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Kirongozi, O mestre caçador! E o seu refúgio em Álvaro de Carvalho

Por Rudi Ribeiro Arena e Vicente Aranha Conessa, fundadores do Piramba.

Por: Redação Fonte: Piramba
10/02/2026 às 09h40
Kirongozi, O mestre caçador! E o seu refúgio em Álvaro de Carvalho

Biografia

Nascido em 1926 em uma influente família brasileira, Jorge Alves de Lima desembarcou na África Equatorial Francesa aos 22 anos. Levava consigo apenas o essencial para sua jornada: uma câmera Kodak Medalist e um rifle Holland & Holland de cano duplo.

Nas duas décadas seguintes, Jorge consolidou uma reputação lendária no continente africano. Atuou como caçador profissional e empresário, fundando e gerindo companhias de safari em Angola e Moçambique — com destaque para a renomada Kirongozi Angola Safaris. Sua paixão pela vida selvagem também o trouxe de volta ao Brasil, onde caçou onças-pintadas na imensidão do Pantanal.

Jorge partiu em 4 de maio de 2024, no conforto de seu lar em São Paulo. Deixa um legado sólido: cinco filhos, nove netos, uma bisneta e a Fundação Kirongozi, sediada em sua fazenda em Álvaro de Carvalho. O nome da fundação honra seu título em kiswahili: Kirongozi, que significa "mestre caçador". O apelido, que o acompanhou desde os tempos de expedição, foi imortalizado em 1957 no documentário homônimo que protagonizou.

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Em 1960, Jorge fundou a Kirongozi Angola Safaris Limitada, consolidando sua presença no setor. Além dela, foi sócio de outras duas importantes companhias: a Tanganika (em parceria com Stanley Lawrence-Brown) e a Mozambique Safariland (ao lado do barão Werner von Alvensleben e de Mario de Abreu). Sua reputação atraiu uma clientela de prestígio internacional, incluindo o Rei Juan Carlos da Espanha, o magnata grego Stavros Niarchos, os escritores Robert Ruark e Tony Sanchez-Ariño, e o então produtor da Warner Bros. na Europa, Óscar Brooks.

Atualmente, o nome Kirongozi batiza a fazenda que Jorge considerava seu "pedaço da África" no Brasil. Localizada em Álvaro de Carvalho, no interior de São Paulo, a propriedade já abrigou leões e, hoje, é o lar de cinco tigres siberianos. Os felinos vivem em recintos monumentais — com metragens superiores a muitas residências — equipados com piscinas exclusivas, refletindo o cuidado e o respeito dedicados aos animais.

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Formado em Ciências Políticas pela Universidade de Bradley no final dos anos 40, Jorge Alves de Lima desafiou o destino que lhe fora traçado. Contrariando a vontade do pai, que tentou impedir sua partida, ele trocou o conforto da elite brasileira pelo sonho de se tornar caçador profissional. Desembarcou na África Equatorial Francesa em 1948 munido de um rifle calibre .30-06 e uma disposição inabalável: durante os dois primeiros anos, sua morada foi uma choupana, e sua rotina, a sobrevivência em regiões inóspitas.

Eram tempos de expedições épicas, que podiam durar de 30 dias a um ano — um contraste profundo com o mundo moderno que Jorge tanto criticava por seu ritmo frenético e tecnológico. “Abomino tudo o que é tecnológico”, afirmava, nostálgico de uma África selvagem, de tribos ancestrais e perigos constantes que moldaram seu caráter e sua reputação.

Sua trajetória é marcada por uma personalidade complexa e fascinante. Embora tenha abatido elefantes pelo marfim, Jorge mantinha um compromisso ético com as populações locais: a carne de animais de seis toneladas — impossíveis de serem abatidos com as lanças e flechas dos nativos — era inteiramente doada, garantindo o sustento de comunidades inteiras. Esse apoio, somado à assistência médica que oferecia, perpetuou seu nome na memória das populações rurais de Angola e Moçambique.

Como empresário, foi pioneiro ao fundar três companhias de safari, estampando sempre a bandeira do Brasil em sua caminhonete. No entanto, sua jornada africana foi interrompida por uma tragédia: enquanto buscava clientes na Europa, recebeu um telegrama informando que guerrilheiros em Angola haviam saqueado seu acampamento e assassinado cerca de oito funcionários. "Tive perdas materiais, mas as perdas sentimentais foram enormes. Fiquei desgastado", relembrava sobre o episódio que encerrou seu ciclo no continente.

De volta ao Brasil, após uma tentativa de caçar tigres na Índia, estabeleceu-se no interior de São Paulo. Em sua Fazenda Kirongozi, em Álvaro de Carvalho, transformou o conhecimento adquirido na selva em um santuário pessoal. Lá, substituiu a caça pela pecuária premiada de Nelore e pela criação cuidadosa de tigres siberianos e leões.

As paredes de seu casarão são hoje um museu vivo. Fotos emolduradas, captadas por sua fiel Kodak Medalist II — ainda exposta em um tripé no salão —, narram o encontro com os "Big Five" (leão, leopardo, elefante, búfalo e rinoceronte). Jorge Alves de Lima deixou seis livros publicados, legando às futuras gerações não apenas crônicas de aventura, mas uma lição sobre como o verdadeiro caçador pode ser, paradoxalmente, um dos maiores conservadores da vida bravia.

 

A Fazenda Kirongozi em Álvaro de Carvalho-SP

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Logradouro: Bairro Rural, CEP: 17410-000, Rod Comunidade, caixa postal 105.

Município: Álvaro de Carvalho

UF: SP

Área do Imóvel: 1730,48 hectares

 
https://www.flickr.com/photos/pirambamtb/53660646341/in/album-72177720316277865

A Fazenda hoje possui grande parte de sua área arrendada para o plantio de eucalipto. Porém, preserva uma área expressiva e densa de vegetação nativa, embora em 2024 a propriedade rural tenha sofrido com as queimadas resultante de grandes incêndios que ocorreram em  Garça e Álvaro de Carvalho.

Muitos ribeirões nascem e correm pela propriedade. O lugar tem paisagens deslumbrantes e esconde diversas cachoeiras totalmente inexploradas, algumas bem altas outras nem tanto. Também há uma represa na fazenda. Hoje não há mais criação de gado. Cinco tigres permanecem no recinto e habitam jaulas enormes, eles são muito bem cuidados. Existe uma bela e ampla casa com uma grande piscina ao lado que possui decoração de leões. Também existem casas para os trabalhadores da propriedade.

Uma empreitada da Fundação Kirongozi está por vir. Na fazenda, foram construídos chalés, quiosques, cozinha, salão de festa, entre outras coisas. A ideia parece que é servir de hospedagem e que abra para visitação para quem quer ver os tigres. Também tem potencial de disponibilizar outros serviços turísticos, servir refeições, oferecer passeios, trilhas, pesca, ida a cachoeiras.   

 

Cobertura do Solo

Área de Remanescente de Vegetação Nativa : 473,29 hectares

Área de Uso Consolidado: 1227,91 hectares

Área de Servidão Administrativa: 10,01 hectares

 

A FUNDACAO KIRONGOZI ALVES DE LIMA

A seguir, a definição da fundação Kirongozi em seu perfil no Instagram:

“A Fundação Kirongozi tem como missão preservar a história de Jorge Alves de Lima Filho e garantir o bem-estar dos animais que vivem em sua fazenda, no interior de São Paulo — um espaço que se tornou símbolo de respeito à natureza e convivência harmoniosa com a vida selvagem.

Com foco em conservação, cuidado e educação ambiental, seguimos inspirando pessoas a se reconectarem com a natureza e a valorizarem a vida em todas as suas formas.

Se você deseja contribuir com a preservação da vida selvagem ou viver uma experiência autêntica em meio à natureza, entre em contato conosco para doações, reservas de hospedagem ou eventos privados.

Cada contribuição ajuda a manter viva a essência do Kirongozi — um legado de coragem, respeito e amor pelos animais.”

Dados: O CNPJ da empresa FUNDACAO KIRONGOZI ALVES DE LIMA FUNDACAO KIRONGOZI é 35.632.545/0002-86. Com sede em ALVARO DE CARVALHO, SP, possui 5 anos, 3 meses e 9 dias e foi fundada em 06/10/2020. A sua situação cadastral é ATIVA e sua principal atividade econômica é Atividades de associações de defesa de direitos sociais.

 

Dados da Fundação Kirongozi:

O CNPJ da empresa FUNDACAO KIRONGOZI ALVES DE LIMA FUNDACAO KIRONGOZI é 35.632.545/0002-86. Com sede em ALVARO DE CARVALHO, SP, possui 5 anos e foi fundada em 06/10/2020. A sua situação cadastral é ATIVA e sua principal atividade econômica é atividades de associações de defesa de direitos sociais.

·        Razão Social: FUNDACAO KIRONGOZI ALVES DE LIMA

·        Nome Fantasia: FUNDACAO KIRONGOZI

·        Data de fundação: 06/10/2020

·        Situação Cadastral: Ativa

Descrição das atividades na receita federal:

·       Atividades de associações de defesa de direitos sociais

·       Serviço de inseminação artificial em animais

·       Serviço de manejo de animais

·       Conservação de florestas nativas

·       Atividades de apoio à produção florestal

·       Pesquisa e desenvolvimento experimental em ciências físicas e naturais

·       Atividades veterinárias

·       Regulação das atividades de saúde, educação, serviços culturais e outros serviços sociais

·       Atividades de jardins botânicos, zoológicos, parques nacionais, reservas ecológicas e áreas de proteção ambiental

Entrevista de Jorge Alves de Lima com Ernesto Paglia

Na década de noventa houve um chamado na rede Globo para uma reportagem sobre um parque da África. O repórter Ernesto Paglia tinha feito uma reportagem sobre o parque Tsavo de animais no Quênia e também entrevistou o nosso famoso Jorge Alves, por ter sido  caçador africano   mundialmente famoso.

Essa gravação mostra um homem alto forte calvo, com marcante entonação de voz, de finíssima educação, mostrando aqueles troféus de patas de elefantes, chifres de rinocerontes. 

Um caçador profissional como este brasileiro que caçou mais de 20 anos na África acha que se a matança indiscriminada continuar a vida selvagem africana estará condenada a desaparecer.

Jorge Alves de Lima Jr havia saído da África há muito tempo, e depois passou a viver da lembrança dos grandes safáris que comandou. O caçador não se achava culpado pela destruição da fauna africana e garantia que profissionais como ele ajudaram a preservar os animais selvagens.

Na sala de troféus do Sr. Jorge,  Ernesto observa presas de elefantes, patas e chifres de rinoceronte, um pé de elefante que na época foi um recorde mundial. Diz Jorge que de todos os elefantes que abateu na África um que merece menção, embora não tivesse grandes presas era enorme e pesava cerca de sete toneladas, um elefante desses com a tromba erguida conseguia apanhar um galho a 7 metros de altura.

Ernesto:- – O Sr. caçava por quê?

Jorge:- – Caçava porque era um profissional, vivi minha vida toda na África. Primeiro pratiquei a caça profissional ao marfim e quando se restringiu o numero que podia se abater, então passei a fazer a caça de turismo cinegético, como” White Hunter”, aonde participavam clientes do Brasil, da Europa e Estados Unidos , eu ganhava como empreendedor desses safáris.

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O safári Kirongozi ficou famoso virou segundo nome de Jorge Alves de Lima, Kirongozi guiou centenas de caçadores do mundo todo como o milionário texano Bill Necley que mandou fazer um arco recurvo especial de alta potência para provar que poderia matar um elefante com uma flechada. Com ajuda de Kirongozi comprovou a tese mostrada num filme. Apesar de kirongozi ter ajudado a matar inúmeros animais como este, ele acha que a verdadeira ameaça é a matança clandestina feita hoje na África.

Jorge:- –Eu como guia de caça, nunca permiti que nenhum caçador abatesse fêmea de qualquer espécie de animal e que não fosse um animal absolutamente adulto.

Ernesto:- –Como é que o Sr. define hoje o que faz um destes caçadores ilegais que dizimam animais como elefantes, rinocerontes,etc. onde é proibida a caça como no Quênia?

Jorge:- –O que ocorre hoje em dia na África é que os” poachers” caçadores clandestinos, eles não matam dizimam, usam até bazuca e metralhadoras e pegam esses animais que estão geralmente nos santuários, nos parques, são animais que estão acostumados com o contato humano, sendo assim uma presa fácil. A única maneira de se preservar a fauna seja da África da Índia, Tailândia ou mesmo no Brasil é que precisamos conscientizar a sua preservação, senão no futuro serão figuras de revistas.

Ernesto:- –Qual a memória, a lembrança, o registro que ficou desses 20 anos que passou na África?

Jorge:- –Meu coração ficou na África, se meus filhos cumprirem quando morrer quero que minhas cinzas sejam jogadas na África, não que seja mal brasileiro, mas sou mais africano que brasileiro, passei a parte mais importante da vida que é a mocidade e a vida adulta na África.

Documentário no Youtube sobre o lendário caçador JORGE ALVES DE LIMA e suas aventuras na África:

Existe um ótimo documentário no youtube que bebe direito na fonte do lendário caçador e que é imperdível. Assim, podemos conhecer um pouco melhor da história desse caçador pioneiro na África, mas também com experiência no continente asiático, momentos únicos que se passaram entre os anos de 1950 a 1969:

Frases:

“É embaixo da janela do meu quarto e à noite os leões urram. Até estremece um pouco as janelas porque o volume é uma coisa. É a melhor música do mundo. Nem Beethoven, nem Roberto Carlos e nem Frank Sinatra”

“Já tive tigres e leões dentro de casa, bem criados, já com 100 kg passeando aqui. Não tinha problema nenhum, mas claro que os animais, assim como os seres humanos, são imprevisíveis. Qualquer hora você pode ter uma surpresa”, conta o criador, que já viveu no habitat natural dessas feras.

Cinema:

Filme: Kirongozi, Mestre Caçador

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11 de dezembro de 1957 No cinema | 1h 16min | Documentário
Direção:
Geraldo Junqueira de Oliveira

Detalhes técnicos:

DIREÇÃO: Oliveira, Geraldo Junqueira de

NacionalidadeBrasil

Ano de produção: 1957

COMPANHIA PRODUTORA: Alves de Lima e Junqueira Ltda.; Atlas Filme

Tipo de filme: longa-metragem

Idioma: Português

Cor: Colorido

No Quênia, Tanganica e outros territórios, tornou-se célebre um caçador brasileiro domiciliado há vários anos na África Oriental Britânica, Jorge de Alves Lima. Este nome, aliás, não significa nada para os nativos que só conhecem nosso patrício pelo apelido que lhe deram de “Kirongozi” o que significa “mestre caçador”.

O documentário retrata a vida do caçador profissional Jorge Alves de Lima, que exercia sua ocupação na África. O filme foi rodado em 1957, em uma época onde a caça ainda não era tão mal vista como no século 21. Infelizmente, não sabe ao certo se restaram registros do filme para poder hoje assistir a obra. O que se diz é que este filme foi vendido por uma boa soma de dólares para os EUA e sumiu do mercado, nem mesmo cópias podemos encontrar, só ficou um cartaz do filme que é possível ver na internet.

Livros:

No Encalço de Novos Horizontes (2017)
438 páginas – Impresso no Brasil


Em seu livro mais recente, Jorge Alves de Lima relata suas andanças e caçadas por Tanganica, Índia e Pantanal, em tempos em que as viagens destinadas à caça eram planejadas com grande antecipação e duravam entre 60 e 120 dias, ou até mais. Por fim, o autor conta um pouco mais de sua vida na Fazenda Kirongozi, no interior de São Paulo, onde mantém tigres e leões. No Encalço de Novos Horizontes inclui contribuições de Brian Herne, Anton Allen, Derrick Dunn e Richard Dupont.

Visões da África – Angola e Moçambique (2015)
​612 páginas – Impresso no Brasil

Neste livro, dividido em dois volumes –um dedicado a Moçambique e o outro a Angola–, Jorge Alves de Lima relembra suas aventuras pelos solos africanos e alguns dos safaris mais emocionantes na companhia de seus clientes.

Kirongozi, como Alves de Lima fez fama em seus tempos de caçador, conta a história da implantação das coutadas de caça, relata seus encontros noturnos com alguns dos animais selvagens mais perigosos do mundo e fala sobre os primeiros boatos sobre os leões comedores de gente.

O autor faz ainda uma homenagem a importantes figuras da vida selvagem moçambicana e conta com a contribuição de histórias escritas por outros caçadores de renome, como Hugo Seia, Tony Sanchez-Ariño e Richard Mason.

A coleção Visões da África tem um total de 612 páginas e 602 fotos. Os volumes não são vendidos separadamente.

O Chamado da África (2014)​
225 páginas – Impresso no Brasil


Após três dias voando de DC-3, o autor deste livro chegou às ruas empoeiradas de Fort Archambault, hoje Sarh, no Chade. Nos 21 anos seguintes, ele viveria da caça, e exclusivamente dela, no continente africano. Em Fort Archambault, fez bicos para um comerciante português, conheceu alguns white hunters e, mais importante, aprendeu o sango – a língua franca da região. Chegou a caminhar 1.200 quilômetros em busca de elefantes, varejando as florestas e savanas de Bogangolo e Bossangoa, ao sul.
   
O Chamado da África é um livro que não pode ser lido fora de seu contexto histórico: a África Equatorial durante os anos de 1940 e 1950 vista pelos olhos de um caçador profissional. Uma obra que, sem fazer a menor concessão ao politicamente correto, a exemplo de seu autor, expressa caráter e opiniões fortes. 

On the Tracks of the Big Five in Angola (2013)
334 páginas - Impresso nos Estados Unidos

Nesta fascinante coleção de histórias de caça, Alves de Lima descreve em detalhes suas inúmeras viagens pelo coração da África e pelo Brasil em busca dos animais mais bonitos – e perigosos – do planeta.
 
Diante dos perigos da vida selvagem, além de conflitos locais e situações envolvendo política internacional, a vida de caçador foi sempre um desafio – que Alves de Lima sempre esteve disposto a encarar. Ilustrado com centenas de fotografias deslumbrantes e com histórias exclusivas contadas por seus amigos caçadores, entre eles Bill Negley, Hugo Seia, Tony Sanchez-Ariño, Óscar Aníbal Piçarra de Castro Cardoso, Alberto de Castilho, Rubens Ribeiro Marx Junior e Richard Mason, este livro leva o leitor ao seu próprio safari, que inclui todos os desafios e glórias da caça. É uma interessante jornada de uma vida bem-vivida e cheia de ousadia: a vida de um verdadeiro aventureiro.

Chasing the Horizon: Hunting in East Africa and India (2010) – Trophy Room Books
278 páginas – Impresso nos Estados Unidos
 Disponível apenas em inglês

Na década de 1950, em Tanganica, Jorge Alves de Lima destacou-se como um caçador incomparável, conhecido por sua dedicação à caça. Chegando à África em 1948, passou uma década caçando, principalmente em busca de marfim. Com as mudanças políticas na década de 50, adotou um estilo de vida mais estruturado, envolvendo-se em safaris organizados.

Ao longo de sua carreira até quase 1970, Jorge liderou expedições de caça em Tanganica, Quênia, Moçambique e Angola. Sua empresa, Kirongozi Safari, ganhou renome internacional na comunidade de caçadores. Mesmo tendo explorado toda a África, considerava Tanganica como o “paraíso dos caçadores”, um refúgio remoto para espíritos aventureiros. Na época, perseguir leões, búfalos ou elefantes era uma experiência ousada, conduzida sem recursos modernos como telefone, GPS ou asfalto.

In the Company of Adventure
2006 – Trophy Room Books
335 páginas – Impresso nos Estados Unidos
Disponível apenas em inglês

Em 1948, ele se casou com a África e nunca mais olhou para trás.

Nascido em uma família abastada, quase aristocrática, Jorge Alves de Lima poderia ter sido, ou tido, qualquer coisa que ele queria. Então, em 1948, depois de se formar na faculdade, ele partiu para a África, especificamente à vasta extensão que era a então África Equatorial Francesa. Durante os vinte anos seguintes ele viajaria a não menos de oito países como caçador, um caçador profissional, um caçador de marfim, um explorador, o fundador de não uma, mas duas companhias de safaris em dois países diferentes, e, acima de tudo, como um aventureiro. 

Conclusão – O legado que permanece

A história de Jorge Alves de Lima transcende o tempo, os continentes e as polêmicas inerentes à sua época. Mais do que um caçador lendário, Kirongozi foi um homem moldado pela vida selvagem, pela convivência direta com a natureza em seu estado mais bruto e pela consciência — adquirida ao longo dos anos — de que preservar é, muitas vezes, a forma mais elevada de honrar aquilo que se ama.

Nada simboliza melhor essa fusão entre homem, memória e território do que o fato de suas cinzas repousarem hoje na Fazenda Kirongozi, em Álvaro de Carvalho, em um local especialmente concebido para reproduzir a cabana simples que utilizava durante suas caçadas na África. Ali, em meio ao silêncio da mata, às águas que nascem e correm pela propriedade e às paisagens que ainda guardam algo de intocado, Jorge parece ter encontrado o descanso definitivo em um cenário que dialoga diretamente com sua essência.

A fazenda — que ele próprio definia como seu “pedaço da África no Brasil” — não é apenas um espaço físico, mas um território de memória viva. Suas construções, seus animais, suas trilhas, suas florestas e cachoeiras carregam fragmentos de uma trajetória singular, marcada por aventura, coragem, controvérsias e, sobretudo, profundo respeito pela vida selvagem.

Nesse contexto, a criação da Fundação Kirongozi Alves de Lima assume um papel fundamental. Mais do que preservar estruturas ou animais, a fundação cumpre a missão de eternizar histórias, transmitir conhecimento e manter viva uma narrativa que, se não for registrada e compartilhada, corre o risco de se perder com o tempo. Ao transformar lembranças pessoais em patrimônio cultural, ambiental e educativo, a fundação projeta o legado de Jorge para além de sua própria existência.

Assim, Kirongozi não se encerra com a morte do homem, mas se perpetua no território, na fundação, nas histórias contadas e na curiosidade despertada por quem visita ou conhece a Fazenda Kirongozi. Um legado que permanece vivo — não como saudade, mas como presença.

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Fontes:

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/08/20/primeiro-cacador-brasileiro-na-africa-hoje-vive-na-selva-de-pedra.htm

https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=089842_06&pagfis=105120

https://sampi.net.br/bauru/noticias/2509858/regional/2008/03/cacador-quer-instituicao-ligada-a-reproducao-da-vida-selvagem

https://www.garcaonline.com.br/2024/05/morre-o-lendario-cacador-e-criador-de-leoes-da-fazenda-kirongozi

https://conteudo.solutudo.com.br/garca/5-tigres-e-3-leoes-conheca-o-corajoso-garcense-que-tem-esses-animais-no-quintal

https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/28227-o-maior-cacador-brasileiro-na-frica

https://m.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/08/1505265-paulistano-famoso-por-cacar-animais-na-africa-narra-memorias-em-livro.shtml

https://www.kirongozi.com/

https://empresas.serasaexperian.com.br/consulta-gratis/FUNDACAO-KIRONGOZI-ALVES-DE-LIMA-35632545000286

https://www.registrorural.com.br/car/item/SP-3501400-C1AEA40483DA478F8D74813E106D87A9/

https://anda.jor.br/decisao-judicial-mantem-apreensao-de-tigres-em-fazenda-no-interior-de-sp-animais-nasceram-no-local

https://www.instagram.com/fundacaokirongozioficial/

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