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“O dolce far niente e o que podemos aprender com isso” — por Fábio Codogno

Artigo reflete sobre a aceleração da vida moderna e resgata a filosofia italiana do dolce far niente como convite à pausa e ao equilíbrio.

Por: Redação Fonte: Garça em Foco
20/02/2026 às 15h02
“O dolce far niente e o que podemos aprender com isso” — por Fábio Codogno

Vivemos hoje em um mundo de transformações muito rápidas. A informação viaja pelos continentes a uma velocidade que seria inimaginável nos longínquos anos 80, de onde eu vim.
Hoje toda informação do universo está contida na palma de nossas mãos, nesses aparelhinhos com cada vez menos botões, que provavelmente você está usando nesse exato momento.  Essa velocidade da informação está transformando constantemente nossas relações com as pessoas, com o trabalho, em casa…
Como consequência, nossa vida está cada dia mais acelerada, carregada de demandas urgentes, entregas que devem ser feitas “para ontem”. Mas nossa existência enquanto seres humanos não perde sua essência: nunca seremos máquinas, sempre seremos criaturas falíveis, que se cansam, que precisam de tempo para pensar e só depois agir.
E nesse turbilhão de informações e transformações que nos sufoca, às vezes é necessário darmos uma pausa na rotina. E é isso que os italianos vêm nos ensinar com maestria.
Existe um costume na Itália refletido na expressão dolce far niente, que para nós pode ser compreendida como a doçura de não fazer nada. Essa filosofia de vida pode ser resumida em criar uma apreciação pelo ócio que vai contra todas as exigências desse mundo caótico.
É sentar-se em um café e apreciar a paisagem em volta sem consultar o relógio a cada três minutos, sentar em um banco de praça somente observando as pessoas, sentindo o vento, o calor do sol. É um viver sem se preocupar em ser produtivo o tempo todo.
Ainda lembro com ternura de um momento da vida em que podia chegar da escola, deitar em um banco sob uma árvore e passar horas lendo o livro da vez.
Porém não devemos nos deixar levar pelo saudosismo, é claro que os bons tempos de antigamente não voltam mais, pois a vida segue sempre em evolução, as tecnologias são substituídas e os hábitos mudam.
Mas quando nos atacar o sentimento de que as coisas estão indo rápido demais, vamos nos permitir apertar o pause e simplesmente tomar um café, abrir um livro e ler um capítulo ou dois, brincar com um cachorro na rua. Vamos aproveitar o silêncio para escutar o que nosso coração tenta nos dizer a todo momento. 
Nessa vida que é uma corrida sem fim, não esqueça de aproveitar a doçura do não fazer nada.
07/02/2026

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