Terça, 02 de Março de 2021
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Geral ARTIGO

Que educação teremos após a pandemia?

Confira mais sobre esse assunto no artigo do professor Álvaro Matheus Valim Rosa, bacharel e mestre em ciências sociais e atua como professor no curso de pedagogia da FAEF de Garça.

11/01/2021 07h48
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Por: Francisco Alves Neto Fonte: Da redação
* Álvaro Matheus Valim Rosa é licenciado, bacharel e mestre em ciências sociais e atua como professor no curso de pedagogia da FAEF/Garça-SP.
* Álvaro Matheus Valim Rosa é licenciado, bacharel e mestre em ciências sociais e atua como professor no curso de pedagogia da FAEF/Garça-SP.

O ano de 2020 foi incomum para vários setores da sociedade e da economia. O campo educacional não ficou imune e precisou se reinventar para fazer frente aos novos desafios que surgiram com a declaração de pandemia da Covid-19. Mas, como popularmente já se sabe, em momentos de crise nascem novas ideias que se operadas de maneira correta, com entusiasmo e condições materiais, o resultado ao final pode ser positivo. E por que não pensar na relação entre educação e tecnologia? Já está na hora!

            Após a segunda metade do século XX, a situação de Guerra Fria que envolvia os Estados Unidos e a União Soviética criou um clima de competição tecnológica que se expandiu para os setores das telecomunicações, meios de transportes e fluxos de dados. Como diria o grande antropólogo e educador brasileiro Darcy Ribeiro, o tempo histórico foi acelerado e entramos rapidamente em uma nova fase da globalização. Com a popularização da internet e de equipamentos com o seu acesso, como por exemplo computadores, tablets e celulares, as novas gerações de jovens foram se formando com a naturalização de que tudo poderia ser obtido por essa ferramenta valiosa.

            Entretanto, o campo educacional pareceu ser resistente a esse novo mundo em transformação. A formação tradicional de muitos professores, a falta de recursos materiais, a inabilidade de operar equipamentos modernos e até mesmo a descrença em metodologias inovadoras fez com que houvesse um distanciamento entre escola e aluno na atualidade. Mas como “há males que vem para o bem”, mesmo com a tristeza gerada pela pandemia de COVID-19, a necessidade de pensar um ensino remoto em todos os níveis de ensino, seja público ou particular, provocará nos educadores a nível mundial a necessidade de aproximar a organização escolar à mentalidade globalizada dos novos alunos do século XXI. Isto é pensar em metodologias verdadeiramente ativas.  

            Novos modelos de ensino híbrido poderão ser mantidos mesmo após o surgimento da tão sonhada vacina contra o corona vírus. Com essa modalidade, poderemos romper barreiras entre professores e a tecnologia, continuar nos apropriando de recursos audiovisuais que tornem a relação de ensino e aprendizagem mais significativas para todos, participar de reuniões, congressos e simpósios on-line que funcionem como formação continuada e permita repensar nossas concepções teóricas e práticas sobre o mundo e o nosso ofício.

Ainda assim, é certo que o ensino híbrido não resolverá todos os problemas da educação brasileira e mundial, entretanto, ele poderá ser perspicaz para nos repensarmos como profissionais e como pessoas. Nada substitui o famoso “tête-à-tête” da sala de aula, afinal, o ensino presencial não é marcado apenas pela transmissão de conteúdo, mas o supera quando socializa o indivíduo a um coletivo, cria condições para lidar com as diferenças socioculturais resolvendo problemas que lhes são inerentes, transmite afetos, desenvolve a inteligência emocional e nos torna, acima de tudo, mais humanos. É fato que também será preciso recursos econômicos para financiar essa modernização educacional, mas isso já é papo para um outro artigo.  

 

* Álvaro Matheus Valim Rosa é licenciado, bacharel e mestre em ciências sociais e atua como professor no curso de pedagogia da FAEF/Garça-SP.