantes (por exemplo: descartar a contratação de um candidato que trocou de emprego muitas vezes e ficou pouco tempo em cada emprego, concluindo que ele não tem comprometimento com nada, sem procurar saber o motivo dessas trocas frequentes).
Por ser algo inconsciente, ou seja, que acontece sem nosso consentimento, será que é possível evitar esses vieses?
O primeiro passo é aceitar que todos temos esses comportamentos e que isso não nos torna pessoas ruins. No entanto, o mais adequado é sempre refletir sobre o que pensar e falar, se colocando no lugar da outra pessoa e estando ciente do seu julgamento, a empatia é uma moduladora nessas situações.
O nosso cérebro aprende pela repetição, logo, para reeducar o cérebro e mudar esse comportamento, o ideal é sempre refletir sobre as situações, parar para pensar no que está acontecendo e se questionar o tempo todo: “será que isso é um fato ou é a minha crença? ”, é um exercício diário que logo se tornará automático no seu subconsciente.
É igual política, crescemos em uma sociedade que sempre associa a política à sujeira, à desonestidade, mas será que todos os candidatos são realmente corruptos? Será que realmente todos ‘roubam’? Será que não existem candidatos que estão tentando ser e fazer a mudança no mundo? Não repita padrões que não são seus e não crie preconceitos sem conceitos.
Aline Carballo Teixeira, tem 36 anos, é nascida em São Paulo e mora no bairro da Mooca. Pós-graduada em Neurociência Clínica cursando Psicologia.