Segunda, 08 de Março de 2021
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Geral REFLEXÃO

Vacinar-se é uma opção ética

Pe. Anderson Messina Perini, pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo de Garça, comenta politização da pandemia e da vacina, com discussões que estão mais no mundo das ideias e opiniões do que da verdade e do embasamento científico.

14/01/2021 18h53 Atualizada há 2 meses
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Por: Francisco Alves Neto Fonte: Da redação
Vacinar-se é uma opção ética

Nos últimos dias temos vivenciado o aumento da propagação do Covid-19 em nossa cidade de Garça afetando inúmeras famílias, lotando as UTIs de nossos hospitais, seja aqui em Garça, seja em Marília, a qual devemos tomar todo cuidado, cuidando de si e do outro. Ao mesmo tempo, vemos nos últimos meses a politização da pandemia e da vacina, com discussões que estão mais no mundo das ideias e opiniões do que da verdade e do embasamento científico. Graças à democracia, não são os políticos que dizem o que vamos fazer no sentido deste assunto, mas são instituições isentas da politicagem e com dados científicos que direcionaram as vias da aprovação das vacinas que teremos a disposição da população brasileira. Esta é a nossa esperança!

         Papa Francisco, em uma entrevista ao TG5, canal televiso italiano, disse que vacinar-se, neste momento, não é uma opção, é um dever ético. “Porque está em risco a sua saúde, a sua vida, mas também a vida dos outros”. O Vaticano já iniciou sua campanha de vacinação esta semana e tanto o Papa Francisco, quanto o Papa Emérito Bento XVI, já estão vacinados. O Papa Francisco continua em sua entrevista dizendo: “se os médicos a apresentam como algo que pode ser bom e que não tem perigos especiais, por que não tomar? Há um negacionismo suicida nisso, que eu não saberia explicar”.  Para o Pontífice, este é o tempo de “pensar no nós e cancelar por um período o eu, colocá-lo entre parênteses. Ou nos salvamos todos com o nós ou não se salva ninguém”. 

Esta fala do Papa também repercutiu no vídeo lançado pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) onde o arcebispo de Belo Horizonte e presidente da CNBB, Dom Walmor de Azevedo, falando sobre a importância da vacinação no Brasil para o enfrentamento da Pandemia: “é urgente cobrarmos celeridade para o início da vacinação” e que “a pandemia se tornará ainda mais perigosa se a desinformação prevalecer”. Dom Walmor sublinha que a pandemia do novo coronavírus “é um deserto que todos nós família humana estamos atravessando”, ao recordar as 200 mil pessoas que morreram em decorrência da covid-19. “Para vencer essa travessia, precisamos caminhar juntos”, ressaltou. Em seguida, o presidente da CNBB destacou a importância das vacinas, as quais são oferecidas pela ciência, “frutos de diferentes pesquisas”; e o início da vacinação em vários países. Nesse sentido, “não podemos ficar para trás”, e continua, “é urgente cobrarmos celeridade dos governantes para o início da vacinação. Ainda mais importante, não podemos nos deixar enganar por notícias falsas. As vacinas, antes de chegarem à população, são amplamente testadas por variadas equipes de cientistas independentes”, afirmou. Os riscos de se vacinar, continuou, são infinitamente menores do que as ameaças da doença que, a cada dia, mata mais pessoas.

Dom Walmor convida a todos exigirem a solução para a pandemia: “Insista junto às autoridades públicas para que fortaleçam o Sistema Único de Saúde (SUS) para que cada pessoa, rica ou pobre, tenha o direito de ser vacinada. A vacina nos ajuda a superar a covid-19″. Por outro lado, as notícias falsas e a desinformação tornam a pandemia ainda mais perigosa, “afastando as pessoas da vacina”. E por fim ressalta que sejam evitadas as notícias falsas e que todos sejam “corresponsáveis” no cuidado uns pelos outros.

Finalmente, termino com as palavras do Papa Francisco sobre a importância da fraternidade e da cultura do cuidado para enfrentarmos este momento de tribulação. Que tenhamos paciência e sejamos fraternos e solidários, pois o importante neste momento é salvar vidas. “Este é o desafio: fazer-me próximo ao outro, próximo à situação, próximo aos problemas, fazer-me próximo às pessoas”, afirmou o Papa. E continua, inimiga da proximidade é “a cultura da indiferença”. Fala-se de um “saudável desinteresse pelos problemas, mas o desinteresse não é saudável. A cultura da indiferença destrói, porque me afasta”.

 

Fonte: Vatican News e CNBB