
No último dia 21 de novembro de 2022 a cidade de Garça e a diocese de Marília, da região da Alta Paulista, deu seu adeus ao Padre Cecílio Davi, ordenado padre há 11 meses e por 30 anos diácono. Nestes anos de ministério pastoral, exerceu sua vida consagrada a Deus e a Igreja em diversas cidades da Alta Paulista: Junqueirópolis, Oriente, Ouro Verde, Monte Castelo, Marília nas paróquias da zona sul: Nossa Senhora de Guadalupe e Santa Rita de Cássia; Arco-íris e por 14 anos praticamente em Garça.
Um homem caridoso e prestativo com todos, sempre solícito no exercício pastoral na visita às famílias, na consolação aos enfermos e famílias enlutadas, no atendimento espiritual e nas celebrações litúrgicas. Amigo e companheiro dos padres. Ele deixará saudades para todos nós.
Padre Cecílio nasceu em Presidente Alves, morou por um tempo no estado do Paraná e depois em Marília. De família muito simples e da roça, não teve oportunidade de estudos na infância. Trabalhou desde cedo para ajudar a sua família. Quando mudaram para Marília em 1978, com 24 anos, participou mais assiduamente na Igreja no grupo dos vicentinos da Paróquia Sagrada Família.
A partir de 1983, participava da Comunidade Santa Antonieta, pertencente ainda à Paróquia São Miguel, como Catequista, Legionário e Congregado Mariana. É nos Marianos que ele fez os retiros de espiritualidade e demonstrou seu desejo vocacional de ser padre.
Quem o acompanhou no discernimento vocacional foi Padre Ângelo Fornari, da Congregação de Jesus Sacerdote, que o encaminhou a Dom Daniel Tomazella, bispo diocesano de Marília na época, para ser padre diocesano. Ele entrou no seminário em 1986, e primeiramente terminou os estudos do Ensino Fundamental e Médio.
Como havia dificuldades na área de Exatas, teve dificuldades para entrar no Seminário Maior para os estudos de Filosofia e Teologia. Assim, Dom Daniel propôs a ordenação diaconal para o serviço pastoral na Igreja, pois via nele sinais vocacionais.
Foi ordenado diácono em 8 de agosto de 1992, na Igreja de Santa Antonieta, em Marília, e designado para a Paróquia Santo Antônio de Junqueirópolis. Quando esteve em Marília, fez os estudos teológicos no Curso de Teologia para Leigos e Consagrados.
Nesses 30 anos de ministério diaconal, nunca perdeu a esperança do chamado vocacional ao sacerdócio. Em 2013, com a nomeação de Dom Luiz Antônio Cipolini como bispo diocesano, apresentou seu desejo ao sacerdócio. Em 10 de dezembro de 2021, na Igreja Matriz de São Pedro de Garça foi ordenado padre.
Nesses últimos meses, no exercício sacerdotal, apresentava sua alegria de celebrar a Eucaristia. Sempre esteve presente nas orações e celebrações eucarísticas, mesmo quando não as presidia. Seu atendimento espiritual, sobretudo, nas confissões era bem requisitado pela sua mansidão e sabedoria. Seu trabalho pastoral se expressa bem no seu lema sacerdotal: “Vendo as multidões, compadeceu-se delas” (Mt 9,36).
Cremos na Vida Eterna e na Ressurreição. Neste dia 21 de novembro, não demos um adeus definitivo. A morte para o cristão é Páscoa, pois o próprio Jesus nos ensina em seu Evangelho: “Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que crê em mim, não morrerá jamais” (João 11,25-26).
Padre Cecílio passou desta vida para eternidade, está sua alma junto de Deus, enquanto seu corpo repousa na nossa cidade, na Capela Santa Rosa de Lima, do cemitério municipal, aguardando o dia da ressurreição da carne no último dia.
Seu corpo plantado na terra é semente de ressurreição e imortalidade, mas sua alma está junto de Deus. Tenhamos a esperança, que essa grande páscoa que Cecílio empreendeu é sinal de que quando chegar a nossa hora encontraremos com ele novamente em Jesus Cristo. Mas enquanto não chega essa hora, rezemos pelo o consolo de Deus.
Nossa oração aos falecidos, como diz Papa Emérito Bento XVI, é nosso carinho e expressão de nossa amizade. Não é com ouro e prata que ganharemos o céu, nem com títulos e honras, mas com nossas virtudes e nossa fé em Jesus, nosso Senhor. O que permanece para sempre, como nos recorda São Paulo (1 Cor 13), é a amizade, laço que nos une e que proclamamos em toda missa: o amor de Cristo nos uniu.
Pe. Anderson Messina Perini
Pároco da Paróquia São Pedro
Apóstolo de Garça