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“Tapca, a melhor e a mais linda cidade do mundo” — por Edgard Cotait

De Vilnius a Riga: entre motos, mapas raros e a busca por um visto, uma jornada memorável pelo Báltico rumo à imensidão russa.

Por: Redação Fonte: Edgard Cotait
25/06/2025 às 15h54 Atualizada em 25/07/2025 às 07h30
“Tapca, a melhor e a mais linda cidade do mundo” — por Edgard Cotait

Em 2011, com mais dois amigos, deixamos a Polônia e ingressamos na Lituânia, também um dos países banhados pelo Mar Báltico, juntamente com a Estônia e a Latvia (Letônia). Eu manejava uma Yamaha XT660 R e meus amigos, duas BMWs. Desde Munique, na Alemanha, estávamos tentando obter o visto de entrada na Rússia para o Germano, cuja cidadania é portuguesa. Porém, a demora para a emissão seria demasiada e, por ser um final de semana, decidimos ganhar esse tempo procurando outra embaixada em algum país mais a frente. Para mim e para o Ramon, brasileiros, o visto russo permitiria múltiplas entradas, diferentemente do Germano, que é emitido apenas como de entrada única. Como nosso planejamento previa passagens pelo Cazaquistão e pela Mongólia, e depois retornando para a Rússia, o visto único se tornaria um entrave, devendo ser feito novamente a cada vez que deixássemos o pais. Seguimos então para a capital lituana, a antiga, bela e muito bem cuidada Vilnius, em busca de uma embaixada russa, mas descobrimos que não havia no país. Lá nos informaram que na Latvia sim, acharíamos o que estávamos procurando. 

Tão bela quanto sua vizinha, Lituânia, a Latvia (ou Letônia) foi outro país que nos despontou como uma terra em que a qualidade de vida salta aos olhos. Mas também é possível se imaginar como o clima deve ser rigoroso durante o inverno, afinal, estávamos muito longe dos trópicos. As motos, como em toda Europa, fizeram médias de quilometragem por litro abaixo das consideradas normais aqui no Brasil. Mas nada que a bem distribuída rede de postos do continente causasse dúvidas ou temores. Chegamos a capital, Riga, sob uma fina garoa. Por ser verão no hemisfério norte, a temperatura estava amena. Logo nos instalamos em um Hostel no centro da cidade, próximo à estação de trens, um Shopping e uma variada área comercial. No dia seguinte, fomos a Embaixada russa, onde o embaixador nos recebeu pessoalmente, e de maneira cortês e acessível, nos indicou um escritório especializado nestes trâmites. Providenciada a papelada solicitada e pagas as taxas necessárias para a obtenção do visto, agora era só aguardar os próximos três dias para que a documentação finalizada estivesse à disposição. Esses dias na capital foram muito proveitosos, pois além fazermos as trocas de óleo, manutenção básica nas motos e compra de alguns equipamentos, pudemos explorar melhor a cidade e seus arredores. Cortada por pequenos canais navegáveis, Riga exala um charme europeu por todos os lados, lembrando bastante Amsterdã, na Holanda. Prédios de construção bem antiga, mas de muito bom gosto e conservação, davam um toque especial aos visitantes. Localizado próximo à igreja de São Pedro fica um monumento diferente e interessante, que chama a atenção de quem passa por ali, tendo sido oferecido pelos músicos de Bremen/Alemanha aos músicos de Riga. Os focinhos do burro, do cachorro e do gato estão bem lustrados pois todos passam e alisam para ter sorte. Mas a sorte só chega para quem conseguir alisar a crista do galo. 

A "Casa dos Cabeças Negras" é outro edifício histórico situado na Praça central da cidade. Originalmente construída em 1334, este edifício foi destruído durante a Segunda Guerra Mundial, mas reconstruído posteriormente, mantendo a sua arquitetura original. O relógio que se encontra na torre do edifício é lindo, e está a muitos metros de altura. Sofisticado, especialmente para a época em que foi construído, no ano de 1626, ele vai muito além de um relógio comum, funcionando também como um calendário astronômico em que informa a hora, a fase lunar, o signo do zodíaco, a data, o dia da semana, além do nascer e o pôr do sol.

Sou um apaixonado e entusiasta do uso de GPSs (voltarei a esse assunto em outra ocasião). Durante todas as minhas viagens, sempre acompanho os dados e os variados recursos que esse aparelho disponibiliza. Como informação, da metade norte da Polônia, passando pela Lituânia, Latvia, Estônia e mesmo a Rússia, a topografia pode ser considerada bem plana, tendo apenas leves ondulações. Grande parte do tempo, o altímetro do GPS indicava altitudes que variavam entre 110 metros a 130 metros do nível do mar. Mesmo as duas famosas cadeias de montanhas russas, os Montes Urais e os Montes Altai, no local em que as atravessamos, não ultrapassaram muito os 800 metros de altitude. 

A cerca de trinta e cinco quilômetros do centro da capital Riga e seguindo em direção ao Golfo de Riga, chegamos à pacata cidade de Jūrmala, um balneário turístico muito bonito e bem cuidado, banhado pelo Mar Báltico. Diferentemente do que supúnhamos, mesmo naquela latitude, a água do mar oferecia agradáveis condições de banho e um visual que lembra muito as praias brasileiras, incluindo uma considerável faixa de areia branca e fofa.

Voltamos a tempo de explorar melhor o centro de Riga e, para o nosso deleite, descobrimos um lugar que é um verdadeiro “parque de diversões” aos aficionados pelos mapas de papel. Em uma loja ampla, ao longo de dois andares, é possível se encontrar mapas e guias de qualquer lugar do mundo, com intermináveis variações de tipos, tamanhos e informações. Fizemos amizade com o dono, que era um russo radicado há anos na cidade e nos deu toda a atenção. Ele nos mostrou algumas relíquias, entre as quais, alguns poucos exemplares originais que restavam de mapas dos quatro cantos do mundo, minuciosamente levantados pelo extinto Exército da União Soviética, todos escritos no alfabeto cirílico, que é utilizado oficialmente pela Rússia, além de países como a Bulgária, Macedônia, Sérvia, Montenegro, Belarus, Ucrânia, Bósnia, Cazaquistão, Quirguistão, Mongólia e Tajiquistão. Procurei o mapa que incluía o Estado de São Paulo, e logo identifiquei a nossa cidade de Garça, que ali estava descrito como “Tapca”, no alfabeto cirílico. Curioso, pedi para que nosso amigo russo lesse aquele nome, e para a minha surpresa, ouvi ele pronunciar “Garça” da forma que nós mesmos falamos, perfeita e sem nenhum sotaque. Não resisti e comprei aquele exemplar, sendo que posteriormente o doei ao município de Garça, assim que retornei. No ano passado, em 2024, estive na Biblioteca Municipal e pedi para ver o mapa. Mas para a minha tristeza, este não foi localizado, e sequer constava registrado nos catálogos de arquivos.

Passados os três dias na Latvia, fomos à embaixada russa, onde finalmente pegamos o visto do Germano. Deixamos Riga e retomamos o nosso rumo em direção ao leste. A vastidão da Rússia nos aguardava...

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