
O dia 18 de janeiro de 2023 ficará para sempre gravado na memória do garcense Guilherme Sitta, de sua esposa Keila Escobar e da pequena Alice Sitta. Naquele inverno romano, em um auditório aquecido do Vaticano, o casal e a filha viveram um dos momentos mais marcantes de suas vidas: o encontro pessoal com o Papa Francisco, recentemente falecido, e a bênção especial concedida à sua filha, então com apenas dez meses de idade.
“Ao vê-lo pegar minha filha no colo e abençoá-la, fomos todos às lágrimas. Foi um dos momentos mais emocionantes de nossas vidas”, relembra emocionado o garcense Guilherme, ao comentar o encontro. Com a recente morte do pontífice o episódio ressurge na memória da família como uma bênção eterna e um privilégio raro.
A viagem à Itália era especial por si só. Guilherme, Keila, a filha Alice e Sônia Perez, mãe de Guilherme, partiram juntos em busca de experiências espirituais e familiares. Assis, terra de São Francisco, já era uma parada obrigatória para Sônia, devota do santo, mas foi em Roma que o inesperado aconteceu.
Sabendo que quartas-feiras são dias de audiência papal, a família se organizou com antecedência para garantir um lugar no auditório do Vaticano. O frio intenso do inverno europeu não diminuiu a expectativa. Após rigorosos procedimentos de segurança, conseguiram entrar, mesmo que um pouco atrasados, e se acomodaram mais ao fundo do salão. Ainda assim, a esperança de um contato com o pontífice se mantinha viva.
Guilherme relembra que ao final da audiência, o Papa Francisco percorreu o corredor central, saudando fiéis e, como era seu costume, dedicando atenção especial às crianças. Sua esposa Keila, preparada, ergueu Alice e, em italiano, chamou a atenção do Papa: “La bambina!”.
O assistente papal prontamente pegou Alice no colo e a levou até Francisco, que, mesmo já utilizando cadeira de rodas, a acolheu no colo e fez questão de abençoar a menina pessoalmente.
O relato de Guilherme, emocionado, revela a intensidade do instante único, carregado de espiritualidade: “No momento que minha filha foi no colo do Papa e ele a abençoou, nós três fomos imediatamente às lágrimas, aos prantos. Foi um dos momentos mais emocionantes de nossas vidas, para sempre inesquecível. Ficamos profundamente emocionados e impactados com o carinho que ele demonstrava pelas crianças. Mesmo com dificuldades físicas, ele fazia questão de abençoar cada bebê pessoalmente”, conta Guilherme.
O momento foi testemunhado também pela mãe de Guilherme, Sônia. O rapaz é fruto da união com o conhecido Italino Sitta — carinhosamente chamado de Italiano. Com o falecimento do Papa Francisco, a dor do luto se mistura à gratidão pela experiência vivida. Para Guilherme e sua família, a perda foi sentida de forma ainda mais profunda, pois o pontífice representava não só um líder espiritual, mas alguém que tocou suas vidas de maneira direta e afetuosa. “Ficamos muito tristes pois ele era um papa especial, humilde, que fazia questão de abençoar pessoalmente os bebês”, conta Guilherme.
O desejo de repetir a experiência com a segunda filha, Clara, que nasceu há dois meses, ficou interrompido pela partida do Papa. “Já tínhamos planejado a próxima viagem para o Vaticano pois minha segunda filha, Clara, nasceu há dois meses e iríamos levá-la para o Papa abençoá-la também, mas infelizmente não deu tempo. Agora vamos aguardar o próximo papa ser eleito para levar a nossa segunda filha lá também. Será mais uma experiência de fé que queremos viver em família”, conclui Guilherme, ainda emocionado.
UM PAPA
PRÓXIMO
O gesto de Francisco, de abençoar pessoalmente as crianças e acolher cada fiel com carinho, era marca registrada de seu pontificado. Conhecido por sua simplicidade e compaixão, o Papa argentino conquistou corações ao redor do mundo, quebrando protocolos e aproximando-se das pessoas comuns, como relatam outros fiéis e jornalistas que conviveram com ele em diferentes ocasiões.
A experiência da família Sitta é um testemunho vivo desse legado: um Papa que fazia questão de olhar nos olhos, de abençoar, de estar junto. Um líder espiritual que, mesmo em seus últimos momentos, manteve o compromisso de proximidade e amor ao próximo, especialmente aos menores.
GRATIDÃO
Para Guilherme, Keila, Alice e Sônia (fotos abaixo), a bênção recebida naquele janeiro gelado é uma herança espiritual que transcende o tempo. A emoção daquele instante se renova a cada lembrança, agora ainda mais forte com a despedida de Francisco. “A lembrança vem à tona e a gente sempre se emociona”, resume Guilherme, certo de que aquele momento permanecerá, para sempre, como um símbolo de fé, união e esperança para sua família.

