Domingo, 15 de Fevereiro de 2026
20°C 31°C
Garça, SP
Publicidade

Jubileu da Terra: Tempo de Oração e Cuidado com a Criação

O papa propõe neste ano que possamos reler a encíclica à luz do que estamos vivendo agora na pandemia e possamos aplicá-la em nossa realidade.

Por: Francisco Alves Neto Fonte: Da redação
16/09/2020 às 21h40
Jubileu da Terra: Tempo de Oração e Cuidado com a Criação

O Papa Francisco publicava em 2015 a encíclica Laudato Si’: sobre o cuidado da Casa Comum, e instituía o Tempo de oração e cuidado com a Criação de 1º de setembro à 4 de outubro. Tais datas não foram por acaso. O papa assumia a intuição da Igreja Ortodoxa, que desde 1989, Dimitrius I, patriarca ecumênico, propôs no calendário litúrgico de sua igreja o dia 1º de setembro como dia de oração e cuidado com a Criação. A Igreja Católica assumi esta ideia e estende por um período até 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis, defensor da natureza. A proposta colocada pelo papa a toda a Igreja é que assumimos uma espiritualidade ecológica.

Depois de cinco da publicação da encíclica Laudato Si’, o mundo sofreu diversas mudanças e a crise ecológica apenas agravou. Muitos cientistas até suspeitam que a própria crise sanitária provocada pelo coronavírus tem profunda relação com a destruição da natureza. O papa propõe neste ano que possamos reler a encíclica à luz do que estamos vivendo agora na pandemia e possamos aplicá-la em nossa realidade.

         Em mensagem pelo dia mundial de oração e cuidado pela Criação, Sua Santidade propôs para este tempo o Jubileu da Terra pelos 50 anos do dia da Terra, comemorado no dia 22 de abril. Na mensagem, o papa afirma que na Sagrada Escritura o jubileu é um tempo sagrado para recordar, regressar, repousar, restaurar e rejubilar. A cada uma dessas palavras, o papa coloca um sentido denso a partir da realidade da pandemia.

         A palavra “Recordar” quer significar nossa vocação primordial da criação: ser e prosperar como comunidade de amor. Assim, é necessário “Regressar” ao plano do Criador e ver a criação como nossa herança comum, um banquete que deve ser partilhado por todos, procurando formas de libertar os oprimidos e vítimas das modernas formas de escravidão. É necessário ouvir a Terra, pois somos parte desta criação e não os seus patrões. A desintegração da biodiversidade, o aumento das catástrofes climáticas, o impacto desproporcional da pandemia atual com mais pobres e frágeis são sinais de alarme do consumo desenfreado. Ouçamos o pulsar da Criação para entrarmos em harmonia com ela.

É necessário “Repousar”, pois assim como Deus criou o sábado para o repouso a fim de que a Criação e seus habitantes pudessem descansar e restaurar-se, é indispensável repousarmos de um estilo de vida sem limites e redescobrir um estilo de vida mais simples e sustentável. A crise sanitária e econômica da pandemia atual fez-nos reencontrar que nossa vida pode andar em um novo ritmo e de novas maneiras. O papa insiste em deixarmos o estilo de vida supérfluo e destrutivo e assumirmos valores, vínculos e projetos criadores.

Este jubileu da terra é um momento de “Restaurar” a harmonia primordial da criação e curar relações humanas comprometidas. À luz deste impacto de crise sanitária e econômica é tempo de perdoar dívidas, sobretudo, com países fragilizados com a pandemia. É urgente assegurar que os incentivos para a recuperação sejam amparados por políticas e leis em nível mundial, regional e nacional para que garanta alcançar os objetivos sociais e ambientais. É preciso restaurar a terra. O restabelecimento climático e da biodiversidade são vontade do Criador, que deseja que a vida seja abundante.

Por fim, o papa anuncia que este tempo de oração e cuidado com a Criação deve ser um tempo de “Rejubilar”. Segundo a tradição bíblica, o jubileu é um acontecimento festivo anunciado pelo som de uma trompa para ressoar em toda a terra. Sabemos que o clamor da Terra e dos pobres se tornaram mais rumorosos de todos os tempos. O papa convoca a toda a igreja e todas as pessoas de boa vontade a se unirem neste clamor, neste tempo de oração e cuidado com a Criação, o Jubileu da Terra, para que construirmos um mundo mais justo, pacífico e sustentável. E o papa termina: “Alegremo-nos porque o Criador, no seu amor, sustenta os nossos humildes esforços em prol da Terra. Esta é também a casa de Deus, onde a sua Palavra ‘Se fez carne e veio habitar conosco’ (João 1,14), o lugar que a efusão do Espírito Santo renova sem cessar. ‘Enviai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a face da terra’ (Salmo 104/103,30).”

 

 

Pe. Anderson Messina Perini

Pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo de Garça

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.