Terça, 02 de Março de 2021
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Geral RELIGIÃO

Cristo é a nossa Paz

Neste artigo, Pe. Anderson Messina Perini, Pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo de Garça, discorre sobre a Campanha da Fraternidade 2021.

31/01/2021 16h49
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Por: Francisco Alves Neto Fonte: Da redação
Cristo é a nossa Paz

A Campanha da Fraternidade deste ano foi organizada de forma ecumênica e está na sua quinta edição. Ela foi planejada pela CONIC (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil), das quais fazem parte: Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia e Aliança de Batistas do Brasil. A CFE (Campanha da Fraternidade Ecumênica) de 2021 tem como tema: “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor” e como lema bíblico “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez unidade” (Efésios 2,14).

            A CFE 2021 quer refletir possíveis caminhos para o diálogo e a construção de pontes de amor e paz em lugar de muros de ódio. As Igrejas devem resplandecer a nova humanidade nascida de Cristo que guiada pelo Espírito Santo deve ser promotora da paz.

            Nesta caminhada Quaresmal em vista da Páscoa, o objetivo geral da CFE 2021 convida as comunidades de fé e pessoas de boa vontade a pensarem, avaliarem e identificarem caminhos para superar as polarizações e violências por meio de um diálogo amoroso, testemunhando a unidade na diversidade. Para isto, lança o olhar a objetivos específicos: redescobrir a força da beleza do diálogo como caminho de relações mais amorosas; denunciar as diferentes violências praticadas e legitimadas indevidamente em nome de Jesus; comprometer-nos com as causas que defendem os bens da criação, nossa casa comum, denunciando a instrumentalização da fé em Jesus Cristo que legitima a exploração e a destruição socioambiental; contribuir para superar as desigualdades; animar o engajamento em ações concretas de amor ao próximo; promover a conversão para a cultura do amor, como forma de superar a cultura do ódio; fortalecer a convivência ecumênica e inter-religiosa; estimular o diálogo e a convivência fraterna como experiências humanas irrenunciáveis, em meio a crenças, ideologias e concepções, em um mundo cada vez mais plural; compartilhar experiências concretas de diálogo e convívio fraterno.

            Dois pontos fundamentais são levantados nesta Campanha: a necessidade da conversão ao diálogo e ao compromisso de amor e redescobrir o caminho da paz que parte de Cristo Ressuscitado. O primeiro ponto é ter ciência que a conversão não é um ato mágico e instantâneo. Embora experiências religiosas de conversão sejam importantes na vida pessoal e são valiosas, é necessário observar que a conversão é um processo permanente e diário. A Conversão deve provocar em nós compromissos coerentes com os ensinamentos de Jesus que nos envolve em transformações sociais, econômicas, espirituais, ecológicas, individuais e coletivas. Em nenhuma passagem bíblica e nos evangelhos Jesus cria inimizades com outras pessoas em seu nome. Ao contrário, suas palavras são orientações para as pessoas assumirem compromissos em defesa da igualdade e do diálogo.

            Segundo, é necessário redescobrir o Cristo no caminho que é a nossa paz. Na história dos discípulos de Emaús (Lucas 24,13-35), os discípulos retornavam de Jerusalém a Emaús numa jornada de onze quilômetros. Conversavam sobre todos os acontecimentos relacionados a paixão de Jesus e sua morte, quando um outro peregrino se incorporou à viagem. Seus corações eram marcados pela dúvida na ressurreição. Mas eis que ao chegarem ao destino de viagem convidam o peregrino para pernoitar. E ao redor da mesa, no partir o pão, eles reconhecem o peregrino que era verdadeiramente Jesus. Compreenderam, assim, porque no caminho ardia os seus corações. Este itinerário nos convida a primeiro VER os acontecimentos mais recentes de nossa história e buscar alternativas e saídas que identificam com o Evangelho. Segundo, a JULGAR a partir das Escrituras para abrir nossa mente e coração na fé de Cristo para trilharmos o caminho da verdadeira paz. A AGIR a partir das experiências boas das comunidades para derrubar os muros das divisões. E a CELEBRAR a diversidade presente na Criação, não como negativa, mas que é revelação imensa e irrestrita da amorosidade de Deus para com a humanidade.

            Queremos nesta Quaresma a verdadeira PAZ: que sacode a urgência do Reino; que invade, com o vento do Espírito, a rotina e o medo, o sossego das praias e a oração de refúgio. Paz das armas rotas na derrota das armas. Paz do pão da fome de justiça, liberdade conquistada, que se faz a nossa, sem cercas nem fronteiras. Que é tanto Shalom, plenitude de bens, como Salam, perdão, retorno e abraço. Dai-nos a tua Paz, Senhor, que soletra em Belém, agoniza na Cruz e triunfa na Páscoa.

 

Fonte: Texto-Base CFE-2021

 

Pe. Anderson Messina Perini

Pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo de Garça