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“Oração e Serviço” — por Pe. Anderson Messina Perini

Entre ação e contemplação: a liturgia do 16º Domingo Comum nos convida a acolher Deus com o coração aberto, unindo serviço e escuta da Palavra

Por: Redação Fonte: Garça em Foco
17/07/2025 às 13h56 Atualizada em 25/07/2025 às 07h31
“Oração e Serviço” — por Pe. Anderson Messina Perini

A Liturgia da Palavra deste 16º Domingo Comum medita sobre a importância do Amor a Deus. Se domingo passado, refletimos a parábola do Bom Samaritano, a qual nos dava relevância ao amor ao próximo; a atitude de Abraão, Paulo e Maria destaca o amor a Deus como serviço e escuta de sua Palavra. Ao mesmo tempo em que nos convida a refletir sobre a hospitalidade e o acolhimento. Toda vez que nos reunimos para celebrar a Eucaristia, demostramos o nosso amor a Deus e o Senhor nos acolhe como hóspedes em sua casa e nos oferece a “melhor parte”: a sua Palavra e o Pão da vida. As leituras apresentam pessoas, que acolheram o Senhor.
Na Primeira Leitura (Gn 18,1-10a), Abraão acolhe os mensageiros de Deus. Ele está sentado à porta de sua tenda em Mambré, atento a quem passa e disposto a repartir com ele, de forma gratuita, aquilo que tem de melhor. Ao ver três homens, que se aproximam, o Patriarca corre ao encontro deles e oferece-lhes com insistência hospedagem. Ofereceu aqueles peregrinos o melhor que tinha, sem medir esforços. Quando eles comiam, ficou de pé, em sinal de sua disponibilidade de servi-los. Abraão, assim, é modelo de fé e confiança em Deus, mas se mostra também neste texto, um homem generoso e disposto a servir a Deus, na pessoa dos peregrinos, que chegam cansados no maior calor do dia. No final da refeição, como recompensa pela generosa hospitalidade, recebe a promessa de um filho, apesar da idade avançada de Abraão e Sara. Era o que mais desejava na vida. Seria o herdeiro das Promessas. Antiga tradição cristã viu nestes três personagens, dos quais só um fala, misteriosa figura da Trindade. Deus vai a procura, como peregrino, querendo habitar no meio dos seres humanos. Bate à porta do coração, procurando abrigo, quem o acolhe, quem ouvir a sua voz e abrir a porta, Ele entrará em sua casa e tomará refeição com Ele (Ap 3,20).
Na Segunda Leitura (Cl 1,24-28), Paulo apresenta o próprio exemplo. Acolheu em sua vida Cristo, que deu sentido à sua vida e sua missão: “É Cristo crucificado que vive em mim”. A Missão do ministro é acolher o povo em seu coração para que se sinta acolhido, amado e valorizado. As pessoas não procuram tanto na Igreja uma boa organização, mas serem ouvidas e receberem palavras que comuniquem o Amor de Deus.
No Evangelho (Lc 10,38-42), Marta e Maria acolhem Jesus em sua casa. Deus agora não faz habitação entre os seres humanos como três peregrinos, mas no seu Filho Único, Jesus Cristo. Agora, Deus se fez homem, a Palavra Divina se fez carne e habita entre nós. Sua acolhida, no Evangelho, se dá em Betânia, na casa de Marta, Maria e Lázaro. 
Neste trecho que acabamos de ouvir: Marta preocupa-se com os trabalhos para acolher bem o visitante em sua casa. Faz um banquete a moda de Abraão; Maria, pelo contrário, senta-se aos pés do Mestre, posição típica de um discípulo diante do seu Mestre, e acolhe a Palavra de Jesus em seu coração. Duas formas sinceras de acolher, mas diante da reclamação de Marta, Jesus afirma que a atitude de Maria lhe era mais agradável, pois a escuta da sua Palavra é o ponto de partida na caminhada da fé, para a Missão, para o serviço aos irmãos.
A Hospitalidade é um gesto sagrado desde o Antigo Testamento. Não é só abrir a porta da casa, mas é também abrir os ouvidos e o coração, para dar a nossa atenção àquele que veio ao nosso encontro. Durante o diálogo, Maria permanece em silêncio, sinal de meditação e interiorização da Palavra de Deus. Marta acolhe em sua casa um Amigo muito querido. Maria acolhe o Mestre que tem palavras de Vida. Paulo hospeda o Redentor, que redime os homens de seus pecados. Abraão acolhe naqueles viajantes o próprio Deus.
Quem são as Martas e Marias, hoje? Na Vida Prática: você valoriza mais as pessoas, ou as coisas, os trabalhos, a casa, os negócios? Na Família: você, Esposa, costuma acolher com carinho, com atenção e com sorriso o seu esposo que chega cansado do trabalho ou o seu filho que retorna da escola? Você, Marido, mesmo cansado, escuta com interesse, sua esposa que deseja lhe contar como foi o dia? E você, Jovem, sabe dar a devida atenção a seus pais, que trabalham o dia todo por você?
Na Comunidade: você encontra tempo para “sentar aos pés de Jesus e escutar a sua palavra”? Ou apenas se satisfaz em “fazer coisas”? Fato decisivo para ser Discípulo de Cristo, é estar disposto a escutar a sua Palavra.
Na Sociedade: você tem tempo para parar e escutar os que chegam até você, reconhecendo neles a voz de Cristo ou a visita de Deus? Ou apenas se contenta em oferecer “coisas”?
Na Ação Pastoral, como servimos a Deus? O Evangelho nos mostra dois modos: como Marta e como Maria. Damos o devido tempo entre Ação e Contemplação, Trabalho e Oração? Ação, sem escuta da Palavra de Deus, torna-se vazia. E Oração, sem ação, é estéril e alienante. Que a nossa atitude não seja apenas a de Marta, nem apenas a de Maria, mas a de Marta e de Maria, juntas, se completando em nós. Cristo ainda hoje continua nos advertindo: “Marta, Marta...”
Cristo continua ainda hoje batendo à nossa porta. Sua voz tem inúmeros timbres. Procuremos reconhecê-la e abrir a porta sem fazê-lo esperar. Para acolher Jesus, devemos encontrar tempo para nos sentar a seus pés, escutá-lo e escutar os outros. Tempo para rezar; tempo para servir; um coração pronto e disponível. A Conferência de Aparecida fala em gastar mais tempo para escutar as pessoas. O que poderíamos fazer nesse sentido?  

 
Pe. Anderson Messina Perini
Administrador Paroquial da Paróquia Jesus Bom Pastor de Santo André

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