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Bióloga garcense usa jiboia como ferramenta de educação ambiental

Fernanda Holanda Lourenço realizar um trabalho interativo de desmistificação da espécie, voltado para a preservação das serpentes diante da matança indiscriminada do réptil na natureza.

Por: Francisco Alves Neto Fonte: da redação
26/03/2022 às 11h32 Atualizada em 29/03/2022 às 09h00
Bióloga garcense usa jiboia como ferramenta de educação ambiental
Fernanda manuseia jiboia durante palestra à alunos

Presente em muitas religiões e culturas como vilãs, as cobras causam medo e repulsa em muitas pessoas, cujo primeiro instinto ao se deparar com uma delas é logo querer matá-las, independentemente do réptil ser peçonhento (venenoso) ou inofensivo. Sua imagem temerosa é ancestral. 

A bióloga garcense Fernanda Holanda Lourenço acredita que a sobrevivência da espécie depende da desconstrução desse rótulo, e para tanto, faz um trabalho de educação ambiental cujo principal objetivo é desmistificar as serpentes.  

Empenhada na conscientização de adultos e crianças para a necessidade de preservar o meio ambiente e os animais, numa ação inédita na cidade, Fernanda dá aulas e promove palestras de educação ambiental na qual a principal ferramenta é uma serpente “Boa Constrictor”, conhecida popularmente como jiboia, usada para interagir com a garotada. 

O exemplar macho que ganhou o nome de “Salazar”, pode ser considerado um filhote. Adquirido no ano passado, pesa cerca de 400 gramas e mede aproximadamente um metro de comprimento.

As jiboias são serpentes não peçonhentas. Possuem dentição áglifa, ou seja, não apresentam presas inoculadoras de veneno. Dentre as espécies de serpentes criadas no Brasil é a mais conhecida e por isso mais procurada. “Fica muito dócil e é uma ótima opção de animal de estimação”, esclarece Fernanda. 

A bióloga, que durante todo o tempo manuseia a jiboia sem problemas, demonstra que a serpente, como outros animais, não passa de mais um bicho habitando nosso planeta. Sua palestra é instrutiva e divertida. 

Ao final, a teoria se torna prática, pois é chegado o momento de quebrar paradigmas, permitindo aos participantes a chance de tocar e até tirar uma foto com o dócil animal. No último sábado, dia 19, um grupo de crianças que integram o Grupo Escoteiro Santo Antônio de Garça foram presenteados com essa experiência única e enriquecedora. 

“Durante as aulas eles passam a mão, pegam tanto a serpente quanto as trocas de pele que levo para eles verem também. As reações são várias e é muito bonito de ver. Alguns tem receio, outros tem curiosidade e acham previamente que as cobras são geladas. Mas todos ficam fascinados, tiram dúvidas e a maioria fala dos mitos que já ouviram sobre serpentes”, explica a educadora ambiental.

Formada em Ciência Biológicas pela Universidade Estadual do Norte do Paraná - Campus Luiz Meneghel (UENP), Fernanda fez especialização em Análises Clínicas e posteriormente pós-graduação em Manejo de Fauna Silvestre e Exótica pela FAEF. 

Ela explica que seu interesse pelas cobras começou no primeiro ano da faculdade quando fez um curso sobre identificação e manejo de serpentes e teve o primeiro contato. “Nos anos seguintes fazia cursos e trabalhos com esse mesmo direcionamento”, conta Fernanda. 

“Depois de formada comecei a atuar como professora no estado, e continuei realizando algumas palestras e aulas para turmas em escolas e empresas. No ano passado comprei a minha primeira serpente, que levo para as aulas com o objetivo de desmistificar a espécie”, complementa. 

“Salazar” foi adquirido no ano passado no “Sítio Xerimbabo” no Pará, um dos oito criadouros do país legalizados pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). 

Fernanda percebeu a importância de realizar um trabalho voltado para a preservação das serpentes diante da matança indiscriminada do réptil na natureza. Com um conteúdo apresentado de forma leve e simples, através de seu trabalho a bióloga mostra às pessoas, especialmente as crianças, a importância das serpentes para o equilíbrio da cadeia ecológica, seu comportamento, habitat, vida reprodutiva e hábitos alimentares. 

“O principal objetivo desse trabalho é desmistificar a ideia de que esse animal é um vilão, pois na natureza esse papel não existe”, considera Fernanda. Ela acredita que a educação ambiental tem como função, além do conhecimento, a formação de cidadãos mais conscientes. 

“Os estudantes aprendem a importância da conservação das serpentes, e os cuidados que devem tomar ao se depararem com esse tipo de animal, e a importância dessa espécie em pesquisas, inclusive na área da saúde”, salienta a bióloga, que pretende ampliar esse trabalho de conscientização. 

SERVIÇO 

A bióloga Fernanda Lourenço realiza resgate de serpentes, aulas de educação ambiental para todas as idades com material didático personalizado, palestras e cursos sobre características e identificação, além treinamento em empresas. Mais informações pelo telefone (43) 99699-8700. E-mail: Fernanda-hl@hotmail.com. Instagram: @fernanda.educaambiental.  

 

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