
A Liturgia da Palavra deste 18º Domingo Comum nos convida a refletir sobre o perigo da ganância e da cobiça que nos dão a falsa segurança de felicidade. Qual o valor que damos as necessidades e realidades desta vida passageira como dinheiro, trabalho, o sucesso, e entre outras coisas. Todos nós desejamos segurança e felicidade. Mas onde a podemos encontrar?
Muitos a procuram nas Coisas, nos bens terrenos e, para isso, se dedicam febrilmente em empreendimentos grandiosos e lucrativos. Às vezes basta a simples visita de um ladrão, um fracasso nos negócios, o desemprego, uma doença e tudo se vai o que acumularam.
Outros buscam segurança e felicidade nas Pessoas. Fundamentam suas vidas em paixões, amizades, e as vezes em familiares. E quantas vezes acabam depois profundamente decepcionados. Percebem que, o que este mundo oferece, não é suficiente para estancar a sede de felicidade. Só Deus pode nos tornar plenamente felizes.
As Leituras bíblicas aprofundam essa Verdade: não devemos colocar a nossa segurança em coisas passageiras. Pelo contrário, descobrir e a amar outros bens, que dão verdadeiro sentido à nossa existência e nos garantem a vida em plenitude.
A Primeira Leitura (Ecl 1,2;2,21-23) lembra a situação insuportável do povo de Deus pela ganância dos poderosos de então. Isso levou o autor sagrado a afirmar: “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”. Essa afirmação é atribuída a Salomão que, apesar de ser um rei sumamente sábio, rico e poderoso, lembrava que as coisas terrenas são passageiras, uma “bolha de sabão” e convidava ao desapego delas.
Na Segunda Leitura (Cl 3, 1-5.9-11), Paulo afirma que ser batizado é identificar-se com Cristo. Portanto renunciar ao egoísmo, ambição, injustiça, orgulho, morte... e escolher uma vida de doação, de entrega, de serviço, de amor. Esse comportamento novo inclui uma maneira diferente de encarar a riqueza. “Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto e não às da terra.”
No Evangelho (Lc 12,13-21), Cristo denuncia a cobiça e a preocupação exagerada pelos bens terrenos. E nos conta a parábola do rico insensato. Diante da multidão que Jesus ensinava, um desconhecido pede-lhe para resolver um problema de herança. Jesus se recusa, porque é difícil fazer justiça quando existe cobiça, ganância. E adverte: “Tomai cuidado contra todo tipo de Ganância, a vida de um homem não consiste na abundância de bens”.
Para ilustrar essa verdade, conta a Parábola do Rico Insensato, que construiu grandes celeiros para armazenar a colheita abundante, pensando assim ter segurança para viver tranquilamente. Pura ilusão: Naquela mesma noite veio a morrer e se apresentou de mãos vazias diante de Deus. E Jesus conclui: “Assim acontece com quem guarda tesouros para si e não é rico diante de Deus”. O pecado foi “acumular apenas para si”. Não agradeceu a Deus, nem partilhou com os irmãos.
É uma catequese de Jesus sobre os bens materiais. O dinheiro não é a fonte da verdadeira vida. A cobiça dos bens, o desejo insaciável de ter, de posse, não conduz à vida plena, não responde às aspirações mais profundas do homem. A ganância pelos bens terrenos é a causa de muitos males. Quantas brigas e divisões em família na divisão da herança! Quantas lutas para vencer o concorrente e ter mais! Quantas fraudes, injustiças e corrupção no desejo insaciável de bens! Quantas discriminações: porque as pessoas valem pelo que têm! Vivemos num mundo com novo tipo de racismo: a aporofobia. Pura ilusão: A fonte da vida está só em Deus. E a morte nos convence dessa dura realidade.
Esta parábola não se destina apenas àqueles que têm muitos bens. Mas, destina-se a todos aqueles que, tendo muito ou pouco, vivem obcecados com os bens, orientam a sua vida no sentido da ganância e avareza e fazem dos bens materiais os deuses, que condicionam a sua vida e o seu agir.
A Palavra de Deus nos questiona. O ensinamento de Jesus toca em cheio os cristãos encantados com o espírito do mundo moderno e sua apologia do lucro e do acúmulo de bens. Ficam anestesiados diante das necessidades dos irmãos. Cristãos vivendo na riqueza, enquanto muitos irmãos na fé vivem na indigência, sem experimentarem a solidariedade dos seus irmãos e irmãs na fé abastados. O pecado da avareza e do acúmulo de bens, nos mostra que o custo da riqueza de poucos é a pobreza de muitos. A avareza gera pobreza, enquanto a virtude da generosidade e da partilha gera a vida e dignidade a todos. Contra o vício da avareza, só o remédio da virtude da generosidade.
Hoje em dia é muito comum pôr tudo no seguro. Há seguro de vida para carros, roubos, incêndios, acidentes pessoais. A nossa vida, que continua na eternidade, também deve ser assegurada. Mas a vida eterna não pode ser assegurada com as riquezas desse mundo e sim com os tesouros reconhecidos por Deus. O dinheiro nos dá a falsa sensação de segurança.
O único fundamento seguro de nossa existência é Deus. E, nele, o próprio dinheiro adquire outro sentido: não será mais instrumento de Separação entre os homens, mas sim de Comunhão, um sinal de amor. Pois quando partilhamos nossos bens com quem não tem, é a Deus que estamos retribuindo. Quando ajudamos um projeto social, mesmo com o pouco que temos a partilhar, é a Deus que estamos ajudando por meio do irmão. Pois quando servimos aos mais pequeninos dos irmãos pobres, doentes, encarcerados, marginalizados, é a Deus que estamos servindo. Nosso maior investimento na eternidade é sermos generosos e solidários.
Onde estamos depositando a nossa segurança e construindo a nossa felicidade?
Não nos esqueçamos: nosso coração foi feito por Deus, e apenas em Deus encontrará a verdadeira e plena felicidade.
Pe. Anderson Messina Perini
Administrador Paroquial da Paróquia Jesus Bom Pastor de Santo André