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Incêndio devastador coloca Garça entre os municípios que mais destruíram vegetação nativa

Incêndio ocorreu em setembro em uma estação da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL)

Por: Redação Fonte: G1
28/04/2025 às 07h57 Atualizada em 28/04/2025 às 08h30
Incêndio devastador coloca Garça entre os municípios que mais destruíram vegetação nativa

Garça sempre foi bem abaliada na questão da preservação ambiental. Mas bastou um incêndio para mudar o cenário e colocar o município, assim como seu vizinho Álvaro de Carvalho, entre os que mais registraram destruição de vegetação nativa no estado em 2024. As cidades ocupam, respectivamente, o segundo e o terceiro lugares no ranking estadual, atrás apenas de Barretos. Os dados estão num levantamento divulgado pelo Painel Verde, do Governo do Estado de São Paulo.

Segundo a Polícia Ambiental, um dos principais fatores que contribuíram para a devastação foi um incêndio de grandes proporções iniciado em setembro em uma estação da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). Segundo o tenente Lopes, da Polícia Militar Ambiental do Estado de SP, o incêndio na estação consumiu 189 hectares em área de preservação. Em entrevista ao site G1, o militar também citou outros prejuízos adjacentes à ocorrência.

"Além disso, a fauna local também é severamente atingida, pois a vegetação nativa e ampla do local serve de lar para diversas espécies, inclusive de grande porte e no topo da cadeia alimentar. Essas espécies podem, inclusive, fugir para rodovias próximas, aumentando o risco de acidentes. Por último, podemos elencar a questão da fumaça, que prejudica muito a saúde dos moradores locais e de cidades próximas da região", explica.

A investigação apontou que a área onde o incêndio começou não recebia a manutenção adequada. A perícia técnica revelou que mais de 2 mil hectares foram afetados em 31 propriedades, incluindo Áreas de Preservação Permanente (APPs). Como resultado, foram emitidos 75 autos de infração ambiental. A CPFL foi multada em R$ 12 milhões por sua responsabilidade no caso, segundo a Polícia Ambiental. Em nota divulgada na época, a empresa lamentou o ocorrido, mas negou responsabilidade, afirmando que apresentaria sua versão dos fatos no momento oportuno.

"O principal obstáculo dessa regeneração natural é principalmente a ação humana, quando é utilizado o local para agropecuária, seja para plantio de diversas culturas, ou seja, para a utilização também de animais, principalmente bovinos, que acabam pisoteando áreas ali de APP e dificultando a regeneração nativa da vegetação nesses locais, principalmente ao redor de nascentes, que são de suma importância para a preservação dos recursos hídricos da região" conta.

Ainda de acordo com o tenente, a Polícia Militar Ambiental embargou o local para que não ocorra nenhum tipo de utilização na área da agropecuária, visando à recuperação da vegetação nativa que foi atingida.

Em resposta aos questionamentos da Tv Tem, a companhia disse que, após avaliação técnica, não tem responsabilidade pelo incêndio que atingiu propriedades da região de Marília e que já apresentou toda a defesa técnica e aguarda a decisão sobre o tema. A Prefeitura de Álvaro de Carvalho informou que as áreas atingidas eram compostas por plantações de eucalipto e pastagens, e destacou que a orientação municipal é voltada à prevenção por parte dos proprietários rurais. Já a Prefeitura de Garça declarou que o fogo teve início em uma propriedade localizada em Álvaro de Carvalho e, posteriormente, se espalhou para as áreas do município.

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