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O Sentido Cristão da Vida

Veja artigo do padre Anderson Pe. Anderson Messina Perini, Pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo de Garça

Por: Francisco Alves Neto Fonte: Da redação
18/06/2021 às 11h13
O Sentido Cristão da Vida

No símbolo da Fé Cristã, popularmente chamada de oração do Creio, professamos a Vida Eterna e a vinda do Reino de Deus. Diante dos quase meio milhão de mortes causados pela pandemia covid-19 em nosso país e 3,83 milhões no mundo é necessário entender e dar sentido a vida, e a fé cristã tem a chave para entendermos.

Primeiramente, a causa da morte não está em Deus, nem mesmo a doença, os sofrimentos e as tribulações. O mal existe no mundo por consequência do mal moral, isto é, do pecado. Se lermos o livro do Gênesis (3,1-24), a narrativa do Pecado Original, perceberemos que quando Deus criou o céu e a terra e tudo o que existe, não criou o homem para um mundo de caos e maldade, mas o criou em um jardim perfeito e harmonioso para viver para sempre, num reino de felicidade, de amor e de paz. Mas Deus deu uma prova, que não comecem da árvore que encontrava no meio do jardim, a qual daria o conhecimento do bem e do mal. Enganados pela serpente, símbolo de Satanás, o adversário de Deus, o anjo caído pela maldade, o primeiro casal pecaram pela desobediência, incredulidade e orgulho, e por consequência trouxeram o mal físico no mundo. Ao mesmo tempo em que Deus anuncia o alcance do pecado, proclama uma boa nova, chamada pelos Padres da Igreja de Protoevangelho (Gn 3,15), de que uma descendente de mulher esmagaria a cabeça da serpente, ou seja, anuncia a vinda do Salvador.

Este Salvador é Jesus Cristo, o descente da mulher, o filho bendito da Virgem Maria, a nova Eva, que por obra do Espírito Santo, nasceu em seu seio. Jesus é o Deus Encarnado, a Palavra de Deus pelo qual foi feita todas as coisas e que por amor a humanidade e para restaurar a criação foi enviado pelo Pai a fim de realizar a obra da Redenção. Esta Salvação foi nos alcançada pelo seu Mistério Pascal: a Paixão, Morte na Cruz, Ressurreição e Ascensão de Cristo. Ele venceu a Morte e o Pecado pela sua fidelidade a Deus Pai e nos ensinou o caminho para alcançarmos a vida. Ao invés da desobediência, a obediência a Lei de Deus, sendo obediente até a morte de cruz. Ao invés da incredulidade, nos mostrou que a confiança total a Deus gera a vida e santidade. É necessário termos fé no Senhor e confiar em sua Palavra e em seu caminho. Ao invés do orgulho, a humildade, pois Jesus sendo Deus desde toda eternidade, se humilhou se fazendo um homem pobre e humilde, na condição de escravo, assumindo nossos pecados, e nos mostrou que o caminho para vida e santidade passa pela humildade e mansidão.

Se sofremos a tribulação do covid-19 em nossos tempos, não nos enganemos que é uma fatalidade, é resultado do pecado dos homens, enumero aqui três pecados sociais. 1) A degradação dos bens da criação: exploração desproporcional dos recursos naturais, destruição de florestas e extinção de animais e plantas. De guardiães da criação, passamos a seus destruidores. 2) A exploração dos seres humanos: vivemos em tempos de escravidão disfarçada, em nosso país somos 14 milhões de desempregados e muitas famílias estão na penúria da fome, colocando nosso país novamente no mapa da fome, o que não é apenas problemas políticos ou dedução da pandemia, mas falta de projetos sociais de inclusão e emprego dignos. Deus quer um reino onde tenha dignidade para todos e todos tenham o necessário à sua sobrevivência, essa é o verdadeiro conceito de paz. 3) A instrumentalização da ciência e da política aos interesses que favoreçam as grandes corporações militares e industriais, a pequenos grupos que detém o poder do “deus” dinheiro. Deus quer promover a ciência e a política em prol ao bem comum e a promoção de todos os homens que vivem em harmonia com os dons da criação.

Diante de tudo isso, nos parece que a escravidão faraônica e o exílio da Babilônia nos narrada no Antigo Testamento permanece de outra forma em nossos dias. Mas Deus enviou o seu Filho ao mundo para implantar o Reino de Deus e sua justiça, e isto se consumará no fim dos dias, onde retornará em sua glória para pôr fim a este mundo de maldade. Cabe cada um de nós convertemos de nossos pecados, lutarmos pela justiça e a caridade e sermos promotores deste Reino dos Céus. Neste artigo consegui esboçar uma primeira parte, cabe um segundo artigo para falarmos sobre a vida além da morte, que escreverei na próxima edição.

 

Pe. Anderson Messina Perini

Pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo de Garça

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