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Fraternidade e Educação: “Fala com Sabedoria, ensina com Amor”
Veja texto sobre a Campanha da Fraternidade, escrito pelo Padre Anderson Messina Perini, Pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo de Garça
02/03/2022 06h49
Por: Francisco Alves Neto Fonte: Da redação

A Campanha da Fraternidade 2022 (CF-2022) celebra 40 anos da Pastoral da Educação e tem como tema: Fraternidade e Educação, e o lema: “Fala com Sabedoria, ensina com amor” (Provérbios 31,26). Ela foi organizada pela Igreja Católica no Brasil pelo organismo da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e a temática é pela terceira vez debruçada numa campanha que pela primeira vez foi destaque em 1982, quando foi implantada a Pastoral da Educação e em 1998. Educar é um ato eminentemente humano. Somos renovados quando aprendemos a respeito da vida e seu sentido, quando nos ensinam novos conhecimentos e quando, percebemos que em nós existe a profunda sede de aprender e ensinar.

Educar também é uma ação divina. A Bíblia nos ensina que Deus educa seu povo, caminhando com ele, respeitando seu processo, compreendendo suas fragilidades e corrigindo os seus erros. Jesus também foi professor. Quando contemplamos suas ações e suas palavras, encontramos um processo educativo. Ele era atencioso com as pessoas, a relação entre milagre e conversão, o uso de exemplos recolhido do dia-a-dia, enfim o Evangelho nos apresenta Jesus como educador.

O texto bíblico inspirador para CF-2022 é do Evangelho de São João (8,1-11) o qual nos narra o episódio de Jesus e a mulher em flagrante adultério. O texto nos narra a sabedoria e o amor do Divino Mestre Jesus. Segundo o Evangelho de São João, Jesus participava da festa das Tendas em Jerusalém. Ao término da festa Jesus ocupou um dos lugares onde os mestres costumavam sentar-se para ensinar, e logo cria um círculo ao seu redor de ouvintes. De repente, seu ensinamento é interrompido pelos fariseus, que trou-xeram para seu meio uma mulher apanhada em adultério. O intrigante é que foi só a mulher. Pediram, assim, para Jesus se pronunciasse sobre o caso e aplicasse a Lei de Moisés, segundo a qual, ambos envolvidos em adultério, homem e mulher, deviam ser punidos com morte por apedrejamento (Dt 22,22). De fato, os fariseus queriam testar Jesus a fim de terem um motivo de pô-lo a prova diante de seus ensinamentos sobre o amor e a caridade. O julgamento não era justo, faltava imparcialidade e objetividade, pois não havia a outra parte e a mulher não podia se pronunciar num tribunal judaico da época. Mas a ocasião revela a sabedoria de Jesus. Ele se curva, como os escribas se curvavam aos textos sagrados e começa a escrever no chão com o dedo. Erguendo-se novamente, pronuncia a sentença: “Quem dentre vós não tiver pecado, atire a primeira pedra” (Jo 8,7b). Não se sabe o que Jesus escreveu, mas sabemos seu efeito, a começar pelos mais velhos, cada um foi se retirando e jogaram as pedras no chão. Depois, à sós com a mulher, questiona: “Onde estão eles? Ninguém te condenou? ” Disse a mulher: “Ninguém, Senhor” (Jo 8,10). Ali permanecem os dois: Jesus e a mulher, a pecadora e redentor, a miséria e a misericórdia em uma bela relação educativa. Então ressoa a sentença definitiva: “Eu também não te condeno. Vai, e de agora em diante, não peques mais” (Jo 8,11).

A pedagogia que Jesus promove é de amor e misericórdia. Ele enxerga a relação conflitiva e o problema, escuta e sente o pavor daquela mulher e os argumentos dos justiceiros. Mas Jesus não acirra os ânimos, não polemiza e nem pensa de modo isolado. Antes, procura escutar em silêncio o que dizem. Depois, em diálogo, conduz pedagogicamente as partes e fazem refletir sobre a fragilidade humana, às quais todos estão sujeitos. Educar, assim, não é adestramento ou condicionamento. É antes conduzir e acompanhar a pessoa para sair do não saber, rumo à consciência de si mesma e do mundo em que está inserido. 

A Igreja sempre valorizou a ciência e o conhecimento, inclusive o conhecimento técnico e cientifico, muitas vezes atacado e menosprezado, por meio da qual participamos da obra da criação. No entanto, não podemos reduzir a educação em transmissão de conhecimentos. Vivemos numa sociedade as vezes violenta e injusta e necessita de algo mais do que apenas um ensino com meros objetivos utilitários. Por isso, o objetivo da CF-2022 é promover diálogos a partir da realidade educativa do Brasil, à luz da fé cris-tã, propondo caminhos a favor do humanismo integral e solidário.

À luz da Palavra de Deus, a CF-2022 quer nos ajudar a compreender duas lições sobre a educação. Primeiro a respeito do valor da pessoa como princípio da educação. A segunda se refere ao ato de correção, que é conduzir ao caminho reto. Não é repressão, mas orientar no caminho de uma vida transformada, verdadeiramente convertida à luz da verdade, pois como nos diz o Cardeal Laurent Monsengwo: “A paz anda de mãos dadas com a justiça, a justiça com o direito, o direito com a verdade”.

Fonte: Texto-Base CFE-2022

Pe. Anderson Messina Perini

Pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo de Garça