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“Temos Fé?” — por Pe. Anderson Messina Perini

Padre Anderson Messina Perini reflete sobre a fé e o início do Mês Missionário

Por: Redação Fonte: Garça em Foco
03/10/2025 às 07h26
“Temos Fé?” — por Pe. Anderson Messina Perini

Iniciamos o mês de outubro, quando a Igreja em todo mundo celebra o Mês Missionário, cujo tema está em sintonia com o Ano Jubilar: “Missionários de esperança entre os povos” e com o lema “A esperança não decepciona” (Rm 5,5). O Papa Francisco, em sua mensagem ao Dia mundial da Missão, deixado por escrito antes de seu falecimento, quiz recordar “a cada um dos cristãos e a toda a Igreja, comunidade dos batizados, a vocação fundamental de ser mensageiros e construtores da esperança nas pegadas de Cristo”. Isso se realiza em três aspectos. Primeiro, nas pegadas de Jesus Cristo, nossa esperança. Depois, os cristãos são portadores e construtores da esperança entre os povos, como “sinais de nova humanidade”. E, por fim, somos convidados a renovar a missão da esperança a partir da oração, à luz da Palavra de Deus, e na força da Eucaristia, e o testemunho da vossa vida e oração, com os nossos sacrifícios e generosidade.
A Liturgia da Palavra deste 27º Domingo Comum, que abre o Mês missionário, nos convida a refletir sobre a Fé. Nos reunimos aos domingos em nossas igrejas porque temos Fé, e desejamos alimentá-la e fortalecê-la. Mas, o que é mesmo a Fé? Como se expressa? Quantas vezes em nossa vida passamos por momentos de desânimo, impaciência, descrença. Questionamos tudo e todos, até mesmo a nossa fé. Chegamos a ponto de nos perguntar: vale a pena crer? No início do Mês das Missões, poderíamos até perguntar: Vale a pena pregar o Evangelho? Acreditar na Missão? “Gastar” uma vida para anunciar o Evangelho? Ouçamos o que a Palavra de Deus tem a nos dizer.
Na Primeira Leitura (Hab 1,2-3.2,2-4), o Profeta Habacuque conta a sua experiência de fé. Diante da extrema violência e corrupção, que vê no meio do povo, ele se queixa impaciente: “Até quando, Senhor?” E o Senhor o exorta a não desanimar. Ele intervirá no momento oportuno: “O justo viverá por sua fé” (v.4). 
Quantas vezes também nós não conseguimos entender por que Deus permite tantas coisas “absurdas”. Nessas horas, como Habacuque, reclamamos: Por quê? Até quando? A fé é o único caminho para compreender o Mistério da História e superar todas as dificuldades e contradições.
Devemos confiar em Deus, mesmo quando ele “parece” ausente da história. Um dia veremos a intervenção salvadora e libertadora de Deus. “Pois é sempre segundo Deus que o Espírito Santo intercede em favor dos santos. Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,27-28).
Na Segunda Leitura (2Tm 1,6-8.13-14), Paulo convida Timóteo, cansado e preocupado pelas adversidades, a reavivar a sua fé. Recordamos que quando Paulo escreve esta carta, ele estava preso, e os demais apóstolos estavam sendo perseguidos e assassinados. Por isso Paulo exorta a Timóteo “reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição de minhas mãos”. O texto nos convida a reavivar também a chama da nossa fé, anunciando-a de todas as formas, em todos os lugares e culturas, mesmo diante dos sofrimentos.
No Evangelho (Lc 17,5-10), Jesus afirma que a Fé remove os obstáculos. Jesus e os apóstolos estão a caminho de Jerusalém. Diante da caminhada difícil proposta por Cristo a seus seguidores, os Apóstolos estão vacilando, sentem-se tentados a voltar atrás, como já tinham feito muitos discípulos. Então, preocupados, pedem ao Senhor: “Senhor, aumentai a nossa fé!” (v.5). Jesus responde: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria” (v.6). A Fé consegue realizar aquilo que aos olhos dos homens parece impossível. A fé autêntica, mesmo pequena, poderá superar os maiores obstáculos.
Mas, o que é a Fé? É um dom gratuito de Deus, que tudo ilumina e fortalece na vida. Não conquistamos por méritos. Todavia, exige uma resposta viva e atuante, pois “a fé sem obras é morta” (Tg 2,17). Fé e Vida devem andar sempre juntas. A fé, mesmo que pequena, cresce e se torna forte pelo cultivo da oração, da participação ativa na comunidade, pela prática da caridade, da justiça, pela vivência fraterna e solidária.
Não é apenas uma adesão intelectual a umas verdades aprendidas na catequese, a uns ritos de religiosidade popular. Não é um recurso para conseguir determinadas coisas. É, antes, uma adesão de vida ao Projeto de Deus. Um encontro pessoal com Deus, em Jesus Cristo. É aceitar realizar o plano de Deus em nós, fazer a vontade de Deus. É olhar o mundo, os acontecimentos, as pessoas com o olhar de Deus.
A Fé é uma entrega total e gratuita, sem esperar direitos e privilégios. Não é ter Deus a nosso serviço, mas nos colocar plenamente à disposição de Deus, confiando nele e acatando sua palavra e sua vontade. Nosso serviço e nossa fidelidade ao Senhor são de filhos e não de assalariados.
Entretanto, existem duas tentações nesse mundo inseguro, perturbado, hostil, para permanecermos firmes na fé. Primeiro, o Desânimo, porque muitas vezes nos sentimos pequenos, incapazes e inúteis. Por isso, muitas vezes pensamos até em largar tudo. 
E, por fim, podemos nos considerar “necessários” ou “merecedores”. Muitas vezes, imaginamos Deus como um Contador que contabiliza cuidadosamente num livro nossos créditos e débitos, a fim de pagar religiosamente, de acordo com os nossos “merecimentos”. Para apagar essa imagem de Deus e eliminar a “religião dos merecimentos”, comum aos judeus e a nossa religião, Jesus contou a Parábola do Servo que volta da roça: “Quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer’” (v.10). 
Portanto, se considerarmos a nossa fé ainda pequena, menor do que o grão de mostarda, façamos nosso o pedido como dos Apóstolos: “Senhor, aumentai a nossa fé”.


 Pe. Anderson Messina Perini
Administrador Paroquial da Paróquia Jesus Bom Pastor de Santo André

 

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