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Garcense é empossada delegada no Pará

Filha do delegado garcense Ricardo Martines, diretor do Deinter 4, Isabella de Luca Martines vai integrar a equipe da Divisão de Homicídios da cidade de Parauapebas

Por: Francisco Alves Neto Fonte: da redação
15/07/2022 às 21h31
Garcense é empossada delegada no Pará
Isabella e seu pai, o delegado Ricardo Martines, diretor do Deinter 4

O Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Segurança Pública, empossou recentemente os novos delegados da Polícia Civil do Estado. A solenidade ocorreu no último dia 22 de junho em Belém, e contou com a presença do delegado garcense Ricardo Luíz de Paula Martines, diretor do Deinter-4 (Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 4) de Bauru. No entanto, apesar de figurar entre as autoridades presentes, Martines estava na figura de pai orgulhoso da Isabella de Luca Martines, também empossada como delegada da Polícia Civil do Estado Pará. 

Ao lado da esposa Inez Aparecida de Luca Martines, Ricardo prestigiou o dia tão sonhado pela jovem, que superou mais de 30 mil candidatos para figurar na 41ª colocação do concurso que ofereceu 265 vagas. Aos 27 anos, Isabela foi designada para compor a equipe da Divisão de Homicídios da cidade de Parauapebas, localizada no sudeste do Estado, município onde se localiza o completo mineral do Carajás.   

Isabela cursou Direito na ITE de Bauru, e fez estágio remunerado no Ministério Público de Bauru até se formar em 2018. Antes de ser aprovada no concurso, exercia advocacia junto a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Garça, dividindo seu tempo com o trabalho e o estudo. Muito embora admita ter se inspirado no pai, Ricardo Martines por sua vez diz não ter existido nenhum tipo de pressão ou influência direta de sua parte. 

“Mas vejo com muita satisfação ela ter feito essa escolha, pois sei da importância de servir a população numa área tão sensível e importante como a segurança pública. Sem dúvida ela é motivo de orgulho não só para mim, mas para todos seu familiares e amigos”, comentou o titular do Deinter, o mais alto posto já alcançado por um delegado garcense.

A delegada Isabella de Luca Martines começa oficialmente a exercer suas funções junto a Divisão de Homicídios de Parauapebas no próximo dia 27, quando será definitivamente empossada e integrará uma equipe com três delegados. “São muitos os desafios de escolher uma especializada em homicídios como primeira lotação, mas resolvi encarar o desafio. Vejo como uma grande oportunidade e com certeza darei o meu melhor para estar à altura do cargo”, afirmou. Em entrevista concedida ao Jornal Mais, Isabella Martines falou de sua jornada até aqui, expectativas e os desafios que possivelmente irá enfrentar, especialmente por atuar numa área predominantemente dominada pelos homens. 

JORNAL MAIS: Já tem informações sobre como é Parauapebas? Quais as dificuldades que irá encontrar?

ISABELLA MARTINES: Parauapebas é uma cidade desenvolvida e faz parte de uma região muito rica do estado, apesar da distância da capital (cerca de 700km de Belém). Acredito que, no que se refere à criminalidade, irei enfrentar os problemas característicos de uma cidade que cresceu rapidamente. Apesar de ser uma das melhores cidades para se viver no Pará, também está entre as que mais registraram ocorrências de crimes violentos no estado no ano de 2020, o que reflete na alta demanda da Divisão de Homicídios.

JORNAL MAIS: Seu pai sempre foi eficiente na elaboração de inquéritos policiais e também se destacou no operacional, trabalhando na rua. E você, do que mais gosta?

ISABELLA MARTINES: Meu maior ponto de interesse está em conduzir investigações, chegar à autoria e comprovar a materialidade do crime para subsidiar eventual ação penal e posterior condenação. Vejo essa como a principal função da Polícia Judiciária, mas com certeza a parte operacional é fundamental para se chegar a esse resultado. Acredito que unir o operacional à uma investigação eficiente faz um trabalho ser completo e bem feito.

JORNAL MAIS: Ser delegada sempre foi um sonho, uma meta? A trajetória do seu pai te influenciou de alguma forma?

ISABELLA MARTINES: Confesso que inicialmente, quando ingressei na faculdade de Direito, não pensava em ser Delegada de Polícia. Mas com certeza conviver com a profissão através do meu pai foi determinante para eu decidir me dedicar e estudar para concurso público. Sempre me inspirei e admirei ele como profissional e agora tenho muito orgulho em poder dizer que somos colegas de profissão.

JORNAL MAIS: Pretende fazer carreira fora de São Paulo ou um dia pretende retornar?

ISABELLA MARTINES: Hoje estou muito animada para começar a carreira no estado do Pará e servir a população da cidade de Parauapebas. A Polícia Civil no estado do Pará é extremamente valorizada, estando entre as mais bem pagas do país. Além disso, o Estado tem investido fortemente na estrutura da polícia, o que considero fatores atrativos na carreira. Entretanto, sem dúvida não descarto a possibilidade de voltar ao meu estado eventualmente.

JORNAL MAIS: Como foi sua trajetória para chegar até aí?

ISABELLA MARTINES: A trajetória de toda pessoa que se dispõe a prestar concurso público é marcada por muita dedicação, renúncias e frustrações antes de chegar o dia da aprovação. Me formei em 2018 e a partir de 2019 comecei a me dedicar aos estudos. Em 2020 veio a pandemia e uma verdadeira escassez no mundo dos concursos públicos, sendo que até mesmo os que já estavam com editais abertos foram suspensos para atender às restrições sanitárias. Com isso, no momento em que mais me sentia preparada para as provas, não havia nenhuma prova para fazer. Foi quando em 2021 saiu o edital para o cargo de Delegado de Polícia Civil do Estado do Pará e decidi prestar. Tudo deu certo e consegui a tão sonhada aprovação no primeiro concurso público que prestei para o cargo.

JORNAL MAIS: Como vê a mulher ganhando espaço numa área até então dominado por homens? Você possivelmente vai comandar homens, como vê isso? Sente ou sentiu algum tipo de preconceito?

ISABELLA MARTINES: Sem dúvida a carreira policial é predominantemente composta por homens, de modo que nós mulheres ainda somos a minoria. No entanto, aos poucos estamos conquistando nosso espaço, ocupando cargos de liderança como o de Delegada de Polícia, cargos estes que antes eram exclusivamente ocupados por homens. Acredito que esta realidade tende a ser cada vez mais frequente. Torço muito por isso. Infelizmente, somos constantemente julgadas por não ter o “perfil policial”, mas vejo que esse estereótipo de policial vem sendo reconstruído aos poucos com a presença de cada vez mais mulheres atuando na profissão.

JORNAL MAIS: Que recado deixa para as meninas que sonham com a mesma carreira?

ISABELLA MARTINES: Espero também ser fonte de inspiração para meninas que sonham em se tornar Delegadas de Polícia um dia, para que entendam que o perfil policial é de quem tem vontade, determinação e coragem de servir a população. Basta acreditar e seguir firme no propósito, é possível chegar lá. 

 

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