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Editais foram apoio necessário ao setor cultural durante a pandemia

A secretária Suzy Mey Truzzi avalia que política de projetos e editais permitiu ampliar a participação de pessoas de diferentes gamas da sociedade e que estavam “invisíveis”, além de fomentar a economia do município. m

Por: Francisco Alves Neto Fonte: da redação
04/04/2022 às 07h58 Atualizada em 04/04/2022 às 11h06
Editais foram apoio necessário ao setor cultural durante a pandemia
A secretária Suzy Mey comemora os excelente resultados obtidos com os editais, que fomentaram a cultura garcense.

Os dois últimos anos foram caracterizados por grandes dificuldades, que apareceram juntamente com a pandemia. Alguns setores da sociedade conseguiram se reinventar e alguns outros até mesmo viram um aumento do vigor de suas operações. Já outras áreas sofreram fortemente com a crise desencadeada pela covid-19. É o caso da cultura, que viu apresentações, show e espetáculos logo interrompidos no início da fase pandêmica e só há pouco algumas dessas manifestações estão voltando a ser realizadas.

Ante essa perspectiva, os editais foram uma forma importante de garantir aos profissionais da cultura algum resguardo nesses dias complexos. No âmbito da Secretaria Municipal da Cultura, atividades nesse sentido foram proporcionadas, com capacitações sobre como elaborar um projeto, como participar de chamamentos no âmbito municipal estadual e federal para a movimentação de toda uma cadeia produtiva.

A secretária municipal de Cultura, Suzy Mey Truzzi, indicou que a questão dos editais e dos projetos foi iniciada antes da epidemia, quando, em 2018, passou a ser realizada uma iniciativa chamada de “Territórios Criativos”, contemplada pelo Estado.

“Foi a célula embrionária. A partir dele tivemos um aporte de 170 mil reais que veio para Garça para desenvolvimento de editais. O primeiro foi o ‘Circula Cultura’, que achamos interessante para contemplar várias linguagens artísticas e descentralizar, para levar a vários públicos. No início foi muito difícil, poucas pessoas participando, tinham receio com o movimento das contas, não sabiam fazer um projeto, mesmo com as capacitações que foram dadas”, diz a secretária.

A partir desse primeiro projeto, a Secretaria passou a realizar outros editais, sendo que alguns se mostraram desertos (sem pleiteantes), mas não houve desistência e se buscou gradativamente novas adesões. O que culminou com a participação de vários grupos locais, como a Corporação Musical Garça, Banda Alquimia, Taikô Hibiki Wadaiko-Hanami Daiko, Garcine, entre outros que foram contemplados. 

Os territórios das apresentações foram regiões distintas da cidade, como Jardim São Lucas, Jardim Paineiras, Vila Araceli, distrito de Jafa, para que um maior número de pessoas pudessem ter contato com as manifestações cultuais.

“Num primeiro momento foi uma oportunidade de verificarmos como funciona um bairro em relação à cultura, o que cada bairro tem de pertencimento cultural lá dentro, visando agregar depois, em futuras movimentações desse projeto”, explica a secretaria.

Num segundo momento, a Secretaria passou a conduzir outro programa de fomento à cultura, a “Lei Aldir Blanc”. Suzy indica que essa legislação não é apenas um aporte de R$ 340 mil, já que coube ao município realizar um plano de ação. Inicialmente foi efetuada uma ação para garantir aos trabalhadores da cultura o recebimento do auxílio emergencial de R$ 600 e, posteriormente, se trabalhar o inciso dois da Lei, voltado para espaços culturais, empresas, entre outros.

“Quando fizemos a avaliação dos espaços culturais, notamos que vários estavam inativos, apenas constavam como espaços culturais. Fizemos a divulgação, fomos atrás e o que nos interessa dentro do subsídio dois são os CNPJs, ou seja, de empresas. Estando ativos e regulares poderiam ser contemplados. Os espaços culturais tinham de ter, mesmo ao ar livre, um histórico. Se um grupo, por exemplo, não tem espaço, sede, mas se apresenta sistematicamente, ele teria de ter uma comprovação dessa sistematicidade”, diz a secretária.

Já o inciso três da Lei Aldir Blanc contemplava a possibilidade de realizar editais e programas dentro do município. Dois editais (“Prêmio Roberto Reis de Oliveira” e “Prêmio Osvaldo Coelho) foram apresentados, com o “Circula Cultura 2” tendo recebido o maior aporte, com alocação de recursos de até R$ 28 mil para os contemplados, que teriam ações específicas a serem cumpridas, como apresentações, comprovações, entre outros atributos. Também houve espaço para a formação, com capacitações ficando a cargo de Rafael Garcia e Renato Martins.

Agora, observa-se que outras legislações de apoio estão sendo encaminhadas, como a Lei “Paulo Gustavo” e a “Aldir Blanc 2”. “A ‘Paulo Gustavo’ tem um vértice maior, voltado para o setor de audiovisual, mas ela contempla também outros setores. E a Lei ‘Aldir Blanc 2’, que contempla todas as áreas, contará com solicitações, como o Sistema Municipal de Cultura. Garça implantou esse Sistema em 2011, 2012, mas ele precisa estar atualizado, com conselho ativo, conselho de cultura ativo, fundo municipal funcionando e um plano municipal de cultura, de dez anos, por exemplo. Nesse sentido estamos tentando organizar em março ou um pouco mais para tarde a pré-conferência da terceira Conferência Municipal de Cultura”, indica a secretária. 

Suzy Mey fala que a política de projetos e editais permitiu também ampliar a participação de pessoas de diferentes gamas da sociedade e que estavam “invisíveis”, ou seja, que possuem um potencial artístico incrível e que não eram conhecidas. É o caso, por exemplo, de Juliana Mian, uma autodidata que trabalha com miniaturas e que, por meio de uma curadoria, teve seus trabalhos reconhecidos e escolhidos no projeto “Revelando São Paulo”.

Além disso, a secretária lembra que os editais também movimentaram a economia de uma forma mais abrangente e não apenas no setor cultural. Ele exemplifica as lives realizadas no “Prêmio Osvaldo Coelho”, que fizeram com que os artistas tivessem de recorrer a técnicos, profissionais de audiovisual, maquiadores, cabeleireiros, produtores, além da aquisição de equipamentos e muitos outros artigos, não se limitando, portanto, apenas ao segmento em si.

Avaliando o trabalho desenvolvido, a secretária diz que foi bastante árduo todo o processo, mas que valeu a pena, já que um significativo número de pessoas conseguiu ser contemplado, mesmo diante de uma cidade que ainda vive momentos políticos de discórdia. Susy lembra que os contemplados não foram escolhidos por seus posicionamentos, mas, sim, por terem passado por uma avaliação criteriosa da comissão avaliadora, que contou, inclusive, com especialistas que não têm ligação com a Secretaria.

“Fomos muito questionados, mas a cultura não tem essa visão de apoiar um lado ou outro. Nosso interesse era emergencial. Não vemos que pessoas pertença a um grupo ou outro, a gente vê o artista que foi merecidamente contemplado. A comissão avaliadora contou com pessoal de fora, pessoas competentes, com olhar diferenciado”, encerra.

 

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