Garça amanheceu nesta segunda-feira (29) sem água. O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) informou que o rompimento da adutora que leva água da B1 para a B2, ocorrido durante a madrugada, provocou a paralisação do sistema de abastecimento.
Em comunicado publicado nas redes sociais, a autarquia destacou que equipes já estão mobilizadas para reparar o problema e que o fornecimento deve ser restabelecido de forma gradativa. “Pedimos a compreensão da população neste momento delicado e reforçamos nosso compromisso em restabelecer o abastecimento no menor tempo possível. Utilize água com economia”, escreveu o SAAE.
A crise se soma ao descontentamento popular causado pelo anúncio recente do próprio SAAE de que aplicaria multas contra o desperdício de água. A medida prevê valores de até R$ 1.137,60, dependendo da categoria (residências, comércios e indústrias), e provocou indignação de moradores que relatam falta de fornecimento em diversos bairros.
Segundo a autarquia, a fiscalização tem amparo na Lei Municipal nº 4.957/2014 e busca coibir práticas como lavagem de calçadas, carros e uso excessivo em jardins. Apesar disso, muitas famílias questionam nas redes sociais a aplicação das penalidades diante da irregularidade no abastecimento: "não tem nem água, vão multar o desperdício do que?", relatou uma pessoa nas redes sociais.
A situação também gerou repercussão política. O vereador Adhemar Kemp Marcondes de Moura Filho (Republicanos) cobrou respostas do SAAE em mensagens que circularam em grupos de WhatsApp e em ofício oficial enviado à autarquia. Ele criticou a falta de retorno às demandas da população e pediu soluções emergenciais, como caminhões-pipa e pontos de distribuição.
Procurado pelo Garça em Foco, o diretor executivo do SAAE, José Nildo Moreira Tavares, afirmou que equipes trabalham ininterruptamente desde o temporal da última semana e que caminhões-pipa já estão em operação para atender regiões mais afetadas.
“Sabemos a dificuldade que é ficar sem água, mas existem fatores que não estão ao nosso alcance. Pedimos paciência, compreensão e, sobretudo, economia de água até que a situação seja totalmente restabelecida”, disse.
Moradores também têm levantado dúvidas sobre a eficácia do abastecimento emergencial com caminhões-pipa. Em comunicado recebido por um internauta e enviado à redação do Garça em Foco, o Saae orienta que cada família mantenha recipientes como tambores, baldes e galões para armazenamento.
O pedido, no entanto, gerou críticas: muitas famílias não possuem reservatórios adequados e, quando têm, enfrentam dificuldades para transportar grandes volumes de água para dentro das residências.
O SAAE ressalta que o problema antes do rompimento da adutora não era exclusivo de Garça, já que cidades vizinhas, como Marília e Bauru, também enfrentam dificuldades no abastecimento devido à estiagem, altas temperaturas e quedas de energia. Agora, no entanto, o rompimento da adutora é o problema atual do município, somando a crise que vinha se arrastando nos últimos dias.
Enquanto isso, a população segue dividida entre as cobranças por providências imediatas e o apelo da autarquia por colaboração e uso consciente da água.