Sexta, 04 de Dezembro de 2020
14981559897
Geral ARTIGO

Responsabilidade na hora da eleição

Pe. Anderson Messina Perini - Pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo de Garça

23/10/2020 13h44
164
Por: Francisco Alves Neto Fonte: Da redação
Responsabilidade na hora da eleição

 

A Igreja Católica no Brasil lança em todos os tempos de eleição uma cartilha para orientar na escolha de candidatos e esclarecer a importância do papel de cada cidadão no exercício da democracia. O voto, deste modo, não pode ser visto como uma obrigação, mas sim um ato consciente visando o bem da comunidade e de nossa casa comum. Todos somos responsáveis pela realidade política, pois elegemos aqueles que tomam as decisões públicas em vista do bem comum. Nosso artigo, baseado na cartilha de orientação política da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Regional Sul 2, propõem algumas orientações para escolher com discernimento os candidatos.

            Em primeiro lugar, cada eleitor deve conhecer quais são as atribuições do cargo do candidato que vai votar. Neste ano que são eleições municipais, busquemos entender qual é a função do prefeito e do vereador.

O prefeito, chefe do poder executivo municipal, é o administrador do município e decide como será usado o dinheiro público. Ele é responsável por cuidar no município das áreas da saúde, educação, transporte público, limpeza urbana, saneamento básico e manutenção dos espaços públicos. Também a ele é atribuído a aprovação ou não de projetos de leis votados pelos vereadores, podendo apresentar projetos à Câmara Municipal. O prefeito pode ser reeleito uma vez consecutiva e seu mandato é de quatro anos.

O vereador é eleito para elaborar projeto de lei para o município, discuti-los e votá-los. Ele tem o papel de fiscalizar a ação do prefeito e de outros funcionários públicos, avaliar os orçamentos do município e aprovar gastos realizados pelo executivo. O mandato de vereador dura quatro anos e não há limite para sua reeleição.

Na hora da escolha dos candidatos é necessário verificar seis pontos: 1) Pesquisar em fontes seguras sobre a vida do candidato em quem se pensa votar: sua história, valores e princípios que regem sua atuação social para verificar sua boa índole. 2)Conhecer o estatuto do partido do candidato: observe se o partido defende a vida, desde a sua concepção até o fim natural; se é a favor da família, da dignidade humana e do direito dos mais vulneráveis. Quando o candidato é eleito, ele precisa honrar os compromissos do partido o qual está filiado. O estatuto de todos os partidos encontramos no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 3)Verificar sua competência, se tem capacidade de liderança política, se sabe delegar, escolher os colaboradores para cada área de atuação e administrar os recursos públicos. 4) Ser ficha limpa: honestidade é um dos critérios fundamentais para se observar no candidato. Se ele já esteve envolvido com corrupção ou foi condenado pela justiça, não merece seu voto. Se ele tem atitudes corruptas, como tentar comprar o seu voto ou por trocas de favores, ele não merece seu voto. Lembra-se que ao candidato comprar o seu voto, ao ser eleito ele vai tentar recuperar o que gastou usurpando o dinheiro público. 5) Ter boa proposta de governo: conhecer o projeto de governo do candidato, como pretende realizar e com quem está comprometido. Não basta assistir a propaganda eleitoral nas mídias, é preciso pesquisar em canais oficiais do candidato ou no site do TSE. 6) Caso o candidato concorra a reeleição, analise as motivações para um novo mandato, como foi o exercício de governo anterior, se esteve envolvido ou foi conivente com casos de corrupção, e se trabalhou em promoção do bem da coletividade.

É importante destacar: não vote em candidatos que se manifeste defensor de uma categoria de pessoas, pois o político deve estar a serviço do bem de todos e não somente de um grupo. A Igreja Católica não faz bancada e nem indica candidatos. Se o candidato for verdadeiramente católico, deve atuar segundo os valores da tradição cristã e defensor da dignidade humana e do bem de todos. A Igreja como instituição não atua politicamente, mas incentiva os cristãos a política e a assumir os compromissos com a doutrina social da Igreja.

Concluo com as palavras do Papa Francisco: “peço a todos que tem responsabilidade política que não se esqueçam de duas coisas: a dignidade humana e o bem comum”. Não podemos lavar as nossas mãos ao cenário político, nesta próxima eleição façamos a diferença.