
Garça perdeu nas primeiras horas desta quarta-feira um de seus cidadãos mais ilustres, o sapateiro aposentado Miguel Camilo, aos 85 anos de idade. Com mais de sete décadas dedicadas à arte da profissão, Miguel Camilo não apenas manteve viva a tradição do trabalho manual na confecção e conserto de sapatos, mas também se tornou um símbolo de resistência em meio a um mundo cada vez mais automatizado.
A história de Miguel Camilo se entrelaça com a evolução do comércio de calçados em Garça. Em uma época em que as opções de compra eram limitadas e o artesanato tinha um papel fundamental na vida das pessoas, os sapateiros desempenhavam um papel crucial. Ao longo dos anos, Miguel passou por diversas sapatarias na cidade, deixando sua marca em cada uma delas.
Miguel Camilo não era apenas um sapateiro habilidoso, mas também um mestre em sua arte, aprendendo o ofício com colegas renomados, como Mário Tech, Gino Midena e Virgínio Signoretti. Suas habilidades não passaram despercebidas, chegando ao ponto de sua reputação ultrapassar os limites de Garça e ser reconhecida até mesmo na capital.
Apesar das dificuldades, Miguel Camilo deixou um legado valioso não apenas para a comunidade de Garça, mas também para seus filhos, a quem transmitiu valores de trabalho árduo, honestidade e respeito. Seu compromisso com a qualidade e a tradição da sapataria permanecerá como um exemplo a ser seguido.
Miguel Camilo deixa não apenas um legado profissional, mas também um legado de valores e princípios que continuam a inspirar aqueles que tiveram a honra de conhecê-lo. Com a partida de Miguel Camilo, Garça perde não apenas um sapateiro extraordinário, mas também um verdadeiro guardião da tradição e da excelência na arte da sapataria.
Viúvo, Miguel Camilo deixou os filhos Miguel, Carlos, Júlio, Rita e Silvia. Seu corpo será velado na Sala 03 do Velório Municipal, e o sepultamento ocorre às 10 horas dessa quinta no Cemitério Santa Faustina.