Um levantamento apresentado pelo vereador e médico Dr. Marcelo Miranda (MDB) acendeu um alerta importante sobre o atendimento a casos de AVC (Acidente Vascular Cerebral) em Garça e na região.
Com base em dados de 2025, a Diretoria Regional de Saúde (DRS) de Marília registrou 2.014 internações por AVC, com 260 mortes — uma taxa de mortalidade de 12,9%. O índice evidencia o alto impacto da doença, que segue entre as principais causas de morte e incapacidade.
Ao comparar os números regionais, chama atenção a desigualdade no atendimento. Marília apresenta uma taxa de mortalidade menor, de 10,29%, enquanto outras cidades enfrentam índices mais elevados, indicando diferenças na estrutura e na capacidade de resposta dos serviços de saúde.
Em Garça, o cenário preocupa. Foram 76 internações por AVC ao longo do ano, o segundo maior volume da região, com taxa de mortalidade de 11,84% — acima da média regional. O tempo médio de internação, de 9 dias, também mostra que o município não apenas encaminha pacientes, mas assume o tratamento de casos de média complexidade.
A Santa Casa de Garça concentra praticamente todo esse atendimento. Segundo os dados, 68 dos 76 casos passaram pelo hospital, o equivalente a quase 90% das ocorrências no município. Na prática, a unidade já atua como referência local no tratamento do AVC.
Apesar disso, existe uma falha considerada crítica: a ausência de estrutura adequada para atendimento ao AVC agudo, especialmente a falta de trombólise — tratamento que pode reduzir sequelas e salvar vidas quando aplicado rapidamente — além da inexistência de neurologista disponível 24 horas.
O hospital registra cerca de 80 internações por AVC ao ano, com taxa de mortalidade de 11,25%, número compatível com unidades de médio porte que ainda não contam com esse tipo de tecnologia e suporte especializado.
Diante desse cenário, o vereador aponta uma solução viável e já adotada em outros municípios: a criação de uma Unidade de AVC integrada à telemedicina em neurologia. O modelo permitiria avaliação especializada imediata, maior agilidade na tomada de decisão, redução no tempo de atendimento e, consequentemente, queda na mortalidade e nas sequelas.
“Estamos diante de um cenário com necessidade real, base técnica sólida e uma solução possível. O próximo passo é estruturar essa evolução no atendimento”, destacou.
Os dados reforçam três pontos centrais: Garça tem volume significativo de casos, a Santa Casa já funciona como referência e há uma lacuna clara no atendimento ao AVC agudo — que pode ser corrigida com investimento e planejamento.