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MP orienta municípios da região após Adhemar questionar uso de servidores públicos em redes sociais de políticos

Procedimento foi arquivado por ausência de ilegalidade comprovada, mas caso resultou em orientação preventiva a prefeituras e câmaras municipais

Por: Redação Fonte: Garça em Foco
04/02/2026 às 17h34 Atualizada em 04/02/2026 às 17h55
MP orienta municípios da região após Adhemar questionar uso de servidores públicos em redes sociais de políticos

Uma representação feita pelo vereador Adhemar Kemp Marcondes de Moura Filho (Republicanos), de Garça, levou o Ministério Público do Estado de São Paulo a expedir recomendação formal aos municípios da região para que reforcem mecanismos de controle, especialmente no que diz respeito à vedação da utilização de servidores públicos, durante a jornada de trabalho, para auxiliar na criação e divulgação de conteúdos em redes sociais pessoais de agentes políticos.

A recomendação foi expedida após o parlamentar questionar a suposta utilização de servidores comissionados do Poder Executivo de Garça na produção de vídeos que, segundo ele, não estariam diretamente vinculados ao interesse público e teriam sido posteriormente divulgados em redes sociais particulares.

Pedido de imagens na Secretaria da Saúde

O caso teve início quando Adhemar protocolou pedido de acesso às imagens das câmeras de monitoramento instaladas em frente à Secretaria Municipal de Saúde, referentes ao dia 21 de agosto de 2025, no período das 9h às 12h. De acordo com o vereador, naquele local teria ocorrido a gravação de vídeos por um servidor público da Secretaria de Comunicação do Executivo para determinado vereador.

Ao falar com a equipe do Garça em Foco, Adhemar afirmou que a iniciativa surgiu após relatos recebidos da população: “Já fazia tempo que as pessoas estavam me relatando essas atividades.”

Segundo ele, em um dos vídeos gravados em frente à Secretaria da Saúde, teria sido alvo de críticas após denunciar a falta de medicamentos na rede municipal.

“Neste vídeo gravado em frente à Secretaria da Saúde, fui acusado de mentiroso por ter denunciado a falta de medicamentos, no momento em que a própria população relatava a ausência dos remédios.”

O parlamentar afirmou ainda que considerou a situação inadequada: “Naquela época considerei a atitude infantil e desrespeitosa com a população.”

Ele acrescentou que, na avaliação dele, a gravação acabou desqualificando os relatos feitos por moradores. “Praticamente chamou a população inteira de mentirosa, algo que foge do senso comum, já que realmente estavam faltando medicamentos.”

O pedido de acesso às imagens foi negado pela administração municipal sob a justificativa de que não atendia aos requisitos previstos na legislação vigente, incluindo a ausência de boletim de ocorrência. Adhemar afirmou ao Garça em Foco que não recebeu orientação jurídica prévia sobre essa exigência.

Novo episódio em frente à Prefeitura

Posteriormente, no dia 12 de setembro, um vídeo foi publicado por um vereador gravado em frente à Prefeitura e, segundo relatos e fotos enviadas pela população à Adhemar, as imagens mostrariam o vereador e um servidor público realizando a gravação, que teria sido posteriormente divulgada em rede social particular; ao comentar o episódio ao Garça em Foco, o parlamentar afirmou que recebeu as imagens: “O destino se encarrega de muitas coisas, principalmente de mostrar a verdade.”

Decisão do Ministério Público

Após análise dos documentos e das informações apresentadas, o Ministério Público concluiu que não foram identificadas provas suficientes de ilegalidade ou prejuízo ao erário, motivo pelo qual o procedimento foi arquivado.

Apesar do arquivamento, a Promotoria expediu recomendação preventiva aos municípios de Garça, Alvinlândia, Álvaro de Carvalho e Lupércio, orientando que reforcem mecanismos de controle e fiscalização para evitar a utilização de servidores públicos em atividades de interesse pessoal ou político durante o horário de expediente.

A recomendação foi formalmente aceita pelos entes públicos e possui caráter orientativo, buscando prevenir eventuais irregularidades futuras e resguardar a legalidade administrativa.

Ao comentar o desfecho, Adhemar destacou a importância da atuação fiscalizadora do Legislativo: “Isso demonstra que o papel do vereador é fiscalizar. A verdade e a decência dos fatos precisam ser respeitadas.”

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