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“Nos caminhos do trem da morte - Um sonho se transformando em realidade” — por Edgard Cotait

Mais histórias de aventura com Edgard no Garça em Foco

Por: Redação Fonte: Edgard Cotait
25/08/2025 às 13h20
“Nos caminhos do trem da morte - Um sonho se transformando em realidade” — por Edgard Cotait

Desde pequeno tenho interesse em viagens. Minha grande paixão são pelas que incluem trechos no estilo off-road, o qual aprendi a gostar desde os meus tempos de criança. Entre os amigos, nas rodas de final de noite de Garça, sempre surgiam assuntos e curiosidades sobre como seria o famoso Trem da Morte - que faz a ligação entre Bauru/SP até cidade boliviana de Santa Cruz de La Sierra, passando por Corumbá/MS. Com pouquíssimas informações, nos sobravam apenas as especulações. O imaginário apontava aventura pura, mesmo que com a moto embarcada no famoso trem. Isto tornou-se uma grande obsessão e um desafio para que um dia eu pudesse finalmente conhecer então, aquela região. Mas com a condição de ser rodando pela estrada, com minha moto, e não embarcado no trem.

Chave do sonho na posição “ON”, partimos, eu em uma Yamaha e meus amigos Ramon e Germano em duas BMWs. Durante o planejamento, acrescentamos outros trechos de terra que envolveriam região de Pré-cordilheiras, e outros na própria Cordilheiras dos Andes. Havia um porém, um ingrediente importante pois era a primeira vez que o Germano pilotaria em estradas de terra, o que aconteceu justamente em uma situação crítica, visto que as perspectivas indicavam grandes dificuldades nesse aspecto. Sai de Santos, numa madrugada chuvosa, com destino a São Paulo, ponto de encontro com meus companheiros. Nosso objetivo neste primeiro dia era Campo Grande/MS. Rodamos 1100 quilômetros, mas debaixo de um forte calor que se iniciou com a chegada do dia. Em Corumbá, fomos informados que, devido ao feriado da Sexta-feira Santa, as repartições de fronteira bolivianas não funcionariam. "Aproveitamos o dia para fazer um tour pela famosa Estrada-Parque, explorando as entranhas do Pantanal sul-mato-grossense, uma região que se destaca pela exuberante beleza de sua flora e fauna, e que merece ser conhecida.

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O sábado começou e sofremos com a demora da liberação das motos ($...). Tarefa concluída, adentramos à Bolívia por uma estrada recém pavimentada, com base em concreto, muito bem construída por uma empreiteira brasileira.

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Em toda Bolívia, e em especial na parte amazônica, pilota-se sob o constante perigo de cruzar com animais soltos na pista. Neste dia, passamos por alguns sustos após a saída de curvas, com bois e cavalos que estavam no meio da pista. Abastecemos as motos em Roboré, uma pequena cidade com pouca estrutura. A fila estava imensa, mas logo demos um jeito, já que ali permitem que pessoas com galões possam abastecer fora da fila. Depois seguimos para San José de Chiquitos (pequenos, em castelhano). Na estrada, um visual bonito por conta da serra que a margeia.

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Tratamos de abastecer as motos para o dia seguinte, mas na fila da gasolina fomos informados de que teríamos de pagar o “sobre-preço”, uma taxa que deveria ser acrescida, encarecendo substancialmente o preço dos combustíveis, por sermos estrangeiros. O legislação do sobre-preço havia acabado de ser instituída no país, pois como lá a gasolina é subsidiada, queriam evitar que veículos de placas estrangeiras também se favorecessem desse benefício. E funciona daquele mesmo modo até os dias hoje, embora naquele momento nos parecesse estranho por ainda ser algo desconhecido dos viajantes estrangeiros. Argumentamos, mas essa história só terminou quando o frentista (já nervoso), disse para que saíssemos da fila. Imediatamente caiu a ficha, do local ermo em que estávamos e da falta de opção. Foi o que bastou para que rapidamente aceitássemos a novidade, dizendo-lhe um simpático e sorridente “Lleno, por favor” (Cheio, por favor).

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Precisei de um remédio para dor de cabeça e fui a uma típica farmácia local. Olhem a variedade de “medicamentos” que encontrei.

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Telefone, somente em “Locutórios” (salas telefônicas, onde se pedia uma ligação, e era necessário aguardar um tempo considerável para que fosse completada). Esta pequena cidade também já foi sede de uma das Missões Jesuíticas, o que lhe confere uma curiosidade por conta da praça central, através de uma belíssima igreja construída pelos jesuítas.

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Ficamos num hotelzinho por demais precário.

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Informaram-nos de que dali para frente, até Santa Cruz de La Sierra, não haveria mais asfalto. Saímos ainda pela manhã e desde o começo passamos por uma estrada relativamente boa, e com alguns canteiros de obras. Esta região é pouco habitada, com pequenos vilarejos e alguns botecos a beira da estrada, onde se acha água e alimentação, onde pelas condições, só dava para comer bolachas e demais industrializados. Especialmente na Bolívia e no Peru, é aconselhável evitar a ingestão de produtos naturais, como saladas e demais manufaturados, assim como beber água que não sejam das engarrafadas industrialmente.

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Após uma serra com muitas cavas, pedras soltas, curvas em cotovelos, atravessamos alguns pequenos rios que cortavam a estrada. Dali para frente se iniciou um areião bastante alto, característico desta região amazônica. Esse areião é conhecido como “fesh-fesh”. Mesmo o Ramon e eu, que já tínhamos intimidade com este tipo de terreno, sofremos com as dificuldades que a estrada impunha. Não se deve esquecer das motos carregadas e pesadas, e com bagagens que mudavam o centro de gravidade para o alto. Trata-se de um tipo de areia diferente das que conhecíamos, fina, alta e muito instável. Enquanto você pilota, parece que os pneus dianteiros lhe jogam sacos de areia nos pés. Podia-se observar isso também pelas rodas dos veículos que cortavam a areia, ao cruzarem por nós. Além disto, uma poeira infernal nos obrigava a parar algumas vezes no meio da estrada por absoluta falta de visão. Essas dificuldades levaram o Germano tombar sua moto por duas vezes. Nenhum problema, pois com areia fofa, as quedas não nos colocavam em risco de nos machucar. Nos últimos quilômetros da parte de terra, ainda sob intensa poeira, margeava-se o traçado novo da estrada, porém ainda era interditado para uso. Quando alcançamos o asfalto, foi um alívio. Ainda assim, este trecho mostrou-se complicado devido à falta de educação e de responsabilidade por parte dos motoristas bolivianos. Chegamos a Santa Cruz de La Sierra após exatas oito horas e 20 minutos. A entrada da cidade tinha um trânsito caótico e perigoso, em especial a vulnerabilidade das motos. Ao menos das que eu visitei, esta foi a mais ocidental das cidades bolivianas.

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Essa viagem ainda terá novas emoções e dificuldades ao nos aventurar pelo altiplano boliviano, por péssimos caminhos daquele país.

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