Colunas COLUNA
“Sempre do lado mais fraco” - por Vanderli do Carmo Rodrigues
Coluna aborda a vulnerabilidade dos animais diante da violência humana e alerta sobre a relação entre maus-tratos a pets e comportamentos agressivos dentro de relacionamentos abusivos.
07/05/2026 15h26
Por: Redação Fonte: Garça em Foco

Alguns de nós preferem estar entre animais a conviver com pessoas, afinal é mais tranquilo, previsível e nunca seremos trocados por alguém mais interessante; não importa como você seja ou esteja, seu pet vai te amar do mesmo jeito, sem fazer críticas ou criar expectativas a seu respeito... Estar com pets é algo que não se explica, e quando se cria o vínculo com eles, ninguém consegue quebrar.

Sem dúvida alguma, existe uma conexão invisível entre animais e pessoas, e em muitos casos, o suporte emocional que um animal oferece é o único que algumas pessoas terão por uma vida toda...

Mas, será que estamos retribuindo tudo de bom que eles nos oferecem? Por que será que em algumas situações nossas escolhas afetam diretamente nossos pets? Você já deve ter ouvido ou mesmo falado que “a corda sempre arrebenta do lado mais fraco” quando quer explicar, de forma simples, alguma situação que resulta em prejuízos para a parte mais vulnerável. É comum, talvez até uma regra; quanto mais vulnerável uma pessoa, mais invisível ela se torna, recaindo sobre ela o peso de situações que ela nem sabe que existem.

E, sem dúvida alguma, os mais vulneráveis são os animais. Eles pagam pela nossa nutrição, diversão, necessidades e até mesmo pelos nossos fracassos pessoais. São negligenciados, abandonados, viram saco de pancada ou assassinados sem medo ou culpa...

Semanas atrás, mais um caso lamentável, infelizmente aqui em nossa cidade, deixou a maioria de nós ansiando por justiça; o cão que foi morto após o fim de um relacionamento. Não! Não foi a cachorrinha que matou o cãozinho após ele ter se engraçado pela poodlezinha da vizinha. Na verdade, o pobre cão nem sabia as intenções daquele a quem tinha como tutor, provavelmente veio receptivo ao encontro, afinal já o conhecia... Na inocência de uma criança, ele não atacou o agressor, poderia ser uma brincadeira diferente, e nessa inocência ele se deixou ser torturado e ter a cabeça quase decepada...

Infelizmente, a história é a mesma entre tantas que já ouvimos; dezenas, senão centenas, de animais que são mortos diariamente por causa das frustrações humanas. Eles são literalmente a parte mais fraca onde a corda arrebenta...

E, como eu comecei falando da conexão entre pessoas e animais, você já ouviu falar na “Teoria do Elo”? É um estudo que analisa a violência doméstica contra animais, que quase sempre é precursora do feminicídio, já que subjugar animais é mais fácil e pode passar a mensagem de dominação e medo a quem se quer atingir de fato.

Não é um estudo recente, e é usado para criar perfis de agressores, estudar como a violência doméstica se forma e quais os padrões, mas é apenas uma teoria que será aplicada quando a violência já foi praticada... Raramente impedirá a violência de acontecer. Mesmo que haja denúncia de que o companheiro está sendo abusivo com o pet da casa, a polícia dificilmente vai se deslocar até o local para verificar, até que algo de real aconteça...

Final de abril, um caso que envolveu uma mulher e sua gata mostra bem esse elo; ambas foram mortas pelo companheiro da vítima, e a família está na luta para que a investigação da gatinha seja incluída como parte do assassinato, já que ambas foram mortas pelo mesmo indivíduo. E mesmo que o crime seja o mesmo, as vítimas são diferentes, e provavelmente ele nem dormiria na cadeia caso tivesse matado apenas a gatinha...

O padrão existe, somos seres fáceis de mapear, e para um bom entendedor, somos livros abertos; mas nem todos percebem o perigo. Algumas pessoas são inocentes — um jeito educado de dizer tapadas — e permanecem em relacionamentos tóxicos, iludidas de que as coisas mudarão. Mas vamos cair na real: pessoas não mudam em tão curto espaço de tempo. O que somos é algo tão arraigado que, mesmo depois de décadas, ainda temos as mesmas reações a determinadas situações... Ninguém vira santo apenas por trocar de roupa... Não se iluda...

E, principalmente, não coloque seus pets em risco, levando para dentro de sua casa o lobo em pele de cordeiro, a menos que seu pet seja um Pit Bull com sede de sangue, aí pode... Vamos ver quem tem coragem de encarar...

Vanderli do Carmo Rodrigues