Sexta, 16 de Janeiro de 2026
17°C 30°C
Garça, SP
Publicidade

“Entre montanhas coloridas” — por Edgard Cotait

Do Deserto do Atacama ao retorno ao Brasil: uma jornada marcada por paisagens únicas, cultura, frio intenso e a força do espírito motociclista

Por: Redação Fonte: Edgard Cotait
30/09/2025 às 16h28
“Entre montanhas coloridas” — por Edgard Cotait

Prosseguindo com a última parte desta viagem, por já conhecermos esta região apenas pernoitamos em San Pedro de Atacama, saindo em direção a Antofagasta, grande cidade portuária chilena do oceano pacífico. O Chile é um país bastante desenvolvido, nas questões de educação, respeito ao próximo e organização, aqui na América Latina. Para se entender isto, vou citar um exemplo: jamais, em nenhuma hipótese tente corromper autoridades chilenas. O risco de sanções é certo. Nem mesmo sequer confrontá-los, sob pena de trazer-lhe consequências indesejadas a quem infrinja o código de conduta das suas autoridades. Os Carabineiros (Polícia Rodoviária local) agem com rigidez na aplicação das leis vigentes do país. Mas por outro lado estas ações sérias, não indica que também joguem sujo com qualquer cidadão. O Chile detém índices de violência baixos baixosm, especialmente para a América do Sul, resultado de uma população educada e de boa índole. Partimos para conhecer O monumento "La Mano del Desierto", considerado um ícone entre os motoaventureiros de várias partes do mundo. Este, foi construído pelo escultor chileno Mario Irarrázabal, sendo inaugurado em 1992. A obra está localizada em pleno Deserto de Atacama, no Chile, e tem cerca de 11 metros de altura, sendo feita de concreto e reforçado com ferro. Após várias fotos, seguimos rumo ao sul, até a cidade de Villenar, onde dormimos num albergue da juventude. O jantar teve direito a uma Pailla Marina única. Este prato é uma sopa ou ensopado tradicional chileno de frutos do mar, servido numa paila (recipiente de barro) e que contém uma variedade de mariscos, peixe e outros temperos em um caldo de marisco. Entre esses mariscos, contém o “loco”, um molusco comestível e apreciado gastronomicamente no Chile e no Peru. Este marisco é conhecido pelo seu sabor, mas a sua sobrepesca levou a necessidade de medidas de gestão e conservação de pesca, incluindo zonas controladas,  e restrições de tamanho mínimo para extração, para preservar a espécie. O povo chileno sabe viver bem e é bastante acolhedor com os estrangeiros. Em La Serena, começamos a estrada que nos levaria ao próximo objetivo, o Paso de Agua Negra. Este é outro Paso que une o Chile e a Argentina, estando entre os mais altos da fronteira destes Países. Trata-se de uma estrada estreita e margeada por um pequeno curso d’água de cor esverdeada e passando por diversas vinhas, cujas cores variam do verde ao vermelho intenso. Depois da aduana, voltamos a ter um trecho de off-road. Daí para frente pode-se dizer que o visual é de pura e rara beleza. Chegamos a uma represa chamada “La Laguna”, com águas de várias tonalidades e com montanhas de diversas cores ao fundo, sendo que a mais bela é uma cor-de-rosa, que leva o nome de “La Colorada”, um espetáculo que a natureza criou. Recomendamos subir este Paso no sentido do Chile a Argentina, pois a incidência do sol proporciona um visual muito mais favorável e bonito do que no sentido inverso. Cabe a informação de que devido às condições climáticas desta região, esta estrada é fechada do mês de maio até os meses de outubro/novembro, dependendo da severidade do inverno.
O restante da estrada até a Argentina é muito sinuosa e com enormes despenhadeiros na lateral, sempre muito próximos do seu leito carril. Quando chegamos a fronteira - a 4780 metros de altitude - encontramos três ciclistas argentinos que estavam indo para o mesmo sentido que o nosso. A previsão inicial deles era percorrer o trecho em 3 dias, mas estavam bastante atrasados e não deveriam chegar naquela noite nem mesmo ao posto de controle do lado argentino. Pior: já estavam sem comida. Pediram-nos para que fossem avisadas as autoridades argentinas que monitoram o tráfego nesta região.
Um pouco mais, logo ao entrarmos em solo argentino chegamos aos “Los Penitentes”, que são grandes formações de gelo eterno (nunca desaparecem) e lembram pessoas ajoelhadas rezando. Outro espetáculo reservado pela Cordilheira. Quando iniciamos a descida, pegamos longos trechos à sombra das altas montanhas, sendo que mesmo com céu azul e sem nuvens, este foi o lugar mais frio pelo qual passamos durante esta viagem, que endureceram minhas mãos, mas até chegarmos perto da cidadezinha de Las Flores, 520 quilômetros depois, já estava tudo normal. Ali, alugamos uma “cabaña” para passar a noite. No dia seguinte, entramos na província de Córdoba e dormimos em Las Faldas, cidade serrana e ponto turístico regional. Passamos por Córdoba, seguindo por uma longa distância em topografia muito plana, característica da região de Chaco, até chegamos a cidade argentina de Paraná, atravessando então o enorme rio por um túnel construído para atravessar por debaixo do leito do nosso conhecido e imenso rio Paraná, cuja extensão total é de 4.200 km, até desaguar no oceano Atlântico, no estuário do Prata. Terminamos este dia na cidade de Salto, já no Uruguai. Ligando Salto a Tacuarembó, há uma estrada vicinal bastante precária e sem estrutura.  Foi uma grande alegria quando entramos novamente em chão brasileiro, por Santana do Livramento/RS, seguindo para Santa Maria. No dia seguinte, nos despedimos cedo, pois teríamos destinos diferentes: o Ramon voltaria para sua casa, em São Paulo; o Germano passaria por Blumenau, onde visitaria um amigo e eu iria para Garça, onde cheguei as 3:30 da madrugada, após 1406 quilômetros. 
Novamente, após retornar de uma viagem de motocicleta, me certifico de que nosso continente apresenta todas as possibilidades de aventura e satisfação que este veículo pode proporcionar, além de grandes amizades que o espírito de motociclista de forma natural favorece. Todos os limites e barreiras podem ser superados com perseverança, coragem e determinação.

-------------------------------------------------

"Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que veem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os veem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam."
Jack Kerouacng

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

Foto

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.