
Entre a queda no preço e as dificuldades impostas pelo clima, produtores de maracujá do interior paulista estão sendo obrigados a se reinventar para manter a produção viável em 2026. Em Gália, a realidade no campo mostra que técnica e persistência têm sido tão importantes quanto a própria lavoura.
O produtor José Roberto Martineli cultiva cerca de 2,5 mil pés em uma área de três hectares. Apesar do trabalho intenso, o retorno financeiro preocupa: a caixa de aproximadamente 20 quilos deve ser comercializada por cerca de R$ 40 — menos da metade do valor registrado no fim do ano passado, quando chegou a R$ 100.
Além do mercado desfavorável, o clima também pesou contra. As temperaturas mais baixas em 2025 prejudicaram diretamente a formação dos frutos, reduzindo o potencial produtivo da safra atual.
Diante desse cenário, a saída encontrada foi apostar em técnica própria. Martineli desenvolveu um método de condução da planta que prioriza o crescimento de cinco brotos na parreira, aumentando a quantidade de guias e, consequentemente, o número de frutos.
Segundo ele, o manejo tradicional com apenas dois brotos limita a produção. Com a adaptação, a meta é ambiciosa: alcançar até duas mil caixas no período mais valorizado do mercado, em dezembro.
A cerca de 40 quilômetros de Gália, em Alvinlândia, outra família também mostra que o segredo está no trabalho intenso. Em uma área de um hectare, com 830 pés de maracujá, o cultivo é feito com atenção total aos detalhes, incluindo a polinização manual — etapa essencial para garantir produtividade.
A expectativa é otimista. A projeção para 2026 é colher até três caixas por pé, o que pode resultar em aproximadamente 35 mil quilos da fruta.
Apesar das dificuldades, o discurso entre os produtores é direto: o cultivo exige dedicação constante. Não há espaço para descuido.
A rotina no campo reforça que, mais do que técnica, a produção de maracujá depende de disciplina e presença diária — inclusive nos fins de semana. É essa combinação que tem permitido aos agricultores enfrentar um cenário instável e manter viva uma cultura importante para a região.