Domingo, 25 de Outubro de 2020
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Geral DEVOÇÃO

Fratelli tutti: sobre a fraternidade e amizade social

A encíclica Fratelli tutti (Todos Irmãos) trata-se de questões sobre a fraternidade e a amizade social que o tem preocupado nos últimos anos.

16/10/2020 23h43 Atualizada há 1 semana
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Por: Francisco Alves Neto Fonte: Da redação
Pe. Anderson Messina Perini - Pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo de Garça
Pe. Anderson Messina Perini - Pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo de Garça

O Papa Francisco, no dia 3 de outubro de 2020, vésperas da Festa de São Francisco de Assis, assinou em Assis na Itália sua nova encíclica sobre a fraternidade e amizade social. Trata-se da terceira encíclica de Francisco, a primeira publicada em 2013 foi Lumen fidei (Luz da Fé), e em 2015 a Laudato sì (Louvado seja, sobre o cuidado da criação). Uma encíclica papal trata-se de uma reflexão que parte do próprio papa sobre alguns assuntos para serem iluminados à luz da Palavra de Deus. A encíclica Fratelli tutti (Todos Irmãos) trata-se de questões sobre a fraternidade e a amizade social que o tem preocupado nos últimos anos. Os temas tratados pelo papa nesta encíclica são a fraternidade humana em prol da paz mundial e da convivência comum que refletem também o encontro do papa com o Grão Imane Ahmad Al-Tayyeb no Marrocos, autoridade mulçumana, em fevereiro de 2019.

            A encíclica propõe a reflexão da dimensão social em busca da fraternidade e amizade, detém-se na dimensão universal do amor fraterno, e a busca da realização do sonho de uma única humanidade que caminha juntos na mesma carne humana. A meditação do papa é dirigida a todas as pessoas de boa vontade que façam desta reflexão uma abertura para o diálogo. Ela está organizada em oito capítulos e uma introdução. O título da encíclica baseia-se em São Francisco de Assis, expressão usada baseada no Evangelho, o qual o santo convidava todas as pessoas, homens e mulheres, a um amor mais além da geografia e do espaço.

            Infelizmente não temos espaço suficiente para determos cada capítulo, mas trago aos leitores alguns pensamentos do Papa Francisco para a sociedade atual a partir desta encíclica. Sua Santidade nos fala que o mundo está fechado em meios as sombras. No primeiro capítulo, ele pontua algumas realidades que impedem a fraternidade universal, pois como ele diz: “A sociedade globalizada torna-nos próximos, mas não nos faz irmãos”. Cinco pontos principais impedem a fraternidade: a desesperança e a desconfiança semeadas na sociedade, a polarização que não ajuda no diálogo e na convivência, as pessoas que parecem “sacrificáveis” e são descartadas, a desigualdades de direitos e as novas formas de escravatura e a deterioração da ética e o enfraquecimento dos valores espirituais. Hoje assistimos à manipulação de grandes palavras: liberdade, justiça, democracia e unidade. Perante isso, o papa pontua: “o caminho é a proximidade e a cultura do encontro”. Apesar disso, Deus continua a espalhar sementes do bem na humanidade. O bem, o amor, a justiça e a solidariedade hão de ser conquistados diariamente. A esperança olha além das comodidades pessoais que nos fecham a abrir a grandes ideias.

            Para alcançar o ideal da fraternidade e da amizade, o papa recorda a parábola do bom samaritano. A parábola nos conta a história de um homem que ia a Jericó e foi assaltado e deixado até a morte. Passaram no mesmo caminho três pessoas: um sacerdote, um levita e um samaritano. Apesar do sacerdote e o levita serem religiosos e conhecedores da Lei de Deus, não pararam para ajudar aquele pobre homem. Mas o samaritano, o estranho do caminho, mestiço, com uma religião sincrética, desconhecedor da Lei, foi capaz de ser solidário com o assaltado e cuidar dele porque teve compaixão. O sacerdote e o levita não pararam motivados a não se tornarem impuros e indignos do Templo. Nesta parábola, diz Francisco: “Jesus não nos convida a interrogar-nos quem é o próximo a nós, mas a tornarmos próximo de todos”.

Hoje a história do bom samaritano se repete: o determinismo e o fatalismo pretende justificar a indiferença; a sociedade tende-se a desinteressar-se pelos outros; o mundo permite a exclusão; assistimos uma incúria social e política. Para reabilitarmos nossa sociedade ferida é necessário compaixão, amor e perdão. E isto independe de quem chega. Porque é necessário romper as barreiras e lançar pontes. Diante da dor do outro ferido, a escolha de passar do outro lado ou cuidar do ferido no caminho depende de cada um. E a melhor escolha diante de tantas feridas é a do bom samaritano.

É necessário pensar e gerar um mundo aberto. Seguimos o apelo de Jesus: “vocês são todos irmãos” (Mateus 23,8). Exorto que caro leitor aprofunde este tema lendo a encíclica do Papa Francisco Fratelli tutti (Todos irmãos).