Quinta, 06 de Maio de 2021
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A Festa da Divina Misericórdia

Veja artigo do padre Anderson Pe. Anderson Messina Perini, Pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo de Garça

09/04/2021 22h51
Por: Francisco Alves Neto Fonte: Da redação
A Festa da Divina Misericórdia

São João Paulo II instituiu para o 2º Domingo da Páscoa o Domingo da Divina Misericórdia. O fundamento disto é que um fruto da ressurreição é o perdão e a misericórdia dado por Cristo Ressuscitado aos apóstolos quando os apareceu no dia da Ressurreição. Jesus diz no evangelho desse domingo: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados eles lhes serão perdoados” (João 20,23). Nestas palavras está a instituição e o fundamento do Sacramento da Reconciliação e da Misericórdia. A inspiração para este domingo está presente também no diário de Santa Faustina, a propagadora da devoção a Divina Misericórdia: “A Festa da Misericórdia saiu das Minhas entranhas. Desejo que seja celebrada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa. A humanidade não terá paz enquanto não se voltar à fonte da Minha misericórdia” (Diário de Santa Faustina, nº 699). 

A palavra misericórdia vem do latim, da junção de duas palavras: miserere, que significa ter compaixão ou dor por alguém; e cordis, que significa coração. Assim, misericórdia significa sentir compaixão de coração por alguém, ter capacidade de sentir aquilo que a pessoa sente, aproximar seus sentimentos dos sentimentos de alguém, ser solidário com outras pessoas. Jesus, neste sentido foi mestre da misericórdia, pois em seus milagres se evidencia a compaixão e a solidariedade pelas pessoas mais aflitas e desamparadas, doentes e pobres. 

Como diz o Papa Francisco: “Misericórdia se faz misericordiando”, isto é, com atos concretos de solidariedade e caridade com o próximo. Tanto que no compêndio do Catecismo da Igreja Católica se encontra uma lista de sete atos de misericórdia. Sete corporais: dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, dar abrigo aos peregrinos, visitar os enfermos, visitar os presos, e sepultar os mortos. E sete espirituais: dar bons conselhos, ensinar os que não sabem, corrigir os que erram, consolar os tristes, perdoar as ofensas, suportar com paciência as fraquezas de nosso próximo, rezar pelos vivos e pelos falecidos.

A Divina Misericórdia não é um sentimento, é uma graça, o perdão pelos nossos pecados manifestados pelo poder redentor de Cristo na sua Páscoa, é do coração chagado pela lança que transbordou água e sangue, que derrama sobre nós a sua misericórdia. 

Esta graça de seu coração, transmitida pelos sacramentos do Batismo e da Eucaristia, que faz com que o pecador se converta, perceba suas faltas e acolha a misericórdia de nosso Deus, que quer a vida, a conversão, o perdão de nossos pecados, pois sabe de nossas fraquezas. O homem não conseguirá sua libertação pelos seus próprios esforços, mas é abraçando a Divina Misericórdia. “A Misericórdia de Deus é a perfeição da Sua ação, que se debruça sobre os seres inferiores com o objetivo de retirá-los da miséria e de completar as suas falhas − é a Sua vontade de fazer o bem a todos que sofrem alguma sorte de deficiências e eles mesmos não têm condições de completá-las. O ato singular de misericórdia é a compaixão, e o estado imutável de compaixão − a misericórdia” (Pe. Miguel Spocko).

Depois do Batismo, o melhor meio para obtermos a Divina Misericórdia é pelo Sacramento da Reconciliação. A Confissão é o sacramento que renova a graça batismal e apaga os nossos pecados, pois depois das águas do Batismo, são as lágrimas da Penitência que nos liberta. Jesus continua a nos chamar a abraçar sua misericórdia, por meio de um coração contrito e arrependido, com sede de conversão e cheio de arrependimento. 

A Divina Misericórdia não se abraça como mágica, mas apenas por meio daquele que esteja tocado pelo amor de Deus, reconheça as suas faltas e pecados e se arrependa profundamente. Um coração contrito é um coração dolorido por ter ofendido a Deus e aos irmãos. É aquele que se deixa persuadir pelo Espírito e toma consciência do pecado. É a Luz da chaga do coração de Cristo que abre o nosso entendimento a situação de pecador e concede ao coração do homem a graça do arrependimento e da conversão.

Aproveitemos este tempo de tribulação e pandemia para deixarmos que a Luz do Senhor nos ilumine e converta o nosso coração ao seu coração misericordioso. Voltemos nosso olhar para Cristo e ele estará esperando por nós.

 

Pe. Anderson Messina Perini

Pároco da Paróquia São Pedro 

Apóstolo de Garça

 

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