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“Vós sois Sal da Terra e Luz do Mundo” — por Pe. Anderson Messina Perini

A Liturgia da Palavra deste 5º Domingo Comum prossegue com o Sermão da Montanha, primeiro discurso de Jesus no Evangelho de Mateus.

Por: Redação Fonte: Garça em Foco
04/02/2026 às 13h28
“Vós sois Sal da Terra e Luz do Mundo” — por Pe. Anderson Messina Perini

A Liturgia da Palavra deste 5º Domingo Comum prossegue com o Sermão da Montanha, primeiro discurso de Jesus no Evangelho de Mateus. O Mestre, depois de ter introduzido o sermão com as bem-aventuranças, por meio de símbolos do cotidiano, compara a exigência do Reino dos Céus ao ser Sal da Terra e Luz do Mundo.
A Primeira Leitura (Is 58,7-10), o Profeta Isaías apresenta as condições para ser Luz. Não basta o cumprimento de ritos estéreis e vazios. É necessário um compromisso concreto que leve o ser humano a ser um sinal do amor, da justiça e da misericórdia de Deus no meio do povo. Somente as obras de caridade e misericórdia podem dissipar as trevas do pecado, e iluminar, pela fé, os mais afastados de Deus. A Igreja, iluminada pela Palavra de Deus, aponta sete Obras de Misericórdia: dar de comer aos famintos; dar de beber aos sedentos; vestir os nus; acolher os peregrinos; visitar os enfermos; visitar os presos; sepultar os mortos.
A Segunda Leitura (1Cor 2,1-5), o Apóstolo Paulo adverte que ser “Luz” não significa colocar a esperança de salvação em esquemas humanos de sabedoria, mas identificar-se com Cristo. Paulo é modelo de ser discípulo de Cristo. Seu apostolado não tem eficácia na “linguagem elevada ou ao prestígio da sabedoria humana” (v.1), mas na vida totalmente inspirada no Evangelho e conformada a Cristo Crucificado. “Pois, entre vós, não julguei saber coisa alguma, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado. É neste caminho que podemos ser discípulos autênticos de Jesus Cristo: como Sal que transforma o mundo e Luz que ilumina em plenitude. 
No Evangelho (Mt 5,13-16), Jesus define a identidade de seu discípulo: ser “Sal da terra e Luz do mundo”. Para que serve o Sal? Para dar sabor à comida e conservar os alimentos. O que o Sal é para a comida, o cristão deve ser para o seu semelhante: tornar a religião apetitosa e agradável; ser o tempero que desperta o gosto pelas coisas de Deus, que dá o sabor à vida com entusiasmo, otimismo e alegria nascida de Deus, fonte de todo bem; ser um elemento que preserva o mundo da corrupção.
A presença do Sal na comida é discreta, mas atua eficazmente. O sal se dissolve completamente nos alimentos e se perde em agradável sabor. Só se nota quando há em excesso ou quando falta. Assim de ser o cristão: Sal da terra, humilde, derretido, saboroso, que atua de dentro, sem se destacar, mas sendo indispensável.
Todavia, o Sal jamais perde a sua qualidade. Os cristãos, porém, podem fazer o Sal perder seu sabor: retirando o vigor da mensagem de Jesus e das exigências do Evangelho. E o que fazer deles? “Não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora” (v.13).
Cristo reforça essa verdade ilustrando com outra figura: “Vós sois a Luz do mundo” (v.14). O que é a Luz para nós? Sinal de vida, calor, dinamismo e trabalho. Na Bíblia, a Luz tem um significado muito rico. Na Criação, recorda o primeiro ato do Criador. No Êxodo do Egito, a coluna de fogo guiava o povo para a Terra Prometida. O profeta Isaías compara o Servo do Senhor à “Luz das nações”. O próprio Jesus afirma: “Eu sou a Luz do Mundo; aquele que me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12). A Luz por excelência é o esplendor do Pai. É a Luz que dá sentido à vida, à dor e à própria morte. E Cristo não quer ser Luz sozinho. Por isso, nos convida também a sermos Luz. A Luz do Círio Pascal, que acendemos na Vigília de Páscoa e da qual recebemos a vela acesa no Batismo, é símbolo de nossa fé em Cristo Luz e Ressuscitado.
Para que serve a Luz? Para mostrar o caminho e revelar as belezas presentes na natureza. Sem a luz, não as enxergamos. O cristão deve ser uma luz acesa, apontando os caminhos da vida, da liberdade, do amor e da fraternidade. A Luz serve também para iluminar os objetos, não para ser contemplada em si mesma, nem para ficar escondida. O cristão não é a “Luz” em si, mas um “reflexo da Luz”: uma lâmpada que mostra as maravilhas que a ação de Deus realizou em nós. Diz Jesus: “Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16). O discípulo não deve preocupar-se em atrair sobre si o olhar das pessoas, mas em conduzir o olhar e o coração das pessoas para Deus e para o Reino. Devemos reconhecer “as boas obras” e glorificar o Pai, e jamais a nós mesmos.
Entretanto, ninguém é Luz por si próprio: é sempre ligado a uma fonte geradora. Assim como a lâmpada depende do gerador, nós dependemos da fonte que é Cristo para iluminar. E iluminamos na medida em que estivermos conectados ao Senhor. Essa união se realiza pela meditação da Palavra de Deus, pela comunhão eucarística e pela oração.
Portanto, essa é a nossa Missão: ser Sal da Terra e Luz do Mundo. Sal que preserva da corrupção e desperta o gosto pelas coisas de Deus. Luz que ilumina e se consome a serviço dos irmãos, iluminando o caminho que leva ao Pai. Os verdadeiros discípulos de Cristo dão cor e sabor a este mundo. Caso contrário, serão inúteis, jogados fora. Peçamos a Deus muita Luz para compreender essa missão e muita força para sermos, de fato: Sal da Terra e Luz do Mundo.


Pe. Anderson Messina Perini
Administrador Paroquial da Paróquia Jesus Bom Pastor de Santo André

 

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