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Dízimo: gesto de partilha e amor

Pe. Anderson Messina Perini, fala da importância do dízimo, fonte de renda que a paróquia paga suas contas e pode investir na evangelização e na caridade.

19/07/2021 09h53
Por: Francisco Alves Neto Fonte: Da redação
Padre Anderson Perini, Pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo de Garça
Padre Anderson Perini, Pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo de Garça

A Diocese de Marília, território que compreende as paróquias da Alta Paulista entre Garça a Panorama, celebram neste mês de julho o dízimo consciente. Na paróquia São Pedro de Garça é uma tradição que vem desde os tempos que o dízimo foi implantado como contribuição em favor da sustentação da paróquia. De fato, a paróquia não recebe outra fonte de renda a não ser as doações de centenas de fiéis que com fidelidade retribuem o seu dízimo a Deus. É com esta fonte de renda que a paróquia paga suas contas e pode investir na evangelização e na caridade.

O dízimo tem quatro características. Primeiro é uma relação direta com Deus que pela experiência de fé reconhece com o dízimo como seu Senhor e agradece pelos dons que ele nos concede. É um compromisso moral para sustentar a evangelização da Igreja. A quantia não é fixada em valores, mas de acordo com a consciência de cada um, com aquilo que possível de nossa generosidade. E, por fim, é uma contribuição periódica, mensal ou até anual, de acordo com nossa fonte de renda.

Nas Sagradas Escrituras encontramos a fundamentação para a compreensão do dízimo. Segundo Levítico (25,23) Deus é o Senhor de tudo o que existe, proprietário de toda a terra onde provém alimento e fonte de toda bênção. Ao entregarmos nosso dízimo a Deus, reconhecemos que tudo vem dele (1 Cr 29,11.14). É um sinal de gratidão e reconhecimento, o qual devemos dar o que tem de melhor.

Nos ciclos dos Patriarcas, vemos a primeira experiência do dízimo em Abraão, pai da nossa fé. Ao vencer uma batalha contra os reis cananeus, Abraão decide dar a Deus o dízimo de seus despojos vindos da vitória da guerra. Reconhece que foi Deus que lhe proporcionou a vitória (Gn 14,20). Depois, temos o neto de Abraão, Jacó, que se dispõe a oferecer o dízimo como resultado de sua experiência com Deus em Betel. Em ambos os casos foi um reconhecimento e gratidão pela dádiva de Deus.

Nos textos de Moisés, o dízimo se torna um preceito a fim de servir de ajuda no sustento dos sacerdotes; no auxílio aos necessitados: o migrante, a viúva e o órfão, para não ficar desamparados; e um meio pedagógico a fim de exercitar o temor do Senhor, como fidelidade a Aliança.

Nos profetas, o dízimo passa a ser visto com outra perspectiva. Amós condena o culto sem arrependimento e a conversão e os dízimos descompromissados. Opõe-se a peregrinação ao santuário sem um compromisso com a vida e com a justiça (Am 4,4-5). Malaquias recorda ao povo o tema da Fidelidade à Aliança com Deus e à conversão. 

O povo começa a desonrar o Senhor em pensamentos, nos sacrifícios e oferendas, nas palavras e, como resultado, oferecem no altar do Senhor o resto, animais impuros, cegos, coxos e enfermos (Ml 13,8-10) e se tornam infiéis aos dízimos e ofertas. Resumindo, os profetas releem o dízimo no seu sentido profundo: a Fidelidade à Aliança. O dízimo não pode ser formalismo cultual sem a espiritualidade de que necessita ser revestido.

Em Jesus, a semelhança dos profetas, opõe-se ao comportamento farisaico por se preocuparem de dar o dízimo e negligenciarem a justiça, a misericórdia e a fé (Mt 23,23; Lc 11,42). Na parábola do publicano e do fariseu, Jesus nos ensina de que nada adianta seguir os preceitos de Deus e pagar o dízimo sem conversão (Lc 18,9-14).

A partilha de bens é praticada pelos discípulos de Jesus, mesmo não sendo formalmente o dízimo, e é referencial importante para sua compreensão. Os Evangelhos narram a experiência de pessoas que tiveram a graça de encontrar Jesus e decidiram en-tregar seus bens para o Senhor. Destacam os discípulos que o ajudavam com os seus bens (Lc 8,1-3). Entre os discípulos de Jesus havia uma bolsa em comum (Jo 13,29). A eles Jesus apresentou o exemplo da viúva pobre que com duas moedinhas ofereceu “tu-do o que tinha para viver” a Deus (Mc 12,41-44)

Este percurso bíblico nos leva a perceber que a consciência do dízimo parte do reconhecimento a Deus e a gratidão a Ele. O princípio segundo Antigo Testamento é baseado na Fidelidade à Aliança que o Senhor fez com o seu povo, o qual o povo é exortado a corresponder. No entanto, o desafio perpassa pela pregação profética e os ensinamentos de Jesus, que se prolonga no Novo Testamento, que a entrega do dízimo não pode estar isenta ao seu significado que é interior: “conforme tiver decidido em seu coração”. O dízimo é baseado no amor a Deus relacionado com a prática da misericórdia e da justiça. Se o nosso dízimo for assim, com certeza realizará a promessa de São Paulo, o qual diz: “Deus ama quem dá com alegria”.

 

 

 

 

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