
O interior da Argentina esconde lugares interessantes, além de muita história. Pouca gente se dá conta de que nossos "Hermanos" tem o oitavo maior país do mundo em extensão, e com uma considerável alternância de cenários. Temos a imponência das Cordilheiras dos Andes, os gelados lagos glaciais, a secura sufocante do quente chaco argentino, até as pradarias dos Pampas, região famosa por sua vocação agrícola e pecuária. Seu povo é pluricultural com forte ascendência europeia, assim como os originários de regiões altiplânicas e dos habitantes da patagônia. A culinária local também merece destaque, tendo excelência em suas carnes. Forma-se assim uma mistura de vários costumes que merecem ser conhecidos, e foi em busca dessas nuances que sai rumei para esse País saindo de Garça/SP em uma Yamaha XTZ 250 Lander, onde segui com a minha proposta de fazer uma viagem tranquila, sem muita pressa, e acampando sempre que possível. Resolvi ir sozinho, optando por instalar um chip de telefonia local, que me manteve conectado e compartilhando minha localização com a família. Dentre outros destinos que seriam visitados desta vez, um deles era a pequena Balcarce. Esta cidade fica a cerca de 420 quilômetros ao sul da capital argentina. Ao deixar a Autopista que seguia de Buenos Aires para Mar del Plata, entrei por uma estrada vicinal, linda e ladeada por planícies de grande vocação pecuária. As fazendas eram cortadas por canais que distribuíam água para os pastos mais distantes. O gado pastava tranquilamente, compondo um cenário de encher os olhos naquele pôr-do-sol do final da tarde. Já mais próximo à cidade observa-se a presença alguns morros de formas harmoniosas e recobertos por pastagens, trazendo ainda mais graça para a paisagem. No dia seguinte, fui cedo ao Museu da cidade, que tem importância enorme aos amantes de automobilismo espalhados por todo o mundo. Essa é a terra natal do cinco vezes campeão do mundo de Fórmula 1, Juan Manoel Fangio. Senti emoção ao andar pelas estradas e pelas ruas de Balcarce, imaginando que o grande Fangio também contemplou dos mesmos cenários. O museu é muito bem feito e organizado, tendo sido inaugurado em 1986 em homenagem póstuma ao grande piloto argentino. Tudo ali espalha bom gosto, desde a disposição de cada carro, rampas de acesso que levam os visitantes a outros pavimentos com motivos de grandes prêmios, e até mesmo a iluminação que traz contraste especial aos automóveis. Juan Manoel Fangio foi o "ídolo do meu ídolo", Ayrton Senna. O museu abriga carros do piloto, artigos pessoais, troféus, incluindo os cinco títulos de campeão do mundo. Há praticamente uma centena de carros expostos, mas nem todos utilizados por ele. Alguns exemplares foram doados por vários pilotos e amigos, sendo veículos das mais diversas categorias, sejam nacionais ou outras de todos os cantos do mundo, contribuindo em demasia para o enriquecimento daquele acervo. Ali, encontram-se Ferraris, Maseratis, Mercedes-Benz, carros artesanais, entre outras marcas. Além disso, vários pontos de audiovisuais trazem um "combustível extra" ao imaginário dos visitantes. No terceiro piso, e em grande destaque pela administração, encontra-se o carro que eu estava muito ansioso para ver de perto, e que foi um dos maiores motivos da minha vinda até aqui: uma McLaren original de 1988 usada pelo nosso Ayrton Senna, também doada ao museu. Poder vê-la tão próxima foi um momento especial que o motociclismo me trouxe, e confesso sem ter vergonha que me tirou algumas lágrimas. Havia uma ordem expressa para não se tocar nos carros, ordem essa que evidentemente neste caso não pude cumprir, pois tive que acarinhar aquele carro tão "querido" de nós brasileiros. Além do carro, haviam capacetes originais doados pela família Senna da Silva, fotos do nosso ídolo com pentacampeão argentino, além de inúmeros objetos pessoais de Senna. Fangio era um fã declarado e apaixonado por Senna, a quem tratava como um filho. Sentimento este, recíproco por parte do piloto brasileiro. Outro automóvel sensacional e que também ganhou destaque no museu era o Mercedes Benz W196 1955, que levava o número 18, com a qual o argentino venceu os campeonatos de 1.954 e 1.955.
Há ainda dentro do próprio museu uma sala anexa e protegida inclusive com vidros à prova de bala, na qual em um esquife repousa o corpo do piloto pentacampeão do mundo, envolto pela bela bandeira argentina. Só depois me dei conta de que minha moto ficou estacionada do lado de fora do museu, mas a apenas cinco metros de distância de onde estava o corpo de Fangio, somente com a calçada e a parede separando-os. Isto para um motociclista é algo bastante especial. Sai dali extasiado, pois sou um grande apaixonado por corridas de automóveis, e em especial, da Formula Um. Comprei algumas frutas para almoçar e voltei para a estrada. As frutas argentinas costumam ter um diferencial de sabor acentuado, doçura e qualidade. Pode-se ressaltar também a ótima qualidade de vida que eles preservam, através de uma alimentação saudável, boa educação e uma vida pacata, com pouco estresse devido aos baixos níveis de violência local.
Agora minha mente estava repleta de pensamentos daquela manhã maravilhosa que tive em Balcarce.



































































Até a próxima!