Geral Reflexão
“Domingo de Ramos e da Paixão” — por Pe. Anderson Messina Perini
Veja artigo escrito pelo padre Pe. Anderson Messina Perini, ex pároco da Paróquia de São Pedro, e atual Administrador Paroquial da Paróquia Jesus Bom Pastor de Santo André
27/03/2026 12h09 Atualizada há 2 dias
Por: Redação Fonte: da redação

O Domingo de Ramos, como é popularmente conhecido, abre a Semana Santa, quando os cristãos do mundo inteiro celebram o Mistério principal de sua fé: a Páscoa Cristã, a paixão, morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. Essa liturgia apresenta dois momentos bem distintos.

Primeiro, a Entrada de Jesus em Jerusalém, com a procissão de Ramos, num clima de alegria, como gesto de fé e de compromisso. Jesus é recebido na cidade santa como rei, cumpridor das profecias antigas, o Messias esperado. É aclamado pelo povo com ramos de oliveiras e palmeiras e mantos, com benditos e hosanas. Entretanto, ele sai de Jerusalém condenado pelos seu povo, como bandido, rebelde, agitador, um falso profeta. Marca-se, assim, o início da Semana Santa, com a Leitura da Paixão do Senhor, na missa, relembrando o caminho do sofrimento e da Cruz. Dois momentos distintos da vida de Jesus: Triunfo, com hosanas, e Humilhação, o qual o povo pede sua crucificação. Jesus se apresenta em Jerusalém propondo a paz e recebe a violência.

Este ano é nos proposto alguns dados que são exclusivos da Paixão segundo o Evangelho de São Mateus (21,1-11 e 27,11-54), os quais destacamos sete:

1.     Jesus, o Mestre da Justiça: o resumo da missão de Jesus está no Batismo de Jordão, para Mateus: “Devemos cumprir toda a justiça” (3,15). O programa do Mestre da Justiça é cumprir uma justiça que supere o formalismo dos fariseus, só assim podemos entrar no Reino dos Céus (5,20). A História da Paixão de Cristo é o conflito entre a Justiça do Reino e a Justiça Oficial das autoridades de seu tempo. Mas a história não termina com a morte e o enterro de Jesus. Mesmo as autoridades temem e não estão seguras disto e mandam guardar o sepulcro.  Para os cristãos, o sepulcro vazio é sinal de ressurreição.

2.     Jesus é o Filho de Deus: A confirmação da fé que Jesus é o Filho de Deus evidencia-se em Mateus em outros dois momentos: no Batismo, na Confissão de Pedro, e culmina, na Paixão de Cristo, na profissão de fé do soldado romano: “Ele era mesmo Filho de Deus!” (27,54). Há uma verdadeira Manifestação Divina na Morte de Cristo (teofania): cortina do santuário rasgada, terremoto, ressurreição e aparição de pessoas santas. Tudo isto desperta o sinal de que Jesus era o Filho de Deus.

3.     Jesus, o Rei Pacífico: contrariando todas as expectativas a respeito do messias como um poderoso guerreiro, Jesus é um rei pacífico, manso e humilde de coração. Entra em Jerusalém cumprindo a profecia “Eis que o seu rei está chegando manso e sentado num jumento, num jumentinho, cria de um animal de carga”.  Jesus poderia ter pedido ao Pai doze legiões de anjos para defendê-lo, mas prefere entregar sua vida e cumprir a vontade do Pai do que levantar a espada. Ninguém prova o mal que ele cometeu. Ele é inocente e é reconhecido justo pela mulher de Pilatos e pelo próprio Pilatos ao lavar suas mãos.

4.     O Messias Prometido: Como Messias, Jesus foge da expectativa popular como um herói valente, poderoso e imperial. Ele reveste-se de humildade e pobreza, despojando de sua dignidade divina. Mas nele se cumpri todas as profecias a respeito do Messias.

5.     Jesus é o Juiz: Cabia ao rei ou a autoridade fazer o julgamento e a justiça. Jesus é transformado em réu pelas autoridades judaicas, porém não encontra nele culpa alguma. Jesus não se defende das acusações. No projeto de Deus acontecem inversões: Jesus o condenado à morte mesmo sendo inocente, passa-se de réu a juiz no seu Reino que inaugura com o mistério de sua cruz.

6.     O novo Cordeiro Pascal: Na ceia judaica, o cordeiro se destacava, pois era oferecido para perdoar o povo dos pecados. Celebrar a Páscoa era trazer à memória a libertação do Egito, o retorno do Exílio. O sangue do Cordeiro livrou o Povo de Deus da última praga do Egito. Em Mateus a presença do cordeiro na ceia é ignorada, pois Jesus ocupa este lugar: ele é novo cordeiro imolado, nossa páscoa, que pelo sangue de sua aliança nos liberta de todo mal.

7.     A fidelidade de Jesus aos seus: Jesus sabe que foi traído por Judas e abandonado por seus discípulos. Mostra assim sua plena gratuidade até o fim: marca um novo encontro na Galileia com eles. Neste encontro Jesus reunirá seus discípulos para continuar sua missão mesmo sendo abandonado. Judas o trai com o beijo da amizade. Pedro o tenta o defender com armas dos opressores. Por fim, Jesus fica sozinho, pois os seus discípulos fogem. Aquele que é o Messias é considerado pelas autoridades um bandido, porém o fazem isto às escondidas, na madrugada. Não tem coragem de o fazerem a luz do dia.

Por nossa reflexão termina numa grande questão: Quem condenou Jesus? Os judeus ou os romanos? No fundo foram os dois povos, um o condenaram como falso Messias e o outro como agitador do povo. Mas isto não está terminado. Somos convidados a ouvir do profeta Natã a acusação contra Davi: Você é culpado disto. Todas as vezes que pecamos: somos Judas, Pedro, Caifás e Pilatos e as multidões que pedem que Jesus seja crucificado. De outro lado, estão os convertidos: Cireneu, as mulheres, Verônica, a Virgem Maria, Maria Madalena, João e o centurião que professam: Este era o Filho de Deus. De que lado estamos? Somos o povo que pede para ser crucificado Jesus com nossos pecados ou somos os discípulos que seguem o Mestre até a cruz?

 Pe. Anderson Messina Perini

Administrador Paroquial da Paróquia Jesus Bom Pastor de Santo André