
O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer teleatendimento em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas, especialmente em plataformas online. O serviço é gratuito, voltado a maiores de 18 anos, e também pode ser utilizado por familiares e pessoas da rede de apoio.
O acesso será feito por meio do aplicativo Meu SUS Digital ou pela versão web da plataforma.
Segundo o Ministério da Saúde, a expectativa inicial é realizar cerca de 600 atendimentos por mês, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, dentro do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS). O investimento previsto é de R$ 2,5 milhões.
Para utilizar o serviço, o usuário deve acessar o aplicativo Meu SUS Digital, entrar com a conta gov.br e selecionar, na aba “Miniapps”, a opção relacionada a problemas com jogos e apostas.
O sistema aplica inicialmente um autoteste validado no Brasil, com perguntas baseadas em evidências científicas para identificar sinais de risco.
Se o resultado indicar risco moderado ou elevado, o usuário é encaminhado automaticamente para o teleatendimento, que ocorre por vídeo. As consultas duram em média 45 minutos e podem fazer parte de um acompanhamento com até 13 sessões.
O atendimento é realizado por uma equipe multiprofissional, composta por psicólogos, terapeutas ocupacionais e, quando necessário, psiquiatras.
A iniciativa integra um conjunto de ações do governo federal para enfrentar os impactos das apostas online na saúde mental.
Entre as medidas estão a criação de uma Plataforma de Autoexclusão Centralizada, que permite bloquear o acesso a sites de apostas autorizados, e o Observatório Saúde Brasil de Apostas, voltado ao monitoramento de dados sobre o tema.
Segundo o Ministério da Saúde, o avanço das apostas digitais trouxe novos desafios para o sistema de saúde, já que o comportamento compulsivo relacionado a jogos é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como transtorno mental, classificado na CID-11 como “transtorno do jogo”.