
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) determinou a suspensão do registro profissional do psiquiatra Rafael Pascon dos Santos, acusado de uma série de crimes sexuais contra pacientes em Marília e Garça.
A decisão, que tem caráter cautelar, prevê a interdição total do exercício da medicina por seis meses, com início em 25 de março, e já conta com aval do Conselho Federal de Medicina.
O médico está preso desde outubro de 2025, após uma sequência de denúncias que resultaram em dois processos judiciais. O primeiro reúne a maior parte das acusações, incluindo estupros e pelo menos 16 casos de importunação sexual. Já o segundo envolve novas vítimas que procuraram a Justiça após o andamento inicial das investigações.
De acordo com os relatos, as vítimas descrevem condutas semelhantes durante consultas psiquiátricas, com situações que incluem toques indevidos, beijos, aproximações físicas inadequadas e até simulações de respiração no ouvido, além de comentários de cunho sexual. Em alguns casos, as denúncias apontam evolução para contato físico mais grave.
O Ministério Público enquadrou os casos como violência sexual contra pessoas vulneráveis, considerando a condição emocional e psicológica dos pacientes atendidos em consultório.
O acusado nega os crimes e afirma que as interações teriam sido consentidas — argumento que será analisado pela Justiça.
Atualmente, um dos processos já está em fase de alegações finais e pode ter sentença em breve, enquanto o outro ainda está em fase inicial de instrução.
A decisão do Cremesp não detalha o conteúdo da sindicância, mas confirma a gravidade das acusações ao impor a suspensão total das atividades médicas do profissional enquanto o caso segue em apuração.