
A Recicla Garça, referência em reciclagem de coleta seletiva no estado de São Paulo, vive seu momento mais difícil desde a sua inauguração, em 2021. A cooperativa de catadores está com as operações suspensas temporariamente desde 12 de março, devido à falta de recursos financeiros para sua operação.
Em nota divulgada à imprensa, a direção da entidade diz que apesar de inúmeras tentativas de diálogo com a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente e a prefeitura, a gestão alega inviabilidade de pagamento à cooperativa pelos serviços ambientais que prestam, boa prática amplamente recomendada por diversos órgãos de controle em todo o Brasil.
Sem os aportes financeiros da prefeitura, a Recicla Garça corre risco de encerrar suas atividades, deixando os cooperados em situação de vulnerabilidade socioeconômica e desmontando uma política pública que vem sendo construída há anos na cidade.
“Buscamos construir uma solução definitiva em parceria com a prefeitura. Desenhamos planos de trabalhos visando atender a demanda do projeto com todo respaldo técnico e aprovado pela cooperativa, com segurança e condições dignas de trabalho aos catadores. O município tende a perder no quesito sustentabilidade sem a cooperativa, impactando diretamente as famílias vinculadas à Recicla Garça, que puderam promover uma mudança em suas vidas e, ao mesmo tempo, oferecer a seus filhos um futuro digno. Quanto mais munícipes, empresas e entidades locais abraçando a causa da Recicla Garça, mais voz se dá a relevância do tema na sociedade”, comenta Cauê Pelegrineli, líder de Unidade da Recicla Garça.
A cooperativa vem operando no município desde 2021, e se dedicando a diversas ações socioambientais na cidade. É a responsável por ações de conscientização desde então, visitando residências, comércios, escolas, tudo para criar uma cultura de reciclagem em Garça. De acordo com a nota, a atual gestão alega que a operação da Recicla Garça é cara e que vai conseguir manter a destinação ambientalmente adequada da coleta seletiva por meio de uma nova cooperativa que supostamente vai conseguir manter a viabilidade e a dignidade dos trabalhadores apenas com a comercialização dos materiais coletados, mesmo sem apresentar qualquer estudo técnico de viabilidade que comprove sua teoria e não havendo precedentes de que isso seja possível em outras localidades do Brasil.
“Não foi apresentado qualquer estudo que demonstre que é possível fazer o trabalho que é feito na Recicla Garça sem o pagamento pelo serviço prestado pelos catadores. A cooperativa conta atualmente com uma infraestrutura modelo, difícil de encontrar em outras cidades nesse nível que foi montado aqui em Garça. Essa infraestrutura permite à cooperativa produzir com máxima eficiência e o menor custo por tonelada. O que foi apresentado para a prefeitura é uma conta com a remuneração de um salário mínimo por catador, pagamento de INSS, equipamentos de proteção individual e as despesas básicas do galpão, descontada a receita com venda dos materiais. É o mínimo de dignidade para um trabalho feito com dedicação, qualidade e grandes benefícios para a sociedade”, contextualiza Erich Burger, diretor do Instituto Recicleiros.
Toda a infraestrutura da cooperativa foi instalada sem qualquer investimento do município, com recursos de fontes privadas, deixando à disposição da cidade toda uma capacidade instalada para colaborar com o desvio de materiais recicláveis do aterro sanitário, o que poupa o meio ambiente e poupa recursos financeiros para o município. “Garça está perdendo aquilo que muitos municípios sonham em ter. É uma postura contestável da administração municipal”, reforça Burger.
Sobre a cooperativa Recicla Garça
Fundada em 2021, a cooperativa tem capacidade produtiva para processar até 240 toneladas por mês. Atua em parceria com a prefeitura, empresas locais e o Instituto Recicleiros, promovendo economia circular e inclusão social, beneficiando a cidade e os munícipes.
OUTRO LADO
A reportagem do Jornal Mais e portal Garça em Foco entrou em contato com a Secretaria de Comunicação da Prefeitura, bem como a Secretaria do Meio Ambiente, mas até o fechamento desta edição não havia um pronunciamento oficial sobre o caso.