Recentemente tenho pensado em despedidas. Vendo uma pessoa querida que acabou nos deixando, lembrei de grandes amigos que fui perdendo ao longo da minha vida. E isso me levou a refletir.
Lembro com carinho de um grande amigo que esteve presente em minha vida profissional durante alguns anos e acabou se mudando para longe, mas nunca deixamos de nos falar. Quando estamos em férias, buscamos sempre fazer uma visita, trocamos mensagens por redes sociais. Atualmente, os memes enviados diariamente são um indicativo de que a amizade está viva e pulsante.
Não posso deixar de lembrar também de um casal de grandes amigos que conheci ainda na infância, e cuja amizade se fortaleceu nos tempos da universidade. Mesmo cursando áreas diferentes, compartilhávamos o ônibus no trajeto todos os dias. Ainda hoje buscamos nos encontrar para um vinho e um bate-papo pelo menos uma ou duas vezes por mês.
E ainda aquele grupo de amigos que conhecemos no trabalho e criamos um laço tão forte que ainda hoje combinamos um encontro todos os meses, mesmo cada um tendo sua rotina, filhos, compromissos. É uma chama que todos se esforçam para não deixar se apagar.
Nossa vida é feita de ciclos. Há aquelas amizades que criamos desde a infância, os grandes amigos do período da faculdade, do trabalho. Muitas vezes nossos ciclos se renovam, e alguns de nós têm a sorte de carregar até a velhice uma amizade que nasceu quando ainda éramos crianças, em meio a brincadeiras.
Mas, na maioria dos casos, nossos ciclos seguem seu curso e acabam por se romper. Famílias se mudam de cidade, levando para longe aquele amigo, ou aquele romance primaveril que começava a nascer. Nesses momentos, surgem algumas das primeiras decepções da vida. Outras vezes, aquele amigo do trabalho, com quem criamos laços mais apertados, acaba seguindo outro caminho, e vemos nossa rotina mudar.
Ainda assim, há ciclos que resistem. Há vínculos que, mesmo à distância, continuam vivos. E mesmo que a vida nos leve por caminhos inesperados, e tenhamos que ver nossas amizades mais profundas se afastando, cabe a nós manter esses laços firmes, sem deixar que se percam no passar dos dias.
Claro que sempre há aquela pessoa com quem escolhemos envelhecer e que, se tudo seguir seu curso, estará ao nosso lado até o fim. Essa pessoa inclusive é a amizade mais importante e profunda de nossas vidas.
Mas, fora isso, são as pequenas atitudes que mantêm vivas as grandes amizades.
Tenho feito esse exercício ultimamente: olhar com mais carinho para minhas amizades. E, sempre que possível, sentar à mesa, abrir um vinho, compartilhar uma conversa e, ali, no simples, garantir que alguns ciclos não se fechem tão cedo.
Fábio Codogno é escritor e fascinado por viagens, história e gastronomia.
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