
Em julho de 2007, acompanhado dos amigos Carlos Adolfo e Fábio, estávamos na BR230, ou Rodovia Transamazônica. Havíamos saído cedo de Itaituba/PA, pois teríamos pela frente 400kms de estradas de terra, na época, sem abastecimento ou pontos de apoio. Esta BR atravessa 100kms dentro do Parque Nacional da Amazônia, uma Reserva Federal muito bem cuidada e preservada, mas onde não é recomendado fazer paradas, e muito menos andar à noite, por conta da presença de animais perigosos, ou seja, cobras e onças. Estudos indicam o número de onças-pintadas na Amazônia seja de 160.000. Outro motivo para não parar dentro da área do parque são as nuvens de Carapanãs (pernilongos), sempre famintos e insistentes. Isso se torna um convite para sair logo dali. Assim mesmo, foi um dos lugares mais lindos que já conheci. As matas são de um verde muito forte, intactas e, por vezes, vê-se lagoas com aguapés, típicas da região.
Devido ao forte calor da região, aproveitamos para nos refrescar em alguns rios. Como essa rodovia não é pavimentada, fica intransitável entre outubro e março, período que determina a época chuvosa na região. Porém devido à má conservação da Transamazônica, o trajeto foi difícil e, mesmo contra a indicação, foi preciso percorre-la uma boa parte durante a noite, quando, finalmente, chegamos ao trevo de Jacareacanga/PA. Jacareacanga é a última cidade do Estado do Pará, para quem segue no sentido oeste pela BR230, fazendo divisa com o Estado do Amazonas (ponte da foto). Encontramos um local para pernoitar, e tivemos permissão para guardar nossas motos empoeiradas dentro do corredor principal do pequeno hotel. Logo pela manhã, tomamos um café e, enquanto arrumávamos as bagagens nas motos em frente ao hotel, literalmente do nada, notamos que alguns índios haviam se aproximado de onde estávamos. A partir daí passamos a ser atentamente, minuciosamente e silenciosamente observados. Aquele silêncio começou a incomodar, tentei, então, puxar um papo para quebrar o gelo, e também conhecer um pouco da cultura indígena local. Pensei um pouco e depois de uma simpática, estudada e muito bem elaborada pergunta sobre a região, seguiu-se um silêncio constrangedor. Parecia que eu tinha conversado com uma parede. O que já não estava confortável antes, fez com que eu me sentisse o último dos últimos... Até que o índio que estava de camiseta azul, e que me pareceu ser o mais comunicativo deles, “salvou a pátria”, e mesmo sem se dirigir a mim diretamente, olhando para o vazio, e coçando as pernas, finalmente respondeu: "Hum!"...











































